sexta-feira, 12 de março de 2010

Ruptura ou Estrutura? por JOSÉ LUÍS MATEUS, Gestor e Fundador do MOVIMENTO DOURO LITORAL

No Portugal de hoje, a Sociedade não o é.

A sua etimologia vem do latim "societas" que designava uma associação amistosa com outros, com os "socius". A génese conceptual da Sociedade - a partilha, perdeu-se e tem vindo a ser vilipendiada por parte dos Estados que deveriam ter como indiscutível prioridade a partilha do bem-estar cívico.

Este Estado português é o paradigma da estrutura caduca, alicerçada num grande número de governantes, com qualificações muito pouco credíveis para o exercício dos cargos que ocupam.

Mais grave, é que no futuro, estes nunca poderão ser chamados a prestar contas num tribunal respondendo pelos dados causados à Pátria, pela simples razão de que qualquer juíz (isento) os consideraria inimputáveis, o que facilmente seria corroborado por relatório clínico, se tal fosse solicitado.

Esta Estrutura já não muda "por dentro". Está solidamente enraizada e há demasiados portugueses que dependem dela.

A oportunidade de se realizar a Ruptura está bem perto; muitos dos que se alimentam directa ou indirectamente do Orçamento de Estado sem que contribuam minimamente para o bem-comum, estão em vias de perder o seu "lugar à mesa" por falta de condições financeiras para os manter.

Quando tal acontecer, o povo português terá uma oportunidade (em referendos e / ou eleições) de fazer a diferença e mudar esta Sociedade que já não o é.

quinta-feira, 11 de março de 2010

11 de Março

São extraordinárias estas declarações de Vasco Lourenço http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=165378

Faz hoje 35 anos, estudava eu no 3.º ano (actual 7.º ano) do Colégio Militar, que se deu o "11 de Março". Nesse dia e nos dias seguintes que conduziram o país ao "Verão Quente" desse ano, Portugal mergulhou mais fundo numa onda avassaladora de extremismo esquerdista, com nacionalizações e ocupações indiscriminadas (não digo selvagens, porque isso é um pleonasmo...), saneamentos e prisão de cidadãos cujo único "crime" era serem contra o desvario reinante, a indisciplina que grassava e a desordem instalada.

As consequências dessa loucura revolucionária ainda hoje se fazem sentir, designadamente pelos espartilhos introduzidos na Constituição, que perduram, designadamente em matéria de política económica. Portugal foi então lançado numa deriva radical que só foi "moderada" em 25 de Novembro.

É pois, muito engraçado, ver Vasco Lourenço apontar as culpas a Spínola, militar patriota e generoso, destemido e impoluto, cujo único erro foi, porventura, ter-se demitido a 28 de Setembro do ano anterior e não ter conseguido a partir das funções de Presidente da República, que ocupava, estancar o que já então estava em marcha, com o beneplácito de muitos que hoje já esqueceram as arbitrariedades que consentiram.

Só uma curiosidade: 1975 ficou para os anais da história do Colégio como "o ano da balda"..., porque seria?

11 de Março

Passam hoje 35 anos sobre uma das datas mais trágicas da história de Portugal.

Uma data que marcou a época em que ocorreu e que continua a contribuir fortemente para o descalabro do país.

Com efeito, há 35 anos, com as nacionalizações do PREC o Estado começou em Portugal a crescer e desde então não mais parou. É certo que com algumas privatizações entretanto ocorridas o Estado já não é dono de nenhuma florista (como ocorreu em 1975) e desfez-se de algumas empresas de áreas onde nunca deveria sequer ter entrado. Mas o seu peso não tem deixado de aumentar.

A esse aumento de peso do Estado na sociedade portuguesa não correspondeu de forma alguma um aumento do bem-estar da população portuguesa, à excepção da classe política e de mais algumas clientelas que têm sido beneficiadas por esta ao longo dos anos.

A coberto de (pretensas) boas intenções, o Estado imiscui-se em cada vez mais áreas, esbanjando dinheiro que mais cedo ou mais tarde vai ter de ser coberto por alguém. E como se está já a ver, com o chamado PEC, esse alguém vai ser a classe média, que tão sacrificada tem sido.

Até quando?

