quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Jardim na RTP

Acabei de ver jardim a ser entrevistado pela Judite de Sousa.
Um misto de falso modesto, com momentos de verdadeiro arrogante, a par com mentiras descaradas.

DESAFIO AO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA

Desafio o Governo Regional da Madeira, que diz agir com plena transparência, a publicar uma listagem das vítimas da intempérie da passada semana, à semelhança do que é feito noutros locais (como por exemplo recentemente em Angra dos Reis, no Brasil).

E já agora que indiquem qual era a localização das vítimas para podermos ajuizar quantas mortes ocorreram devido às pessoas estarem a viver em sítios onde deveria ser proibida a construção.

Ubu, Rei das Bananas

Ubu Roi é uma peça de teatro escrita por Alfred Jarry no fim do sec XIX.


Peça precursora do Teatro do Absurdo e do movimento surrealista, centra-se numa sátira a um certo tipo de Poder. O Rei Ubu passou a ser, em França e no mundo influenciado pela cultura francesa, sinónimo de alguém que usa o poder de uma forma discricionária, tonta e caricata, mas cruel e venal.


Se quer perceber a verdadeira essência de Alberto João Jardim, leia Ubu Roi: não fosse haver um século de diferença, dir-se-ia que Jarry se teria inspirado na figura de Jardim e dos seus próximos para criar a figura do Rei Ubu e da sua Corte. Aliás, por uma destas estranhas coisas da vida, em que a realidade ultrapassa a ficção, por mais louca que seja a ficção, Jardim chega a ser mais Ubu que o próprio Ubu. A peça "Jardim Presidente" transforma "Ubu Roi" numa pacata descrição de um dia a dia normal numa pequena cidade de província.

Que Jardim seja o que é, não espanta. Nem espanta que ele aterrorize as sucessivas Direcções do PSD: é o seu papel. O que espanta é que haja quem vote num PSD que não consegue meter na ordem aquele personagem de comédia trágica, ou de tragédia cómica, aquele Ubu simultaneamente bronco e astuto. É evidente que só conseguirá meter ordem no país um Presidente do PSD que, a título de demonstração, comece por meter na ordem aquele espantoso personagem.

Enquanto a Madeira era uma comédia, comédia cara mas comédia, já era mau que isso acontecesse. Mas agora que a comédia se transfigurou em tragédia, é imperdoável que o próximo Presidente do PSD não meta na ordem o Rei Ubu, a sua Corte, os seus turiferários, os seus polícias e os seus ladrões.

Rimo-nos durante anos com um clown rústico, alarve e excêntrico. Mas, pelo menos eu, perdi agora toda a vontade de rir. O betão que enriqueceu todo aquele lúmpen, para além do ferro, cimento e porcaria, começa a ter carne e sangue na sua composição


E isso já não tem graça nenhuma...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira: Um desastre já anunciado há dois anos

COMISSÃO DE ÉTICA

Deprimente e desprestigiante é o trabalho que está a ser feito na Assembleia da República, a propósito da existência de liberdade de expressão. Ou da sua ausência. Será por ignorância, má vontade ou prévia intenção quanto ao resultado final? Creio que há de tudo, apesar da tendência a favor da última hipótese. Não duvido, por um instante, do claro desejo do governo em querer condicionar a informação que se faz,mas que se levante quem na política tendo tido poder não tenha avançado com o mesmo propósito.A memória é coisa fraca pelas nossas bandas e a leitura de jornais antigos é um exercício em vias de extinção.Pergunte - se ao PCP se nunca quis controlar jornais e jornalistas, a RTP e as rádios. Pergunte - se - lhe ainda se nunca os controlou. Mas pergunte - se também ao PSD se está nesta matéria inocente nomeadamente no que respeita à RTP, ainda quando não existiam canais privados. E já agora pergunte - se ao CDS, partido a que presidi, se sob a batuta do Dr. Paulo Portas nunca quis interferir nos destinos da TVI. Digo bem da TVI.

