terça-feira, 18 de maio de 2010

O não veto do Presidente

Ao optar por não vetar o diploma que consagra o casamento entre pessoas do mesmo sexo o Presidente da República procurou evitar tornar ainda mais escuro o debate politico em Portugal.
Sei que algumas pessoas não partilham dessa opinião como o Manuel Monteiro.
Contudo estou convicto que acabou por ser a melhor resposta. A justificação ao país ficou clara. O Presidente considerava ser possível outra forma juridica. O futuro dirá quem tinha razão. Se este país deu o tal passo civilizacional ou não. Parece afinal que a professora de Mirandela que fez umas fotos para a Playboy é que é grave. Aqui ainda não vi a esquerda habitual a vir defender a professora.Triste país ou sinal dos tempos?
Por mim este é um assunto acabado. A seguir virá outra discussão e, essa mais dura. Até lá, o país vai ter de trabalhar para sair da crise. Esse é o nosso verdadeiro problema estrutural e civilizacional.

Para que servem as convicções?

A decisão do Presidente da República de não vetar a lei dos casamentos homosexuais significa que sobre as conviccões prevaleceu o imediatismo das "circunstâncias".
De nada adianta ao Presidente da República invocar convicções se, logo de seguida, as manda às urtigas.
De nada nos adianta elegermos representantes que, no momento da verdade, não exercem os seus poderes de acordo com as convicções que apregoam, sejam elas quais forem.
Para que servem as convicções?
Da próxima vez não poderei votar num candidato que assim age.

BALTASAR GARZÓN, O NOVO HERÓI DA ESQUERDA (II) - FACTOS E LUTA POLÍTICA

A luta política alicerça-se em argumentos e contra-argumentos, no fundo opiniões , sendo por isso muitas vezes subjectiva. Os factos são isso mesmo, por muitas interpretações que cada um lhes possa ou queira dar.

Facto 1: A 26 de Abril o Juíz Baltasar Garzón mandou libertar o sr. Usabiaga dando acolhimento à pretensão deste de estar em liberdade condicional para poder ajudar a sua mãe gravemente enferma.
En libertad bajo fianza el proetarra Usabiaga para que cuide de su madre

Facto 2: Vários jornais noticiam que a mãe do sr. Usabiaga tem pendente um pedido de assistência, mas desloca-se frequentemente à missa. Para além disso, o sr nos primeiros dias em liberdade nunca visitou a mãe.
Algumas das mais de cem notícias:
Usabiaga lleva nueve días en libertad y aún no ha visitado a su madre
Lasarte confirma a Garzón que la madre de Usabiaga aún no tiene concedida la dependencia
Lasarte confirma a Garzón que la madre de Usabiaga aún no es dependiente
El fiscal rebate a Garzón y cree una treta el cuidado de Usabiaga a su madre

Facto 3: Tendo conhecimento da situação de incumprimento do sr. Usabiaga, Baltasar Garzón recusou-se a emendar a mão.
Garzón se despidió de la toga echando una mano a Usabiaga

Não tenho qualquer dúvida de que o juíz Baltasar Garzón teve ao longo dos anos actuações muito meritórias na sua profissão, inclusivé contra a ETA. Agora sempre que lhe foge o pé para a política, dá asneira, como neste caso. Quis fazer o jeito ao governo PSOE a quem convinha naquela altura a libertação do sr. Usabiaga e deu no que deu...

Actual

Eça de Queirós, em 1872, escreveu nAs Farpas:

"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal".

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Colaboração

É com grande prazer que aceitei o convite para colaborar neste blog onde procurarei analisar assuntos principalmente ligados à esfera internacional com ou sem efeitos directos em relação a Portugal e aos seus interesses imediatos.
Muito embora a minha condição profissional me coíba de comentar certos assuntos - o que muito gostaria de fazer - tentarei manter a frontalidade, o que me parece essencial para o respeito com os leitores.

António Tânger

ASSIM NÃO Senhor Presidente!

