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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Texto da autoria de Miguel Félix António hoje no Público

O ESTADO ASFIXIANTE


Podíamos viver sem Estado? Podíamos, mas não era a mesma coisa!

O Estado, na multiplicidade das suas funções, designadamente as que se prendem com aspectos conexos com a soberania, faz-nos falta. Faz-nos mesmo muita falta. Que não haja quaisquer dúvidas sobre isso.


Mas é pelo facto de o Estado ser necessário e imprescindível à vida da Nação, que tem que se reformar, libertando-se dos encargos que não são da sua vocação e que muito melhor podem ser assegurados por outras entidades.


Para que se possa ocupar e focar no que devem ser os seus principais objectivos, em particular:


1. Dotar o país das adequadas condições de segurança para pessoas e bens;

2. Afirmar e promover os interesses e a imagem do país no contexto internacional;

3. Defender o território de ameaças externas e participar na protecção dos valores estratégicos prosseguidos pelas organizações internacionais de defesa em que está inserido;

4. Garantir uma boa administração da justiça, portanto célere, justa e determinada, como é próprio da sua natureza intrínseca, afastando o excesso de garantismo e reduzindo a amplitude dos expedientes dilatórios;

5. Propiciar as condições para que as empresas possam actuar num mercado concorrencial efectivo, actuando de forma pró-activa e implacável no combate à corrupção, ao tráfico de influências e ao nepotismo;

6. Edificar as infra-estruturas que permitam uma boa circulação das pessoas e o adequado transporte de bens;

7. Assegurar um nível de subsistência mínimo, fornecendo gratuitamente os cuidados de saúde e o acesso à educação, apenas e só aos manifestamente carenciados e incapazes;

8. Promover uma política fiscal proporcionada à riqueza gerada, tributando o mínimo possível.

Infelizmente em Portugal, pouco ou nada se vem fazendo desde há muito para alcançar estes objectivos de modo consistente e duradouro. O assistencialismo é a marca deste Estado Máximo que nos asfixia onde não deve e não nos protege onde devia.


Querendo acudir a tudo e a todos, imiscuindo-se em matérias que deveriam estar na alçada da regulação entre as partes (a questão do arrendamento é um bom exemplo), aumentando de forma desregrada e inútil os serviços da administração pública, o Estado tornou-se um inimigo, não um adversário note-se, mas um inimigo mesmo, dos cidadãos.


É por isso que o Estado se tornou asfixiante para as pessoas e para as empresas.


Mas verdade seja dita que a culpa deste estado de coisas não é da exclusiva responsabilidade dos políticos.


Muitos dos que, no plano conceptual e dos princípios, reclamam por diminuição de impostos, são os mesmos que, ao mesmo tempo, e independentemente da situação económica e financeira de cada um pedem gratuitidade geral na saúde, na educação, nas auto-estradas, limitação ao ajustamento das rendas habitacionais e comerciais, etc., etc., etc...


E, por outro lado, não param de exigir a manutenção de municípios e freguesias numa quantidade anacrónica e tribunais em cada concelho, para além evidentemente de subsídios, ou porque choveu em demasia, ou porque está uma seca…


Julgando, ou querendo fazer admitir, que tudo isso é possível com uma diminuição da carga fiscal que assegure que individualmente pagam menos impostos!


E com isto se constrói um ciclo perverso e pernicioso que não se consegue romper, mas que é fundamental quebrar, se queremos uma sociedade mais livre e uma comunidade mais responsável.

A única forma que temos de parar o estado asfixiante em que nos encontramos é começar de novo, confinando o Estado às suas funções essenciais.

Para que, designadamente haja Forças Armadas sustentáveis, naturalmente baseadas no Serviço Militar Obrigatório, segurança pública e justiça que não sejam uma contradição nos termos, pobreza erradicada, enfim para que sejamos um país prestigiado e digno não só internamente, como no plano do relacionamento com as outras nações.

Miguel Félix António
Jurista/Gestor

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

COMISSÃO NACIONAL DE ELEIÇÕES - Mais um belo tacho!

Sistematicamente acontece a situação reportada abaixo. Mas nada é feito. Claramente a maioria dos supostos responsáveis pela CNE está lá só para receber bons ordenados e as benesses inerentes ao cargo, sem se ralar minimamente com o que faz. Aliás, não é só neste caso que tal se passa - a maioria das reclamações nunca chegam a ter análise e resposta ou tal ocorre anos depois!

Como não têm coragem para assumir a incompetência e demitirem-se, é mais um organismo que não faz nada de relevante e poderia ser extinto, poupando milhares aos contribuintes.

Menos 60 mil votantes nos mapas oficiais do que nos dados anunciados a 23 de Janeiro

Com a devida vénia ao Público
 
O mapa oficial dos resultados das eleições presidenciais de 23 de Janeiro, publicado hoje em Diário da República , refere um total de 4.431.849 votantes, menos 60.448 do que o inicialmente anunciado, 4.492.297.