E quando todas estas perguntas forem feitas já se perceberá a razão que impede a oposição de ser mais forte e eficaz contra o actual primeiro - ministro. E melhor se entenderá os motivos para que este continue tranquilo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Encolher os ombros

Ainda a Madeira.
Desta vez foi o Dr. Alberto João Jardim que saiu do seu relativo silêncio para vir dizer que encolhe os ombros às criticas sobre a ocupação do território na Madeira.
Salta à vista, mesmo para um leigo, que foi o excesso de impermebialização do solo que, associado às condições climatéricas excepcionais, esteve na origem da tragédia.
Fenómenos destes sempre houve no passado. O que não havia era excesso de densidade urbanística.
Mas não tenhamos dúvidas que nada vai mudar. Vamos continuar a encolher os ombros.

O REALISMO DA TRAGÉDIA MADEIRENSE

Quando há uma tragédia em quem pensamos? Primeiro nos familiares, depois nos amigos, depois nos vizinhos e nos conhecidos. Foi assim no passado é assim no presente e será assim no futuro. Nestes momentos a imediata preocupação dos cidadãos é salvar, ajudar, reconstruir, recomeçar. Não há espaço para mais nada. Indefesas, inseguras, intranquilas, incrédulas, as pessoas ficam alheias e distantes de discursos, de declarações, de polémicas. É ainda nestes momentos que as ondas de solidariedade se erguem e que os adversários fazem tréguas. Dir – se – ia que o egoísmo desaparece e que o mundo de concórdia e de inter – ajuda surge. A política e o seu combate ficam para segundo plano, sendo quase um crime falar ou erguer a voz sobre questões que não digam exclusivamente respeito ao salvamento de pessoas e bens, à reconstrução de casas, de empresas e de infra – estruturas.
Mas na verdade há quem conhecendo este estado de espírito proceda com aparente parcimónia, e muita inteligência, em sentido contrário. Quem diz não haver lugar nestes momentos para fazer política está simplesmente a fazê – la. A inibição que pretende criar nos seus adversários é apenas o salvo-conduto para poder estar tranquilo, e só, no campo político.
Assistimos a isto mesmo na Madeira, não deixando aliás de ser curioso que Alberto João Jardim atacando os que agora “fazem política”, anuncie ao mesmo tempo ter – se aberto um novo ciclo político para a Região. Percebe – se a sua “jogada”. Por ironia do destino a catástrofe foi o melhor que lhe podia ter sucedido. Estava sem dinheiro, desesperado, sem saber como contentar a clientela, isolado politicamente e ainda sem soluções para o futuro. Os seus problemas desapareceram. Vai receber o que nunca pensou agora ter e vai querer surgir como o “marquês de pombal madeirense”. Não é por acaso que fala de um “novo ciclo político”. Para trás ficarão as centenas de casas clandestinas que permitiu e patrocinou, muitas das quais agora caíram; para trás ficarão as obras que deixou fazer em nome dos votos, em espaços onde nunca deveriam ter sido construídas; para trás ficarão os atentados urbanísticos que cultivou colocando em causa a segurança dos solos; para trás ficará a desflorestação feita sem critério e que agora deixou as águas ainda mais livres para seguirem o seu curso. Para trás ficam, apagadas pela lama, as acções e omissões de um dirigente incapaz, impreparado e incompetente. É uma triste realidade aquela que pode transformar o futuro da Madeira, num desastroso regresso ao passado.

MADEIRA - PELO TURISMO ????

  • Recusa-se a declaração de calamidade pública, apesar de ser evidente a destruição.

  • Minimiza-se o número de vítimas e de desalojados.

  • Omite-se a grave destruição da rede viária madeirense.

  
Mas com esta tentativa de tapar o sol com a peneira (impossível em tempos de net e informação generalizada) salva-se o curto prazo mas com grandes custos para o futuro. Um turista que vá à Madeira ao engano nos próximos tempos e que mal consiga sair do hotel nunca mais vai voltar e vai ser fonte de péssima propaganda.

E esta tragédia não pode servir para branquear comportamentos menos claros e muito menos para Alberto João Jardim aproveitar para atacar os seus adversários como já começou a fazer.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

GENERAL GARCIA LEANDRO - PALAVRAS NA MANIFESTAÇÃO DA "PLATAFORMA CIDADANIA E CASAMENTO" - RESTAURADORES - 20 de Fevereiro de 2010



Estou aqui por uma questão de consciência, representando a CNAF e também como Militar de Abril e de Novembro.