PEC

Do que conhecemos do PEC, trata-se de um instrumento de política económica claramente de natureza socialista: agravamento dos impostos a pagar (não é um aumento de impostos, não...é lá agora), por via da diminuição das deduções com despesas de saúde e de educação (neste caso verdadeiramente a denominação mais correcta seria investimento e não despesa...mas a própria designação encerra em si mesma toda uma visão!) e da criação de um novo escalão de IRS em que os cidadãos que nele se inserirem entregarão ao Estado mais de metade da sua remuneração, ainda que fruto do seu trabalho por conta de outrem ou em regime de profissão liberal. Uma achega ao crescimento e um forte incentivo ao trabalho e ao esforço, é bom de ver.
Perante este quadro, é claro que se o PSD e o CDS, que se reclamam do espaço não socialista, invocarem o superior interesse nacional, o seu sentido de responsabilidade, etc., etc., etc., o PEC passará (neste dia 11 de Março de há precisamente 35 anos, gritava-se a reacção não passará...e sabe-se o que se veio a passar...).
Por outro lado, cabe lembrar que se em 1985 Cavaco Silva tivesse afinado por esse diapasão do politicamente correcto e não tivesse sobreposto as suas convicções, os seus valores e a sua intuição política (ainda que diga que não é um político...) "ao sentido da responsabilidade", rompendo com o apoio do PSD a um Governo de Bloco Central, provavelmente jamais teria sido Primeiro Ministro...
O PEC alternativo que gostaria de ver o PSD e o CDS a defender, subjacente a um projecto político portador de mudança (mas mudança efectiva e não a que tem por objectivo com que tudo fique na mesma...) assentaria, por exemplo, em acabar com os princípios da gratuitidade dos serviços públicos na saúde e na educação. Em redefinir as funções do Estado, rompendo com o socialismo colectivista consignado na Constituição que asfixia cidadãos e empresas. Em promover uma consistente e radical diminuição de impostos que dinamize o crescimento económico. Em racionalizar as autarquias locais, infligindo-lhe uma profunda alteração no número de câmaras, freguesias e autarcas. Enfim, em atacar a receita do Estado, diminuindo-a, para que obrigatoriamente a despesa se reduza. É por isso que não estou de acordo que o problema esteja na despesa. O problema está sim na receita e, enquanto esta não diminuir, é claro que a despesa não baixa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Já dizia o EÇA...

ISTO É PIOR DO QUE COMUNISMO

A classe média vai uma vez mais ser penalizada. Ano após ano, a vontade de a destruir é total. Quem trabalha e tenta progredir está simplesmente tramado... e se, por ironia do acaso, possuir algum bem (um andar, uma loja...) então a sua desgraça é total. Como diz um amigo meu "isto é pior do que comunismo" e eu começo a dar - lhe razão. E já não sei se a revolta falada é suficiente.

terça-feira, 9 de março de 2010

O PEC mentiroso - artigo de JOÃO PEDRO SIMÕES DIAS, especialista em Direito Comunitário e analista político no Rádio Clube Português

Durante muitas semanas o país andou suspenso do anúncio do Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo tem de apresentar à Comissão Europeia para corrigir as derrapagens e derivas promovidas pelo próprio Governo ao longo do último ano – que, fruto das políticas públicas seguidas por causa e com o pretexto da crise económica internacional, conduziram o país a uma violação grosseira das regras da convergência a que estão vinculados os países que têm o euro como moeda comum, nomeadamente a dívida pública (onde os quase 85% nacionais se distanciam dos 60% permitidos na zona euro) e o défice orçamental (admitido num valor até 3% quando, entre nós, tal valor se cifrou em 9,3%).