A decisão do Presidente da República é simplesmente inaceitável. Não só deu uma machada nos seus poderes constitucionais, como virou as costas à esmagadora maioria dos que nele votaram.

Pergunto-me que motivos válidos podem existir para termos um Presidente que não é de esquerda, se nos momentos cruciais se curva e verga perante ela. O argumento de que há uma maioria na Assembleia que pode voltar a aprovar a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo é não só descabido, como revelador de falta de firmeza em matéria de princípios e valores. Ficámos a saber que sempre que exista uma maioria que aprova uma lei, o actual Chefe de Estado não a vetará, o que demonstra ser o poder de veto político uma peça para emoldurar e para não mais levar a sério. Por outro lado ficámos também a perceber que os princípios são coisa pouca, para um Presidente que recua numa matéria onde jamais poderia recuar.

Ficou o País mais unido com a promulgação? Não ficou! Ficou sim a saber, que de nada serve termos um Presidente de "côr" política diferente em Belém, quando a esquerda é maioria em S.Bento.

Quem manda?

A pergunta é clássica e perdura ao longo dos tempos, as respostas variam segundo as circunstâncias. Nós temos muitos manuais sobre política pensada, alguns excelentes, mas curiosamente poucos sobre a política vivida. Estranhamente, ou talvez não, são poucos os testemunhos (não falo de artigos de opinião, nem de discursos publicados em livro), sobre o lado mais interior da política. Os bastidores são um imenso desconhecido para o comum cidadão e há mesmo quem defenda que assim deve ser, desde logo para que os sistemas possam minimamente funcionar.

Na verdade o jogo político, quer do lado da conquista do poder, quer do lado da sua manutenção, contém questões que escapam à reflexão mais objectiva, mesmo daqueles que livremente a deviam fazer (e sobre a manutenção do poder pouco ou nada se escreve, concentrando - se a análise científica da actividade política, na perspectiva da conquista). Assumo também a minha quota de responsabilidade na matéria e admito nem sempre ser fácil abordar o assunto. Ainda assim, sendo eu um defensor de que os Homens se movem por interesses, sem que nisso exista nada de negativo ou ilegítimo (como é óbvio falo de interesses compatíveis com a dignidade da pessoa humana), não pode espantar a ninguém que, por exemplo, um homem de negócios (seja ele um banqueiro, um empresário de construção ou outro), queira influenciar a decisão política no sentido que mais lhe interessa. Porém se é normal tal atitude, devemos questionar se existe normalidade quando do lado dos políticos, governantes, candidatos à governação, ou representantes de linhas mais tribunícias, a decisão é tomada por submissão a esses interesses particulares, ainda que apresentados aos interlocutores como sendo de interesse geral. Neste "pormenor" está toda a diferença entre um Político que verdadeiramente actua em nome do interesse colectivo, logo do Estado, e um político que cedendo à pressão de um ou outro grupo empurra o País numa direcção estreita. O primeiro pode perder, mas é livre; o segundo pode ganhar, mas será sempre refém. E este é O grande problema político dos tempos correntes. Quem manda não vai a votos e vence quase sempre. Porquê? Apenas pelo facto de ter muitos políticos no bolso, predispostos a servir quem paga.

Se fizéssemos uma análise mais atenta, logo mais cuidada, de posições públicas tomadas na última semana e meia por alguns ilustres representantes da Finança portuguesa, perceberíamos o que levou o nosso primeiro-ministro a desdizer o que tinha dito com voz grossa no dia anterior. Dir-se-á, bom neste caso ainda bem já que isso o fez recuar nalgumas obras públicas. Quanto ao resultado imediato neste domínio não o duvido, restará saber se as medidas entretanto anunciadas foram tomadas a pensar na Nação ou numa parte dela. Na parte que ao longo do tempo decide, sem nunca ir a votos.

Quem manda? Os eleitores muito menos do que julgam!