No primeiro caso, porque a CNAF, como Parceiro Social, nunca foi ouvida na preparação desta Lei; no segundo, por que muitos civis nos foram perguntando se não havia uma tomada de posição daqueles que em momentos cruciais de nossa História recente sempre estiveram ao lado da Liberdades e da Sociedade. Aqueles militares que vieram a apoiar a carta divulgada fizeram-no a título pessoal pelas mesmas razões a que eu me senti vinculado.

Nada existe da nossa parte contra a União Civil de Pessoas do Mesmo Sexo, devem ter os seus direitos individuais e sociais devidamente salvaguardados e protegidos, como qualquer outra minoria; mas são uma minoria.

O Referendo seria clarificador da posição da população portuguesa; mas se não o quiserem fazer não podem chamar “Casamento” a algo que é diferente.

Casamento tem histórica, cultural, social e familiarmente um significado próprio que está relacionado com a vida em comum de casais heterossexuais; isto não pode ser abalado por uma decisão politico-partidária de esquerda versus direita. Não se trata de um problema político e partidário, mas social que atravessa transversalmente toda a sociedade; socialistas e comunistas conheço que não se revêm nesta Lei.

Ao igualizar, nesta Lei, a união Heterossexual e a Homossexual com o nome da Casamento, o Parlamento está a dar a mesma designação a situações diferentes e a retirar direitos individuais e sociais à maioria da população, o que é um atentado à Liberdade; se lhe tivessem dado outra designação nada haveria a opor e eu não estaria aqui. Estão também os responsáveis pela Lei a promover uma cultura homossexual.

Acresce que a questão não foi completamente estudada nas suas implicações educativas; passaremos a dizer aos nossos jovens que a União Homossexual é igual à Heterossexual? Obviamente que isto não pode ter o acordo da maioria da nossa sociedade e do Parlamento.

Embora o Casamento Heterossexual não se destine só à procriação, é de qualquer União entre pessoas aquele que a permite, e isto faz toda a diferença.

Socialmente, trata-se de questão tão grave que merecia maior reflexão.

Outros Países Europeus têm caminhado no sentido que tenho vindo a defender; também nos EUA as soluções variam de Estado para Estado.

General Garcia Leandro.

Madeira

Apesar de acompanhar a opinião do Manuel Monteiro no seu comentário relativo à catástrofe que se abateu sobre a Madeira, neste momento o mais importante é disponibilizar apoio aos familiares dos que morreram e às vítimas que, apesar de tudo, sobreviveram e naturalmente tratar da reconstrução das infraestruturas físicas destruídas.
Nesta hora díficil a minha solidariedade materializo-a num abraço forte e amigo que daqui envio ao Baltazar Aguiar, político honesto, dos poucos que ainda há, que sei que tudo fará no que estiver ao seu alcance para minorar o sofrimento dos madeirenses.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

MADEIRA

A catástrofe chegou à Ilha da Madeira. A natureza mostrou a sua fúria e cega perante as consequências da sua acção, espalhou a dor, o caos e o sofrimento.Dizem alguns que não é a hora para fazer política e que o tempo é de unir esforços, de dar as mãos e de trabalhar na reconstrução e no apoio às vitimas. Mas ai de nós se continuamos a ignorar a incúria, o erro humano e a acção criminosa dos poderes públicos que em muito contribuiram para a dimensão da tragédia.

QUEREM APOSTAR ?

Em 2005 foi permitido à França e à Alemanha estarem em incumprimento dos critérios de convergência europeus. Ou seja houve uma flexibilização temporal.

Falou-se em solidariedade europeia para o permitir.

Quanto é que querem apostar que os mesmos que clamaram por essa flexibilização na altura e que há bem pouco tempo promoveram todo o tipo de medidas para salvar o sistema financeiro serão os primeiros a estar contra tal tipo de medidas para a Grécia, Portugal e Espanha?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Colégio Militar

Esta notícia do jornal Público de ontem http://www.publico.pt/Educação/colegio-militar-tem-pela-primeira-vez-em-207-anos-mais-vagas-do-que-alunos_1423430 sugere-me a seguinte questão:
Será que vão ser noticiadas com o mesmo destaque as vagas não preenchidas na maioria das universidades e institutos politécnicos, públicos e privados?
Apesar de existirem 115 vagas no Colégio Militar para o próximo ano lectivo, apareceram 94 candidatos. Ora, pelo que se vai sabendo, a maioria das universidades não se pode gabar do mesmo, isto é, a diferença entre candidatos e vagas é bem distinta, com o prato da balança a estar mais desequilibrado no número de candidatos versus vagas. Não seria isso também notícia? E os cursos no ensino superior público que não têm qualquer procura?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Faces Ocultas - Histórias de Sucesso