Finalmente, ao fim de muitas semanas de adiamento, o Governo anunciou as principais medidas estruturantes do dito Programa de Estabilidade e Crescimento. Pretendendo salvar muito do mal feito, do pouco que se conhece do documento, as medidas anunciadas em quase nada se distinguem daquilo que os especialistas vinham antecipando: os salários da administração pública irão diminuir em termos reais; regressará a regra de uma admissão na função pública por cada dois funcionários que se reformem; os impostos irão subir não por efeito do aumento das taxas mas por via da drástica redução dos benefícios fiscais; as SCUTS irão ser portajadas; as mega-obras públicas irão ser adiadas por 2 anos (eufemismo para anunciar a sua suspensão) com excepção da linha do TGV Lisboa-Madrid que, pelo facto de já estar parcialmente adjudicada, se fosse suspensa iria custar mais dinheiro em indemnizações do que custará a continuidade da sua construção; as mais-valias bolsistas irão ser tributadas em 20%; em sede de IRS cria-se um novo escalão de 45% para quem ganhar mais de 150.000€/ano. Concatenando as medidas apresentadas e os seus destinatários, percebe-se com mediana clareza que, uma vez mais, irá ser a classe média a ter de apertar drasticamente o cinto, cabendo-lhe, mais uma vez, pagar a crise.

Poucas dúvidas haverá que estaremos perante um dos mais drásticos e dramáticos agravamentos das condições de vida que, em democracia, os portugueses irão sofrer. Agravamento talvez com paralelo apenas naquele que nos anos 80 foi imposto ao país pelo FMI. Significa isto que, cumprindo o trajecto dos últimos anos, seguramente continuaremos a empobrecer e a divergir da UE. Cada vez mais pobres e cada vez mais distantes do nível médio de vida da UE. E convirá aqui recordar que, quaisquer que sejam os critérios a que recorramos, no plano da UE já hoje fomos ultrapassados por muitos dos Estados que, há apenas e tão-só 20 anos, constituíam a parte pobre da Europa, a Europa saída do comunismo, cuja pobreza era tal e tanta que muitos sustentavam que nem sequer reuniam condições para, sequer, encararem a possibilidade de aderir à União. Pois bem, muitos desses Estados fizeram o seu caminho, aplicaram políticas públicas correctas e hoje já nos ultrapassaram. Somos, cada vez mais, dos mais pobres da União.

Mas o problema que motiva esta reflexão reside noutro aspecto que, infelizmente, não tenho visto discutido na comunicação social nem ser objecto de questão apropriada a quem de direito – e que é o seguinte:
Com todas as medidas anunciadas, com todo o apertar de cinto referido, que resultados se propõe o Governo alcançar? O Primeiro-Ministro respondeu, quando anunciou ao país as linhas gerais deste PEC: pretende reduzir o défice orçamental, num ano, em um ponto percentual. Ou seja, pretende que no final de 2010 o país tenha um défice de 8,3%. Ora, se todas estas medidas draconianas apenas terão como consequência baixar o défice orçamental em um ponto percentual, que outras medidas terão de ser tomadas, até 2013, para baixar esse mesmo défice em mais 5,3%? Esperará o Governo alcançar tal desiderato apenas como consequência do crescimento económico do país e da correspectiva subida da receita fiscal daí adveniente? Os peritos que têm estudado a sério a economia portuguesa dizem-nos que para isso ser verdade o País teria de crescer, nos próximos anos, a taxas anuais superiores a 4%. Se levarmos em consideração que, nos últimos 4 anos, não conseguimos crescer, no total, sequer 3%, vê-se o quão ilusório e mirífico ainda é o cenário que nos é apresentado. Isto, pese embora o seu dramatismo e as suas cores sombrias.

Estamos, pois, perante um PEC que nos promete fazer sair da crise mas certamente se irá revelar insuficiente para tal. E porquê? Fundamentalmente porque o Governo optou por, uma vez mais, adiar as verdadeiras medidas que aliviem a despesa do Estado, centrando as suas atenções no aumento da receita, isto é, na forma como há-de penalizar, tributar e, em alguns casos, esbulhar os cidadãos.

Estamos, assim, ante um PEC mentiroso. Um PEC digno dum Governo cujo Primeiro-Ministro já se deve estar a preparar para enfrentar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República que irá averiguar se esse mesmo Primeiro-Ministro mentiu, ou não, ao Parlamento. Em suma, estão bem um para o outro – este PEC para este Primeiro-Ministro.