O documento foi aprovado pela Comissão Nacional de Eleições, com dois votos a favor, dois votos contra e duas abstenções, tendo o presidente, Fernando Costa Soares, exercido o voto de qualidade, sendo apontadas nas declarações de voto da reunião "incorrecções" e "erros" no apuramento geral da eleição.

Nos mapas oficiais das eleições presidenciais de 2001 e 2006 não consta qualquer referência à votação, verificou a agência Lusa através do Diário da República .

Também o número de votantes eleitores inscritos é diferente, 9.543.550 contra os 9.656.797 anunciados no portal www.presidenciais.mj.pt na noite eleitoral, o que faz com que os seis candidatos registem todos um menor número de votos.

Assim, Cavaco Silva, reeleito para um segundo mandato como Presidente da República, perde 22.376 votos em relação aos resultados divulgados na noite eleitoral, Manuel Alegre 14.657, Fernando Nobre 10.486, Francisco Lopes 7.778, José Manuel Coelho 1.255 e Defensor Moura 337.

Também nas eleições presidenciais de 2006 e 2001 existiram discrepâncias entre os resultados anunciados no próprio dia e o mapa oficial publicado em Diário da República .

Por exemplo, na reeleição de Jorge Sampaio para um segundo mandato, a 14 de Janeiro de 2001, estavam inscritos 8.746.746 eleitores, mas segundo o mapa oficial dos resultados eram afinal menos 204 mil.

Os dados que constam do mapa oficial de resultados hoje publicados em Diário da República são os da acta da Assembleia de Apuramento Geral da Eleição do Presidente da República, do Tribunal Constitucional.

Neste documento é também apontado outro tipo de "discrepância", entre "o número indicado como sendo o de votantes e o resultante da soma dos votos dos diferentes candidatos, brancos e nulos, verificada na análise das actas das assembleias de apuramento distrital”.

"Contactados os presidentes das respectivas assembleias de apuramento distrital, a Assembleia decidiu aceitar as rectificações por eles feitas", lê-se na acta do Tribunal Constitucional.

domingo, 7 de novembro de 2010

UMA LENTA AGONIA no DELITO DE OPINIÃO

A simpático convite do Pedro Correia, escrevi como convidado o seguinte artigo na passada quinta no Delito de Opinião:

Uma lenta agonia

É esta a situação vivida por larguíssimos milhares de portugueses que vão “vivendo” a vida dia-a-dia sem quaisquer perspectivas de futuro.

Os empresários sem saberem se no dia seguinte vão conseguir honrar os seus compromissos nas empresas que detêm, os trabalhadores sem saberem se ainda vão ter emprego, se vão ter dinheiro suficiente para pagar a prestação ou a renda da casa, restringindo cada vez mais as suas despesas; muitos sem saberem sequer se vão conseguir ter dinheiro para dar de comer à família.

E milhares e milhares que já chegaram a um ponto de desespero e desânimo total. Mais de 600.000 desempregados, grande parte de cada vez mais longa duração e sem subsídio de desemprego, mais algumas centenas de milhares reformados a receber duas ou três centenas de euros por mês que têm de dar para comer e para os remédios... (um parêntese apenas para frisar que triste país este que trata os seus anciães da forma que vemos).

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Funções do Estado (2)

Relativamente à Defesa, uma das funções insusceptíveis de ser alienadas pelo Estado, talvez valha a pena relembrar que as Forças Armadas não existem pelo facto de existirem militares; elas são imanentes ao estado organizado de uma Nação.

As Forças Armadas não podem ser encaradas como um encargo a eliminar, mas antes como uma instituição vital, imprescindível à sobrevivência de Portugal enquanto Nação. Provavelmente com um formato mais condizente com os novos tempos, certamente com características que causem nos cidadãos sentimentos de apreço, respeito e admiração pelo trabalho desenvolvido.

Os portugueses têm que olhar para um militar e ver nele a projecção do seu país, de que muito se orgulham, tanto mais que os tempos globalizantes nos parecem remeter para espaços em que tudo é dissolúvel.

Era fundamentalmente no contingente obrigatório que assentava a estrutura de base das Forças Armadas, como elemento potenciador de identificação com as missões da Nação, com os valores nacionais e porque não assumi-lo, sem preconceitos e sem quaisquer tibiezas, com um primeiro contacto, que foi proporcionado a determinadas camadas da juventude portuguesa, com a disciplina, a ordem, hábitos de trabalho, educação e higiene física, entre muitos outros aspectos que faziam parte do corpo da instrução dispensada aos mancebos.

Não querendo invocar argumentos de carácter económico-financeiro, que também os há, acredito convictamente na utilidade para a comunidade nacional de que o pilar estruturante das Forças Armadas estivesse assente na prestação consciente do serviço militar obrigatório, que não devia ser olhado como um escolho na vida dos jovens, mas antes como dever e direito de cidadania e também como uma componente indispensável da sua formação global.