"Está a viver há pouco tempo em Santa Cristina do Couto, Santo Tirso, mas já é bem conhecido pela população pelos furtos que fez em todos os cafés da região. Arnaldo ‘olhos de gato’, alcunha pela qual é tratado, já foi detido cerca de oitenta vezes nas últimas semanas, mas foi sempre libertado pelos juízes. A população está indignada e sente-se insegura."

Ladrão é, juntamente com a de administrador de empresas públicas, uma das profissões mais bem pagas do país. E completamente isenta de risco, como se pode ver pelo texto acima.

É, igualmente, uma profissão com uma carreira promissora. Começa, invariavelmente, por uma aprendizagem regional de pilha-galinhas, neste caso uns cafés de Santa Cristina do Couto e, com tenacidade e ambição, mas sempre na impunidade, chega-se longe: ao fim de meia-dúzia de anos passa-se da obscuridade de um coluna das páginas interiores de um diário popular para sucessivas primeiras páginas dos semanários ditos de referência.

Também muda o cenário onde os juízes fecham os olhos: no princípio da carreira, os juizes fecham os olhos nos pelintras "Palácios da Justiça" de parvónias várias. No auge da carreira, os olhos que teimosamente se fecham, ou se protegem com óculos de cortiça, estão devidamente acobertados em verdadeiros Palácios nacionais. Mas a cegueira é a mesma. Só que nos "paços" perdidos de alcatifa bordeaux gasta, a cegueira é apenas fruto da insanidade ideológica que assentou arraiais no CEJ. Nos Paços autênticos de tapetes de Arraiolos, teme-se que a cegueira tenha outras causas bem menos óbvias.

Acabando por onde comecei: Há umas semanas atrás, a fotografia de um principiante na carreira apareceu em todos os jornais e televisões: o estagiário de ladrão tentou entrar pela janela de um mini-mercado, baixou as calças para passar melhor, ficou entalado e só se via do pobre principiante a parte traseira...

A face estava oculta.

Pois estava. Como sempre.




Princípios

Está agendada para amanhã, em Lisboa, uma manifestação que a entidade promotora - Plataforma Cidadania Casamento - diz ser a favor da Família e do Casamento.

A concentração está marcada para as 15h na Praça Marquês de Pombal. Estou certo que também estarão presente os líderes dos partidos que no Parlamento se opuseram à lei que serve de leit motiv a este pronunciamento popular.

Mas cabe dizer que esta arruada era dispensável. Sim, se em 2004 o PSD e o CDS não tivessem alinhado na alteração do artigo 13.º da Contituição da República Portuguesa, a nova lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo teria, no mínimo, a vida mais dificultada.

O PSD e o CDS, pelo contrário, preferiram, como infelimente vem sendo hábito, a ambiguidade, o equívoco, as meias palavras, o logo se verá…Sabendo que tinham feito aprovar uma revisão constitucional cujo alcance teria previsivelmente, mais tarde ou mais cedo, as actuais consequências.

De facto vale a pena relembrar que estes 2 partidos fizeram com uma maioria na Assembleia o que nunca a “esquerda” havia ousado em 30 anos: alterar a Constituição de forma a permitir que ninguém pudesse ser discriminado em função da orientação sexual e assim escancarando as portas a todos os tipos de casamentos, incluindo os relativos a pessoas do mesmo sexo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lealdade

Bem sei que é um lugar comum dizer-se que mesmo na política não pode valer tudo. Mas às vezes nada como enunciar lugares comuns para chamar a atenção para determinadas situações. Ainda a propósito do lançamento da candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD, o que parece, e muitas vezes o que parece é, é que não foi bonito o método seguido no seu processo de candidatura. Mesmo na política, deveria haver mais lealdade, frontalidade e alguma ética e menos sinuosidade, adaptabilidade e pragmatismo. E mais não digo...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Constâncio

A pergunta pode não ser original mas não deixa de ser pertinente: como pode o responsável pelo maior falhanço da supervisão bancária em Portugal ser eleito para assegurar a supervisão bancária europeia? A resposta deu-a, em tempos, o próprio: para aquele cargo não conta o mérito mas o resultado dos acordos entre governos. Entretanto, hoje ficou a saber-se que a eleição de Constâncio serve, sobretudo, a Alemanha. Está tudo dito.