O PEC

Atarefados em saber como saímos da situação em que estamos, poucos se preocupam em perceber como aqui chegámos. Nem uma palavra, uma que fosse, para assumir os erros, as estrátégias erradas, as opções falhadas, os caminhos mal escolhidos. E não faria mal a ninguém se a tivessem dito. Não faria mal se tivessemos a humildade de reconhecer como procedemos erradamente, quando após a adesão à CEE vendemos a agricultura, as pescas, a valorização do que já sabiamos fazer; não faria mal se tivessemos a humildade de perceber que a aposta desenfreada no sector da construção e das obras públicas, nos atrasou irremediavelmente em muitos outros sectores; não faria mal se tivessemos a coragem de assumir que regredimos, em vez de avançar, na educação; não faria mal se tivessemos a frontalidade de perceber que durante muitos anos subimos, mas nunca crescemos.

E enquanto não formos capazes de fazer este simples exercício dificilmente conquistaremos o futuro.

domingo, 7 de março de 2010

NEM SO DE PAO VIVE O HOMEM… - Artigo do PADRE CONGO, de CABINDA


Este é um apotegma bíblico. Aparece num contexto em que Jesus, depois de um prolongado jejum, se vê confrontado com três provocações: orgia, poder e sobranceria. Ora, estas três provocações que, em linguagem popular, chamaríamos de tentações, poderiam ter uma série de leituras, se tivermos como base hermenêutica o elemento sociopolítico. A estes três engulhos ajuntaríamos: despesismo, autoritarismo e elitismo.
Esta máxima é incompleta se não se lhe acrescentar (…) mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Podemos, evidentemente, eliminar toda a referência religiosa, ficando apenas : mas de toda a Palavra.
Palavra, dabar (hebraico), princípio e força de criar; Palavra, lógos, (grego) a base de qualquer discurso válido (estruturação e conteúdo). Ora, todo o termo com lógos opõe-se aos derivados do ismo. Enquanto em lógos confrontamo-nos com o pensamento positivo e com a preocupação de encontrar os fundamentos de toda e qualquer afirmação, nos ismos, porém, temos os mais variados desvarios que grassam pela terra dos homens (racismo, fascismo, totalitarismo, terrorismos etc).
O mundo e, sobretudo, este homem, numa sociedade concreta, longe das abstracções e dos nominalismos estéreis, teve sempre à sua frente a tentação de fugir à coerência do lógos, que exige a dialéctica, para pautar o seu modus pensandi e actuandi em derivados do ismo. É mais fácil. É mais cómodo. Não é preciso cogitar. Não é necessário formular e reformular estratégias de diálogo com o OUTRO, com quem deve ter uma relação (Emmanuel Mounier e Gabriel Marcel). Aqui surge a preocupação não só em decapitar o nosso aforismo, como em desvirtuá-lo: não só do pão vive o homem… (para) só do pão vive o homem. É esta lógica sem lógica que capitaneia o mundo actual e perpassa em tudo onde o homem põe a sua mão. O interesse, por isso, torna-se o elemento fundante de qualquer actividade humano.
As consequências são funestas. Tudo é relativizado: o Homem e as experiências comprovadas de praxis política e organização social que dignificaram o Homem. Assim, a democracia só tem valor se a economia vai de vento em popa; que ela não deve ser importada; não enche estômagos, que cada povo pode ter a sua e as eleições, mesmo à força do baton e da tricheria, são sempre, para os observadores do mundo branco, livres e justas.
Ao retirar-se a ética da política, elimina-se a sua dimensão antropológica para, simplesmente, se tornar em arte da diplomacite, das negociatas e dos barões. Isto explica a falta de diferença entre as políticas dos governos ocidentais seja qual for a ideologia que professem e quão obsoleto é a linguagem direita-esquerda. É, neste ambiente, onde só de pão vive o homem, que as ditaduras, que movem um fiore di soldi, são camisola-amarela e têm pódio nas capitais do homem-livre. Podem justificar, despudoradamente, por que prendem arbitrariamente, violem, matem, esfolem, fazem leis para blindarem a sua prole, amigalhaços, a si próprios e açambarcam o que é de todos, porque, doutro lado, estão funcionários da política com medo de perder mercados e insensíveis ao pranto dos oprimidos. Neste cenário tétrico, onde ditadores altivos têm o abraço afectuoso de eleitos subservientes e cabisbaixos, urge reintroduzir Deus, às vezes, silencioso demais, para humanizar estes deuses que se divertem em destruir o Homem.
Padre CONGO, Cabinda, 7 de Março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

Bloco no sistema

Soubemos hoje que o Bloco já tem a sua Sede nacional, convenientemente instalada num palacete sistemicamente adquirido com recurso a um dos instrumentos do capitalismo (no caso, do capitalismo de Estado).