Com a extinção do serviço militar obrigatório, as Forças Armadas deverão alicerçar a sua estrutura numa base de voluntariado, no caminho da profissionalização.
Pelo que, o que era o cerne do envolvimento da juventude na vertente da Defesa Nacional do país terminou. Não se deveria, contudo, neste novo contexto, esgotar a participação dos jovens nessa mesma actividade.

É por isso que defendo a existência de um Serviço Nacional de Defesa, em substituição do Serviço Militar Obrigatório, não só como alternativa parcial à constituição de Forças Armadas assentes exclusivamente numa base profissional, mas fundamentalmente como forma de responsabilização dos portugueses pela defesa do seu país.

Este sistema permitiria, por um lado, manter a ligação da população à defesa nacional, sensibilizando os cidadãos para a importância deste domínio e ao mesmo tempo poupar os elevados custos em que assenta um sistema de Forças Armadas exclusivamente profissionais.

O Serviço Nacional de Defesa poderia não ser obrigatório, mas o seu cumprimento deveria ser, por exemplo, condição necessária ao ingresso no ensino superior público e ao acesso a funcionário do Estado, incluindo aqui todos os corpos especiais, i.e. magistratura, diplomacia e naturalmente Forças Armadas.

O Serviço Nacional de Defesa, que deveria ter a duração aproximada de 1 ano, não se resumiria a ser cumprido nas Forças Armadas, ainda que prioritariamente devesse para aí ser canalizado, mas sim em todas as componentes em que se subdivide a defesa do país, como por exemplo na área da defesa da língua, da cultura e do património. Ou no sector da protecção civil, limpeza de matas e corpos de bombeiros, evitando também assim a tentação demagógica de, Verão após Verão, cometer às Forças Armadas a missão de combater os incêndios…

terça-feira, 6 de abril de 2010

Funções do Estado (1)

O tema fundamental que Pedro Passos Coelho tem que obrigar o PSD a entrar a fundo - se quiser, como pelo menos se denota ser a sua vontade e determinação, liderar uma alternativa política (e não uma mera rotatividade de pessoal político) não socialista em Portugal e galvanizar para essa batalha os portugueses - é o do papel que o Estado deve ter na sociedade. É este o grande debate que é preciso fazer, com convicções, com clareza e sem tergiversações. E com pedagogia, elemento indissociável da boa forma de fazer política.

Bem sei, que os partidos e os seus principais dirigentes, fogem de entrar nessa discussão. Ela é incómoda, não será popular e pode à primeira vista comprometer vitórias eleitorais em eleições nacionais. E, porventura, pior, exige estudo, análises comparativas, reflexão...tudo elementos pouco compagináveis com a agenda dos meios de comunicação social...

Mas é imprescindível, para quem acredita, como penso ser o caso de Passos Coelho, que a política é bem mais do que proferir frases desgarradas para fazer títulos e manchetes. E muito, muito mais do que distribuir cargos, com os quais nada se faz, a não ser mencioná-los nos cartões de visita. Porque quem quer liderar tem que ousar e tem também que ser pro-activo.

Primeiro, que política de Defesa e, em consequência, que modelo de Forças Armadas; assente no Exército, ou, com maior pendor, atendendo à geometria do nosso território, nas componentes marítima e aérea?

Em qualquer caso, com que instrumentos, com que meios, em função da escassez de recursos e das prioridades que se entendem como as mais adequadas? E aí podemos então chegar, por exemplo, à discussão dos submarinos.

Antes de percorrer o caminho, debater submarinos, a propósito de eventuais situações que são susceptíveis de configurar o crime de corrupção, é extemporâneo e permite as maiores tiradas demagógicas sobre o assunto.

quinta-feira, 11 de março de 2010

11 de Março

Passam hoje 35 anos sobre uma das datas mais trágicas da história de Portugal.

Uma data que marcou a época em que ocorreu e que continua a contribuir fortemente para o descalabro do país.

Com efeito, há 35 anos, com as nacionalizações do PREC o Estado começou em Portugal a crescer e desde então não mais parou. É certo que com algumas privatizações entretanto ocorridas o Estado já não é dono de nenhuma florista (como ocorreu em 1975) e desfez-se de algumas empresas de áreas onde nunca deveria sequer ter entrado. Mas o seu peso não tem deixado de aumentar.

A esse aumento de peso do Estado na sociedade portuguesa não correspondeu de forma alguma um aumento do bem-estar da população portuguesa, à excepção da classe política e de mais algumas clientelas que têm sido beneficiadas por esta ao longo dos anos.

A coberto de (pretensas) boas intenções, o Estado imiscui-se em cada vez mais áreas, esbanjando dinheiro que mais cedo ou mais tarde vai ter de ser coberto por alguém. E como se está já a ver, com o chamado PEC, esse alguém vai ser a classe média, que tão sacrificada tem sido.

Até quando?