À Conversa com o Miguel Félix António

O que ensina um Pai a um filho? Que seja honesto, leal com as pessoas, respeitador, cumpridor, trabalhador….São, em regra, os valores transmitidos de geração em geração. A perspectiva inversa é assim afastada do comum das famílias e é com base neste código não escrito, que a educação é dada. Nada de estranho, dir – se – á. A estabilidade familiar primeiro e a ordem social depois, assentam nesta espécie de pilar erguido em torno de regras bem mais relevantes do que a ordem legal instituída, seja ela qual for. Todavia, e este foi um tema de conversa recente com o Miguel Félix António, há uma dúvida que cresce. Que sucesso poderá ter um jovem, por exemplo no mundo da política, se esse jovem seguir os ensinamentos do seu Pai? Por certo pouco ou mesmo nenhum. O triunfo, algo legítimo e natural para quem mais se esforça ou até para quem é mais inteligente, está associado à mentira, à deslealdade, à esperteza, à falta de carácter, à “flexibilidade” constante no plano das ideias. E esta questão tem hoje uma relevância muito grande. Não é falada, não é analisada, não é objecto de comentário nem de estudo, mas dá que pensar. De um lado os princípios base de uma família normal, do outro a selva. Aqui ganha o mais “forte”, ali impera o respeito. Temos dois mundos, numa só sociedade. O de casa, o da família e o da rua, só que a rua é hoje a política. Diz o meu amigo Miguel que este “hoje” talvez esteja a mais…, terá sido sempre assim. A luta pelo poder, tal como a sua manutenção, não tem regras e a história política não evoca a bondade, mas apenas a vitória. Porém, se assim é que pode um Pai dizer a um filho? Por certo uma coisa muito simples: que não se “meta” na política. Devemos condená-lo? Não, mas devemos lembrá-lo que desistir é perder.

E Agora Banco de Portugal?

O Banco de Portugal não é uma Instituição qualquer. Sobre si, apesar da clara diminuição de competências derivada dos Tratados Europeus, continua a pesar uma importância fulcral. E ainda bem que assim é. A sua história e o papel que lhe cabe na regulação do sistema financeiro, não são compatíveis com atitudes e leituras levianas. Espera – se assim que o próximo Governador do Banco de Portugal seja um primus inter pares e que, tal como hoje sucede com o Presidente do Tribunal de Contas, possa reunir respeitabilidade e isenção. É nos momentos de crise que temos o dever de demonstrar sentido de Estado e a oportunidade aí está. Ninguém entenderia que a pessoa nomeada não cumprisse os requisitos aqui apresentados.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ligações Perigosas

Discutamos as causas e não apenas os efeitos. De tempos a tempos somos abalados com a promiscuidade entre negócios públicos e privados e numa rotina ensurdecedora, levantamos a voz contra os detentores do poder público no momento. Assumamos todavia algo muito simples: o problema não se resume aos políticos e aos meios; o problema está no princípio, no modelo que foi adoptado. Enquanto o Estado tiver uma presença esmagadora na actividade económica, nada mudará. E hoje tudo, ou quase tudo, depende do poder público. O Estado Central e as Câmaras Municipais dominam e manipulam a economia, o emprego e o investimento. Enquanto assim for tudo será sempre igual.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Governo, Empresas e Nomeações

A presença do Estado num importante conjunto de empresas nacionais tem permitido, governo após governo, indicações de amigos, de amigas, de anteriores adjuntos e chefes de gabinete, de ex – ministros e secretários de Estado, para cargos de Administração na PT, na TAP, na GALP, na Caixa Geral de Depósitos, na CP, na EDP, no Metro de Lisboa, no Metro do Porto, na ANA, na REN…
Curiosamente, ou talvez não, muitas destas empresas “desdobraram – se” surgindo novas “marcas” que permitiram, ano após ano, o alojamento de antigos/novos administradores, directores e assessores. Se somarmos a esta triste realidade as múltiplas Empresas Municipais, Institutos Públicos e Fundações ligadas ao Estado, depressa percebemos a importância deste “mercado” de emprego artificial para a classe dirigente. Não deixa aliás de ser estranha a ausência de um trabalho jornalístico, de investigação criteriosa, sobre toda esta panóplia de empregos políticos cujo único critério é pagar favores, comprar silêncios, garantir clientela. E neste processo ninguém está isento. Todos os partidos que passaram pelo governo, sem excepção, mesmo o PCP nos governos provisórios, nomearam e indicaram os seus amigos para a estrutura directa e indirecta do Estado. Enquanto não houver coragem para se colocar um ponto final nesta situação nada mudará. O governo poderá amanhã ser outro, mas os hábitos e os comportamentos manter – se – ão.