A metodologia do tabefe

O Jornal de Azeitão deu a conhecer e o Expresso fez eco da história de um professor da Escola Secundária local que, com autorização dos pais, aplica a "metodologia do tabefe" aos alunos mais irrequietos.
Parece que nunca chegou a dar nenhum - bastou os "meninos" saberem da possibilidade de levarem um tabefe, aplicado no momento certo e por razões que os próprios bem saberão, para andarem na ordem.
É exactamente disto que se trata: de ordem na escola.
Para que esta cumpra a sua missão: ensinar, em vez de ser local de recreio e de convivio.
Para que seja o local onde se formam as gerações futuras com o rigor e a disciplina necessária
para que todas as classes, e não apenas os filhos das classes mais favorecidas, possam ambicionar a sua promoção social.
Ah, falta dizer que os guardiões locais do eduquês logo reagiram com uma queixa na DREL contra o Professor, que foi instado a explicar-se.
Claro que este Professor não vai conseguir ser avaliado positivamente pelo sistema mas como acredito que seja um professor "à antiga", que ensina por vocação e consciente do seu papel, será reconhecido por todos os que passarem pela sua sala de aula.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Governar

É com alguma perplexidade que observo que a consequência que os principais dirigentes de todos os partidos da oposição retiram da chuva de fortes e severas críticas com que fustigam o Governo e o Primeiro Ministro, designadamente de que a orientação imprimida à governação está a levar o país para o passo à frente do precípicio, é a de que o Governo deve continuar a governar...

Custa-me aceitar que, sendo estas críticas genuínas e assentes em pressupostos sérios, se peça ao Governo que conduza Portugal ao abismo.

No meio de tudo o que tenho visto, ouvido e lido, aparentemente apenas uma voz, de entre as que têm ou terão brevemente responsabilidades partidárias de primeiro nível, rema, ainda que timidamente, contra esta corrente.

Espero que se Pedro Passos Coelho conseguir ganhar a liderança do PSD, não se venha a refugiar na moderação, no interesse nacional e em outros aspectos que configuram a denominada "langue du bois" para pedir a manutenção deste Governo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

FRANCISCO PINTO BALSEMÃO

Pode não ter tido o impacto jornalístico das declarações de Manuela Moura Guedes, mas o que disse na Comissão de Ética, da Assembleia da República foi simplesmente demolidor.

Habituado a não falar gratuitamente e possuidor de um conhecimento ímpar das relações entre a política e a comunicação social, Pinto Balsemão falou com a autoridade de quem foi primeiro-ministro sem nunca ter limitado, ou condicionado, os jornais de que era proprietário.

É a diferença entre quem já era antes de estar na política e quem nada é apesar de nela ter entrado.

Manuel Monteiro

Manuela Moura Guedes

Eu sou insuspeito para falar de Manuela Moura Guedes. Quem conhece a história do PP sabe a razão.Não tenho com ela qualquer relação de amizade e a última vez que falamos foi em 1997.Ouvi ontem o que disse na A.R. e uma coisa tenho de assumir: Moura Guedes afirmou em público aquilo que muitos dizem em privado e demonstrou uma coragem, que não é comum em tempos de covardia colectiva.Como é óbvio, parto do princípio que as suas afirmações podem ser provadas e que foi nesse exacto sentido que as proferiu. A gravidade do que disse não pode deixar nenhum português indiferente e mau seria se tudo ficasse na mesma.

Felizmente, no que diz respeito à TVI, ao Freeport e a tantos outros casos que envolvem o actual primeiro - ministro, existe uma Manuela Moura Guedes; infelizmente no que diz respeito a outros políticos, e a casos como o negócio dos submarinos e do casino de lisboa já não existiu a mesma Moura Guedes. É uma pena, mas ainda assim os meus parabéns pela frontalidade.

SAUDADES DE JORGE FERREIRA

Não posso deixar de reproduzir aqui, um texto d' O JUMENTO , até porque o Jorge é inesquecível para todos quantos escrevem neste blogue e nunca será pouco enaltecer a sua verticalidade. Bem haja, Jumento por relembrar o nosso grande amigo!