BALTASAR GARZÓN, O NOVO HERÓI DA ESQUERDA (I)

Como novo herói da esquerda bem pensante, a Baltasar Garzón, tudo parece ser permitido.

Foram muito noticiadas as lágrimas que verteu ao saber da sua suspensão, mas alguns factos muito interessantes da sua actuação vão sendo ocultados.

Será que também chorou ao saber que o terrorista da ETA (sob um dos múltiplos nomes em que esta organização terrorista se tem apresentado - LAB) Rafa Díez Usabiaga, que ele mandou libertar a 26 de Abril sob o argumento de que tinha de tomar conta da sua muito doente mãezinha desde essa alltura nunca foi sequer visitar a senhora?

Senhora essa, diga-se de passagem, que está tão doente, tão doente, que por várias vezes já foi avistada na missa da povoação onde mora!

Não será isto tratamento preferencial para com terroristas? Mas não foi a primeira vez, há outras estórias. Um dia destes conto mais....

domingo, 16 de maio de 2010

As lições da crise

Hoje os jornais falam da crise de 1983 quando o Governo do Bloco Central, por imposição do FMI, foi obrigado a adoptar medidas duras para o país. Depois daí o que aprendemos? Muito pouco. Em 1986 entravamos na Europa. Entre 1985 e 1995 foi o tempo aureo do "cavaquismo" uma mistura de fontismo e de desenvolvimento. Depois e com o monstro sempre a crescer chegou António Guterres e com ele as pessoas já não eram só betão ou números. Veio o rendimento mínimo garantido e uma cultura de laxismo social. O rendimento minimo é o dinheiro de bolso, o apoio do Banco Alimentar contra a Fome é a alimentação, a Câmara dá a casa e o autocarro para as crianças. O resto logo se verá. Esta foi a atitude depois da crise de 1983-1985. Obras Públicas, politicas sociais e o Estado a substituir todos os privados ou os actores sociais. Barroso não teve a coragem de parar isto e saiu para Bruxelas.Até que apareceu Sócrates. Não havia problema só que os mercados internacionais não pensaram assim. Aqui estamos. A baixa do IVA feita por Sócrates explica como a demagogia tem um nome : crise.
Vamos aprender alguma coisa com esta crise? O ideal era o Estado e os partidos compreenderem que não podem continuar neste ritmo. Existe capacidade instalada de equipamentos como as creches do sector social o provavam. Sócrates achou que não. Ainda vamos ver o Primeiro Ministro a anunciar obras no Estádio Nacional por causa da Taça de Portugal e a lançar as primeiras pedras do Estádio do Olhanense e do Portimonense porque ninguem quer jogar no Estádio do Algarve. Há dias Manuel Pinho juntava-se aos que criticavam a estratégia de Sócrates. Seja bem vindo. A disponibilidade de António José Seguro mostra como os tempos vão mudar. Oxalá aprendamos as lições da crise.
António Tavares

SOCIALISTAS IBÉRICOS - UNS GASTADORES (I)

Tal como em Portugal, em Espanha o povo que pague a crise enquanto os socialistas vão esbanjando mais e mais dinheiro!

Segundo noticiaram alguns (poucos - muito respeitinho a quem está no poder) periódicos espanhóis - a Comunidade Autonómica da Andaluzia, comandada pelo PSOE vai pagar um tratamento de inseminação artificial a um casal de etarras responsável por vários assassinatos. Isto ao mesmo tempo que também por lá um doente com cancro espera e desespera pelos tratamentos!

García Jodrá (condenado a penas que somadas ultrapassam mais de 200 anos de cadeia) e a sua companheira Nerea Bengoa (também responsável por vários atentados) já iniciaram tratamentos num hospital público de Córdova, pagos pela mesma sociedade que eles atacaram sem dó nem piedade!

Qual a lógica, principalmente em tempos de crise e quando pessoas doentes esperam pelo financiamento dos seus tratamentos?

Já deu para perceber ...