A Casa Pia e o PS

Quando Ferro Rodrigues era secretário – geral do PS, o seu partido fez um ataque até aí sem precedentes à actuação do poder judicial. Já pouca gente parece lembrar – se. A tese da cabala foi então proclamada aos quatro ventos, numa clara tentativa de condicionar o trabalho do ministério público e dos juízes. Recordo – me mesmo da recepção triunfal dispensada a Paulo Pedroso, na A.R., quando este foi libertado da penitenciária de Lisboa. O meio que haveria de conduzir à vontade de politização da justiça teve nessa época, não distante, o seu ponto alto. É fundamental recordá-lo, desde logo para perguntar aos dirigentes socialistas uma coisa muito simples: que autoridade têm para evocar a necessária separação entre a Política e a Justiça, quando deram um testemunho contrário às palavras agora proferidas. Pena é que a memória seja curta e que tantos estejam prisioneiros das suas opções. Se assim não fosse vozes se levantariam, com força e coragem, a exigir a demissão do actual primeiro – ministro

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Moção de Censura

Se é verdade que a situação económica e financeira do país é muito grave e se vem degradando cada dia que passa, se é verdade que o Primeiro Ministro está envolvido em todos os casos que os jornais vêem noticiando, se é verdade por isso, que este Governo não dispõe já das condições políticas substanciais para dirigir o país, se é verdade que a estabilidade não pode ser um valor absoluto (Oliveira Salazar foi um referencial de estabilidade...), se é verdade o que os mais altos dirigentes do PSD e do CDS vêem dizendo, porque esperam as direcções destes partidos para serem consequentes, políticamente credíveis e proporem uma alternativa de governo consistente?
Porque não fazem aquilo que é óbvio fazer em democracia, num contexto destes?
Porque não apresentam na Assembleia da República uma moção de censura?

A verdadeira violação do segredo de justiça

O Correio da Manhã noticia hoje que José Sócrates e Armando Vara souberam a dado momento que estavam a ser escutados e passaram a usar de cautelas maiores.
Este acesso à informação pode não ser uma violação do segredo de justiça, no sentido técnico da expressão, mas é concerteza uma violação grave do dever de segredo a que estão sujeitos os agentes judiciais e policiais envolvidos na investigação
É com isto que o PGR se deveria procupar.

Casos da República

Os últimos anos foram pródigos em casos que abalaram a opinião pública portuguesa. Muitos deles envolvendo figuras públicas. Recordemos alguns, por ordem alfabética:

Apito Dourado
BPN
BPP
Bragaparques
Casa Pia
Casino de Lisboa
CTT
Fátima Felgueiras
Isaltino Morais
Operação Furacão
Portucale


Citei onze.
Resultados: dois condenados em primeira instância (ambos com recurso interposto, Isaltino Morais e Domingos Névoa. Este último condenado ao pagamento de uma multa de 5.000 euros, por corrupção activa).

Os restantes, a esmagadora maioria, ou continuam sem fim à vista (apesar das vítimas e dos prejuízos) ou simplesmente chocaram com dificuldades processuais, não obstante a pública divulgação dos factos demonstrativos da prática de crime.

Perante isto alguém pode afirmar, com seriedade, que vivemos num Estado de Direito? Que dizer às crianças que foram violadas, aos depositantes que perderam o seu dinheiro, aos cidadãos a quem diariamente é pedido que confiem na Justiça? Que dizer aos portugueses quando há deputados suspeitos da prática de crimes, responsáveis pela feitura de leis contra a corrupção? Alguém pode acreditar na Justiça se a lei for feita por corruptos para se protegerem?