Os factos que ocorreram nos ultimos dias, mostraram-nos duas coisas:

1. O federalismo com capital em Bruxelas foi definitivamente instaurado. A partir de agora, os Orçamentos dos Estados membros da UE passam a estar subordinados a Bruxelas.

2. Ao contrário do que tenho visto escrito, o Presidente do PSD comprometeu-se, até às orelhas, com o actual estado das coisas. Perdeu a única oportunidade de romper com o Sistema, o que até não admira, pois é um produto dele.

sábado, 15 de maio de 2010

Aqui chegada ...

.. eis-me a cumprimentar os restantes escribas e os leitores:

Saudações

A convite amigável do João Carvalho Fernandes, sem periodicidade certa, aqui partilharei alguns pensamentos, incómodos e irreverentes como sempre.

Confesso que a política, tal como o direito e a justiça, já nada me diz; a cada dia, mais e mais, sinto indiferença perante um (des)Governo e uma classe política, em geral, tão irrelevante, quanto dispensável.
E o direito e a justiça, o primeiro tão pechisbeque, quanto a segunda tem de elitista e injusta.

O actual estado do Estado, já não pode ser apelidado de lástima, considerando que ultrapassou o fundo do pântano.
O (des)Governo e a oposição, principalmente aquela que se diz do arco governativo, são mais do mesmo.
Mas, também mais do mesmo, são os restantes partidos políticos com assento no Parlamento; todos vivem, e sobrevivem à custa dos contribuintes.

E é aí, é precisamente aí, que está o busílis da questão:

Seja quem for, pessoa singular ou colectiva, partido político ou grupo de interesses, que sobreviva ou sobrevivam à custa do dinheiro do contribuinte, tenderá sempre a perpetuar o Estado Social, et pour cause o Estado Social que sangra o cidadão, perpetua-se.

A única solução para terminar de uma vez por todas com a crise económica e social em Portugal, é terminar com o Estado Social.
Acabar com a Segurança Social.
Reduzir o número de deputados à Assembleia da República.
Terminar com a opulência daqueles que, ao invés de servirem os cidadãos, permitimos que se sirvam de nós.
Reduzir ao fundamental o Estado, e as instituições estatais; cortar na banha.
Terminar com a escravidão do cidadão perante um Estado.

Voltar a ter pessoas honradas a prestarem serviço público.

Ter cidadãos plenos; conscientes e responsáveis.

Pelo Jorge: Santiago com eles.

Mais membros na REVOLTA

António Tânger, Embaixador; João Pedro Montes, Gestor, Margarida Pardal, Investigadora e Paulo Otero, Prof. Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, fazem parte a partir de hoje do blogue A Revolta.

Somos livres?

Na azáfama de solucionar problemas imediatos, sobra sempre nenhum tempo para a reflexão. E ela é urgente! É urgente no que respeita ao Capitalismo; é urgente sobre a União Europeia, o seu modelo de funcionamento e a relação dos seus órgãos com os Estados membros; e é urgente sobre o nosso futuro enquanto Nação.

Verdade seja dita que a vontade de tudo comentar, de tudo analisar, de estar na "linha da frente" da notícia da ocasião, nos empurra para longe do que é essencial. De tal forma que não percebemos como é nula a importância do muito que julgamos importante e definitivo. O agora é só isso mesmo e o amanhã deixa de existir, quando incompreensivelmente nos deixamos aprisionar pela imensidão do momento. Em nome da liberdade perdemos a liberdade, a nossa individual liberdade, e é tempo, principalmente em tempo de crise, de iniciarmos uma luta pela sua reconquista.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Papa e os valores do nosso tempo

Terminou a visita a Portugal do Papa Bento XVI. Das imagens da Televisão e das fotos dos jornais vai ficar,fundamentalmente, a mensagem de valores que nos deixou.
Teve a coragem de abordar a questão da pedofilia, do aborto e do casamento. Fê-lo de acordo com as suas ideias. Criticando o mal, que também está dentro da Igreja, teve a coragem de nos deixar um desafio. Sair do "Inverno da Igreja" lançando novas lideranças nas instituições de solidariedade social para enfrentar os novos tempos. Quer no seu encontro com as organizações da Pastoral Social quer no encontro com os Bispos de Portugal, o Papa deixou ideias precisas da necessidade de renovação da prática da Igreja Católica. Adaptar os valores ao nosso tempo à Primavera que aí vem seguindo o exemplo de Jesus: "vai e faz o mesmo".
A doutrina social da Igreja ganha redobrada importância neste tempo de crise económica e social. Os valores são, assim, resultado da importância dos tempos. Neste nosso tempo ainda ganham um papel mais acentuado.
António Tavares

O adeus a Saldanha Sanches

O triste desaparecimento de Saldanha Sanches é motivo de lamento. Portugal perde um cidadão exemplar que soube lutar sempre na trincheira dos valores quer antes quer depois do 25 de Abril.
Foi meu convidado no Clube Via Norte no inicio do ano passado. Tive,então, oportunidade de o conhecer melhor. Se, quase sempre, tivemos divergências na avaliação politica de muitas situações reconheço que José Luis Saldanha Sanches deixa saudade pela importância da polémica.
Era alguem que tinha convicções. Nos dias de hoje é muito importante que o pensamos de manhã não seja diferente à tarde.
Paz à sua alma. O seu exemplo vai continuar vivo naqueles, como eu, lhe reconhecem a integridade do carácter.
António Tavares

SALDANHA SANCHES


Morreu Saldanha Sanches, homem que conheci pessoalmente nos frente a frente da SIC-Notícias. Dele muito me separava, mas também nele muito me aproximava. Integro, firme, leal com os seus princípios e convicções, nunca recuou na afirmação do que considerava ser a defesa das suas ideias.

A meu convite aceitou participar nalgumas iniciativas públicas e mesmo sabendo que eu me situava claramente à sua Direita, manifestou sempre pronta disponibilidade para dizer presente. Incansável na denúncia e no combate à corrupção e aos corruptos, recordo a sua passagem por Braga, no Verão passado, para falar do enriquecimento ilicito e das fortunas injustificadas de alguns políticos. De Lisboa, acompanhado por Rui Costa Pinto, viajou de combóio, pagando do seu bolso o bilhete, testemunhando afinal com esse gesto uma militância por causas, que nunca esteve à venda.

Se dúvidas houvesse....

Se dúvidas houvesse quanto à dimensão do nosso governo, elas ficaram dissipadas quer nas palavras de ontem à tarde do primeiro-ministro, quer ainda nas do ministro das finanças e de alguns dirigentes socialistas à noite. Apesar de ter recebido um "bónus" do líder do PSD e de lhe dever estar agradecido, o governo mostrou ser pequeno e não estar à altura dos desafios que tem pela frente.

Recordemos algumas dessas palavras:

Primeiro - Ministro " a medida de redução de 5%, nos salários dos políticos não tem impacto financeiro é apenas simbólica e foi tomada a pedido do PSD. Eu prefiro medidas com impacto real e não apenas simbólico...."

Ministro das Finanças "(...) peço é a compreensão dos portugueses, não peço desculpa porque não tenho má consciência..."

Líder parlamentar do PS " (...) se pedisse desculpas demitia-me a seguir..."

Palavras para quê? Isto foi dito no mesmo dia, em que lhes deram o braço, a mão e o seguro de vida. Isto vem afinal demonstrar que o governo não é pequeno por ser minoritário, mas pela simples razão de que os seus membros e apoiantes não têm dimensão. A mim não me causou surpresa e só espero que Passos Coelho perceba que Sócrates e Durão Barroso não estão preocupados com o País; o que os preocupa é tão só o mesmo de sempre: a sua sobrevivência!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O tempo de festa do Engº José Sócrates

O Primeiro Ministro de Portugal descobriu agora que afinal o país a que se candidatou em Outubro de 2009 não é o mesmo de Maio de 2010.

Apareceu o défice e com ele a mesma receita de sempre. O Monstro de que falava o Presidente da República consinuou a crescer e hoje está imparável. Só que a lógica do poder mudou. Já não é o Governo e o Parlamento mas sim os directórios partidários que ditam as regras. Bruxelas quer tranquilidade na zona Euro e vai daí puxou as orelhas a Portugal e Espanha. Da nossa parte demos a resposta de sempre. Os ricos que paguem a crise que provocaram. Um pão com o IVA a 6% é igual para mim, para o Dr. António Mexia ou para quem tem o salário minimo nacional. Deus queira, neste tempo de Papa, que estas medidas extraordinárias não sejam definitivas para continuarmos a sustentar empresas municipais sem sentido, agências e institutos públicos que ninguem compreende a sua missão. Está na altura de dizer que, depois de no jobs for the boys, do no money for the boys é tempo de "no food for the boys".

Entre a vitória do Benfica e a vinda do Papa está a acabar o tempo de festa do Engº Sócrates para começar o Plano de Emagrecimento Compulsivo (PEC) que vai acabar na rua na contestação dos sindicatos.

Perguntas ao Dr. Passos Coelho

1. Poderá um primeiro-ministro cuja credibilidade desapareceu, ser o motor da mudança e da recuperação económica?

2. Poderá um governo, cada vez mais desunido e sem rumo, incutir mobilização e motivação aos portugueses?

3- Poderá a condução política da Nação ser alheia ou indiferente, aos caminhos de sacrifícios que temos de seguir?

Eu não sou PSD, mas não escondo a simpatia e até a grande expectativa que deposito no novo líder social-democrata. Não duvido do seu patriotismo, do seu sentido de responsabilidade e da sua vontade de contribuir activamente para a resolução dos graves problemas que Portugal atravessa. Sei do sinal de esperança que a sua chegada provocou em muitos cidadãos como eu; cidadãos cansados da mediocridade, revoltados com o desnivelamento gritante na sociedade portuguesa, indignados com a manutenção de políticas públicas, que prejudicam o desenvolvimento e impedem a criação sustentada de riqueza.

Hoje, muitos desses cidadãos precisam de respostas do Dr. Passos Coelho. É necessário que entendam como após o discurso de ruptura que o conduziu ao cargo que ocupa, o vêem agora ao lado de um primeiro - ministro incapaz de liderar, titubeando ao sabor das circunstâncias, incompetente para antecipar e prevenir os problemas.

É tudo em nome do interesse nacional?

Ao longo dos tempos fomos ouvindo discursos sobre o interesse nacional. A expressão serviu para tudo e de tal modo que sob a sua capa assistimos ao delapidar das finanças públicas, ao enriquecimento imoral, e até ilegítimo, de grupos e de pessoas próximas do poder. E são, curiosamente ou talvez não, os que mais contribuíram para o momento actual, a defenderem o "acordo" entre o governo e o PSD. Más notícias, para quem quer a verdadeira mudança. Más notícias para os muitos que não entendem, nem aceitam, que apesar dos discursos de indignação, os gestores continuem a banquetear-se com prémios que chocam a dignidade de qualquer pessoa sensata. Más notícias, muito más notícias, principalmente após uma comunicação ao País de um primeiro-ministro que compara o Pão à coca-cola, com um ar de superioridade e desdém que não pode ser tolerado.

O Dr. Passos Coelho, político que respeito e que publicamente venho defendendo, tem de responder a estas e outras questões. Nós, os simples mortais, sabemos o que temos de fazer, sabemos o que já fazemos no nosso dia a dia para enfrentar a crise, sabemos o que deixámos de comprar para poder sustentar a nossa casa; falta-nos porém saber se quem nos empurrou para a crise vai poder continuar a governar e agora com o apoio de quem não era suposto apoiá-lo!

A CRISE E OS SACRIFICIOS

No plano económico e financeiro

A crise económica obriga, sem dúvida, a que todos tenhamos de fazer sacrifícios. Ninguém de bom senso o negará. Mas a que princípios vão obedecer esses sacrifícios? Vamos seguir os princípios da igualdade ou os princípios da equidade? A pergunta não é retórica, nem o momento é para perguntas dessa natureza. Se seguirmos o princípio da igualdade teremos injustiça, mesmo que as proporções nominais anunciadas sejam distintas. Mas se seguirmos o princípio da equidade as coisas serão, sem margem para dúvida, completamente diferentes. E é neste ponto que as medidas previstas, ou a concretizar, terão de ser vistas pelos destinatários. É inconcebível, digo até inaceitável, que seja a classe média mais penalizada da União Europeia, a pagar a factura dos erros e dos fracassos que ao longo dos anos tivemos. Portugal já tem das taxas fiscais mais elevadas, por comparação aos salários pagos; é em Portugal que pagamos mais pela gasolina, pela electricidade e até por produtos essenciais para as famílias; e é em Portugal, como já referi, que ganhamos menos.

Como aceitar, sem revolta ou contestação, que nos entrem novamente pela carteira dentro, sem extinguirem Empresas Municipais, Institutos Públicos e Fundações que só vivem à custa do erário público? Como aceitar, sem revolta ou contestação, que nos penalizem ainda mais, sem a redução drástica de assessorias nos ministérios, nas secretarias - de - estado e sem o corte nos subsídios mensais aos partidos políticos?

Como aceitar, sem revolta ou contestação, que continuemos a ter cargos de nomeação governamental com salários mais altos dos que os praticados, em lugares equivalentes, na Alemanha, na Inglaterra ou nos EUA?

Não basta que nos falem em cortes de 5% nos vencimentos dos políticos ou dos gestores públicos. Não basta! É necessário muito mais para que os Portugueses percebam que o seu esforço será acompanhado verdadeiramente por todos. Se assim não for a rua poderá ter quem habitualmente nela não está. A revolta e a contestação não terão côr partidária e as Famílias protestarão contra a injustiça e a iniquidade.

No plano político

No plano político faço, por agora, uma só pergunta: salvamos o País salvando este governo?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Manual de Protocolo

Depois de ouvir Sócrates, o ainda Chefe do Governo de Portugal, tratar por diversas vezes Sua Santidade o Papa Bento XVI, por Sua Eminência, só posso recomendar a Sua Excelência o Primeiro Ministro que leia um bom Manual de Protocolo para não dar mais calinadas.

O PAPA E OS POLÍTICOS NÃO CATÓLICOS

O Papa é, simultâneamente, Chefe de Estado e Líder espiritual dos Católicos e quando viaja representa essas duas qualidades. Compreende-se pois que a sua chegada a qualquer país seja preenchida pelas mesmas regras protocolares, devidas a qualquer outro Presidente ou Monarca. Não espanta assim, nem choca, ver Presidentes da República, Presidentes de Parlamentos, Primeiros-Ministros, Ministros, Presidentes de Câmara, recebe-lo com toda a dignidade e com ele se fazerem fotografar. Afinal o cargo que ocupam e a função que desempenham exige um sentido de rigor e de isenção, que vai muito além das convicções religiosas ou até da ausência delas. Mau seria se um político pelo facto de não ser crente ou de não ser católico, se recusasse a receber o Chefe de Estado do Vaticano e a tributar-lhe a honra e o respeito merecidos.

Todavia, quando este mesmo Chefe de Estado assume as funções de líder dos católicos e a eles se dirige numa missa, já me questiono sobre o que leva políticos não crentes, seja qual for o seu cargo no Estado anfitrião, a marcar presença. Principalmente políticos que actuam e legislam ao arrepio de todos os princípios e valores professados por essa mesma religião. O que vão lá fazer? Sustentar as suas posições a favor do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da retirada dos crucifixos das escolas e dos hospitais?

Estamos perante uma imensa hipocrisia, reveladora da reduzida dimensão destes individuos para quem tudo serve. Bem sei que a Igreja, ou melhor dizendo os seus representantes, terão dificuldade em questionar estes gestos e até a denunciá-los, mas isso não deve impedir todos de dizerem o que pensam. Nesta matéria há que realçar, desde logo pelo coerente contraste, a ausência ontem no Terreiro do Paço do ex- presidente Mário Soares. Não sendo crente não participa numa manifestação de crentes e ninguém pode considerar isso negativo. Posição digna que não deixa de realçar a nula dignidade de quem não sendo crente, se quis misturar com os muitos milhares de católicos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Bento XVI

Independentemente da Fé de cada um, há um facto indesmentível: se a maioria dos Chefes de Estado dos países existentes na Terra tivesse a envergadura intelectual e moral que tem o Chefe do Estado do Vaticano, o mundo não seria o que é. Indubitavelmente, o mundo seria incomparavelmente melhor.

Sei que vem por bem, por isso Bem Vindo, Bento XVI, a Portugal!
Nestes dias, o que mais ardentemente desejo é que a sua mensagem possa ser interiorizada e amadurecida pelos portugueses.

«La zone euro n'a pas les ingrédients pour durer»

«L'économiste Christian Saint-Etienne, auteur de «La fin de l'euro», ne croit pas que le plan d'aide de 750 milliards d'euros puisse sauver l'euro.

Le figaro.fr/jdf.com - Que pensez-vous du plan d'aide présenté par l'Union européenne ?
Christian Saint-Etienne Cette décision tactique est bienvenue, je l'appuie totalement. Elle met fin au délire des marchés, qui avaient perdu leur boussole. Ces derniers jours, les actifs étaient sous-cotés par rapport à leurs fondamentaux. Le rebond observé aujourd'hui est un retour aux niveaux d'avant la chute des marchés.

Ce plan ne règle toutefois rien sur le long terme. Sur les 750 milliards d'euros, seuls 60 milliards sont réellement sur la table. Le reste ne correspond à rien de concret. Enfin, la Grèce était en faillite vendredi, et elle est toujours, lundi, en faillite.
Quels problèmes de long terme demeurent ?
Nous ne nous dirigeons pas vers une coopération budgétaire renforcée. On savait dès le départ que, pour créer une zone monétaire optimale, il faudrait mettre en place un gouvernement économique, un fédéralisme fiscal puissant et un encadrement de la concurrence fiscale et sociale. Aucun de ces mécanismes n'a été mis en place.
Vous vous attendez donc à l'explosion de la zone euro ?
Non, je dis simplement que la zone euro n'a pas les ingrédients pour durer. Les Etats membres enregistrent des performances économiques divergentes. Un État, l'Allemagne, mène même une politique de désinflation salariale non coopérative.
Enfin, les perspectives économiques sont désespérantes (autour de 1% de croissance jusqu'en 2011) et les mesures de rigueur ne devraient rien arranger. Pas de quoi donner envie aux jeunes européens de rester, alors que le reste du monde croîtra à un rythme de 4%!
Comment voyez-vous l'avenir de l'euro ?
Je n'ai pas de scénario de la fin de l'euro. Mais scinder la monnaie unique en deux zones serait éventuellement souhaitable, car la zone actuelle n'est pas cohérente. D'un côté, les pays producteurs (Pays-Bas, Autriche) se regrouperaient autour de l'Allemagne. De l'autre, les pays aux déficits commerciaux se rassembleraient autour de la France.
Cet euro du sud, selon moi, ne serait pas un «club Med'» et la Grèce, qui a toujours menti et ne connaît pas le consensus autour de la réduction du déficit budgétaire, n'y aurait pas forcément sa place. Au final, nous aurions deux euros, dont la parité varierait, un peu comme le dollar américain et canadien.
Christian Saint-Etienne, membre du Conseil d'analyse économique, est professeur d'économie au Conservatoire national des arts et métiers et à l'Université Paris-Dauphine. Il a écrit «La Fin de l'euro», chez Bourin Editeurs.