Na blogosfera fiz grandes amigos e alguns inimigos (ainda esta semana caiu-me um na sopa), um dos que aqui refiro com grande saudade é Jorge Ferreira, ex-líder parlamentar do CDS. Apesar das diferenças políticas e dos poucos contactos construiu-se uma solidariedade que perdurou.

Curiosamente, Jorge Ferreira conseguiu identificar-me com alguma facilidade, quando ia de férias costumava brincar aqui dizendo que ia para a Praia dos Três Pauzinhos, por coincidência Jorge Ferreira passava férias na minha terra desde a sua infância e conhecia melhor do que muitos dos meus conterrâneos o porquê desse nome de uma zona da praia de Monte Gordo, era a designação de um velho posto da Guarda Fiscal que se situava no pinhal junto ao mar.

Pela boca de esse grande homem ninguém soube quem era o autor d'O Jumento.

terça-feira, 2 de março de 2010

A propósito do regresso da PIDE, a frase do dia:

Fico agora à espera que Paulo Pinto Mascarenhas use o ‘i’ para denunciar os seus colegas do blogue “31 da Armada” que assaltaram a Câmara Municipal de Lisboa e roubaram a bandeira nacional

BLASFÉMIAS e O INSURGENTE

Parabéns aos autores de dois dos melhores blogues portugueses, Blasfémias e O Insurgente, que fizeram respectivamente seis e cinco anos.

A Constituição do Pântano

Enquanto a Constituição for o que é, em Portugal não hão-de nunca mudar as moscas nem o pasto das moscas. Com o objectivo de perpetuar o marxismo, inventou-se uma Constituição que perpetua um Estado crepuscular e claustrofóbico, que nos controla e nos carrega de impostos, para maior regozijo e proveito de inúmeras faces ocultas, tão ocultas como oculto está o sol ao meio dia.

Enquanto a Constituição for o que é, a riqueza de todos será desviada para apenas alguns: a dos que controlam as alavancas do Estado e a dos que controlam quem controla as alavancas do Estado: Não pode ser por acaso que uma Constituição tão obviamente estúpida é aceite por normal e tão pouco discutida. Esta Constituição transformou o país num pântano que apodrece entre a Espanha e o mar, paraíso de crocodilos, de sanguessugas e de uma miríade de outros animais especialistas da sobrevivência na ecologia dos pântanos.

Enquanto a Constituição for o que é, não vale a pena ganhar eleições, porque a única coisa permitida é, mais uma vez usando a estafada mas sempre actual sentença do Príncipe de Salinas, mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. A única questão que valeria a pena tentar resolver em Portugal é a de como mudar a Constituição. Mas é exactamente aquela questão a que toda a classe política, jornalística e empresarial foge.

Enquanto a Constituição for o que é, Portugal há-de continuar a ser o que hoje é: Nada

segunda-feira, 1 de março de 2010

COMISSÃO DE INQUÉRITO

Até hoje nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito atingiu os objectivos para que foi criada. Nem anunciada. Nenhuma, nem aquela que se debruçou sobre o BPN. A habilidade está sempre em fazer barulho e deitar muitos foguetes, enquanto as verdadeiras questões nunca são colocadas aos inquiridos. Conhecem alguém que tenha sido levado a julgamento, na sequência de uma Comissão de Inquérito? Eu não conheço e a razão é simples. O sistema político está demasiado comprometido e a liberdade real dos partidos que nomeiam os inquisidores é nula. Há muitos podres e muita corrupção, para que verdadeiramente algo de concreto e palpável possa resultar deste tipo de Comissões. Vai suceder o mesmo com a anunciada Comissão sobre a Liberdade de expressão e o envolvimento do actual primeiro – ministro na tentativa de controlo dos jornais, das rádios e das tvs. Será uma perda de tempo, mais uma, num país tão propositadamente distraído.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A RESPONSABILIDADE DOS MILITANTES DO PSD - artigo de ANTÓNIO TAVARES, presidente do CLUBE VIA NORTE

António Tavares, Presidente do Clube Via Norte, Ex - deputado do PSD e Ex - Secretário - Geral da JSD

“Não é que sejam incapazes de ver a solução. São incapazes é de ver o problema.”
G.K. Chesterton


Num momento de crise económica, social e política o PSD entrou num processo interno de escolha de um militante para líder.

Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco apresentam-se como candidatos num ambiente onde as palavras mudar, ruptura e unir ganham um particular significado semântico.

O que se espera do futuro líder do PSD é que queira e esteja preparado para enfrentar os problemas do país com determinação, coragem e, acima de tudo, compreenda o mundo onde estamos inseridos.

Estando Portugal numa situação de crise contínua e tendo essa crise a dimensão generalizada que tem, de que depende a construção de um novo ciclo politico para que Portugal readquira uma trajectória de convergência de desenvolvimento com os restantes Estados da União Europeia?

Depende, em muito, do resultado da escolha de um novo líder para o PSD. A responsabilidade dos militantes do PSD implica saber escolher um líder que, mais do que um dirigente partidário, seja um homem de Estado. Alguém que tenha um projecto para a sociedade portuguesa que acrescente valor à responsabilidade individual de cada cidadão.

Um projecto portador de coesão económica e social que permita estabilidade política e cuja credibilidade pessoal seja directamente proporcional ao grau com que os cidadãos acreditam nas suas políticas.

Ao apelar aos sacrifícios dos portugueses deve conseguir uma mobilização colectiva para a ideia de que a sua política económica é a correcta e a necessária para o bem-estar da sociedade com resultados concretos no futuro.

Nesta circunstância é preciso que perceba o quadro internacional em que a economia portuguesa se insere. O nosso desenvolvimento ficará seriamente comprometido se não assumirmos que temos de trabalhar mais, ter maior preparação académica e uma maior qualificação intelectual e técnica dos nossos portugueses.

O novo líder do PSD terá de assentar em três pilares fundamentais a sua agenda política para a consolidação do novo ciclo político:

- Reforma do Estado e modernização económica;
- Solidariedade e justiça social;
- Promoção da livre iniciativa dos cidadãos.

Portugal precisa de uma liderança mobilizadora, capaz de operar as mudanças inadiáveis, o que requer uma prática que não se subordine aquilo que é considerado como politicamente correcto.

Francisco Sá Carneiro teve visão e atitude quando aglutinou várias sensibilidades em torno de um novo projecto para Portugal, a AD. Deu o exemplo, enquanto foi Primeiro-Ministro, ao não exercer o lugar de Presidente do PSD separando o Estado do aparelho partidário atitude decisiva para a construção da nossa democracia.

Os militantes do PSD não estão só a escolher um Presidente. Estão, também, a escolher o futuro Primeiro-Ministro de Portugal. É uma grande e acrescida responsabilidade para eles. Devem compreender que não é só preciso vencer no PSD é preciso convencer o país.

Devemos saudar com satisfação o surgimento destas candidaturas à liderança do PSD cientes de que no nosso código genético está o sentido de Sá Carneiro ao privilegiar a unidade dos militantes mas recusando a unicidade partidária.

Aos militantes do PSD compete com a sua escolha não desiludirem os portugueses. Esta é a nossa responsabilidade colectiva.

CATÁSTROFES NATURAIS: É PRECISO PREVENI-LAS - artigo de MANUEL MONTEIRO no SOL de 27/02/2010

E agora? Enterram – se os mortos e alimentam – se os vivos”.
Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755

Todos sabemos que as catástrofes naturais são imprevisíveis, incontroláveis e irrecusáveis. Ninguém lhes pode virar as costas, não se dominam e é impossível prevê – las com exactidão e rigor. No entanto, culpar a natureza e a sua fúria por tudo o que de grave sucede, significa muitas vezes irresponsabilidade e indiferença perante a acção e a omissão criminosa dos poderes públicos. A construção desregulada, tal como o surgimento de pontes, de túneis, de estradas e de viadutos em locais onde não deveriam estar, ajuda a entender a dimensão de várias tragédias.

Agora foi a Madeira onde a impunidade nesta matéria anda há anos à solta, mas amanhã poderá ser Lisboa ou qualquer outra cidade. Na capital temos bairros inteiros com casas que se amontoam, com ruas sem espaço para a circulação eficiente de um carro de bombeiros, com edifícios sem qualquer protecção contra sismos, com leitos de rios e ribeiros tapados e furados sem critério. O que conta é fazer, é inaugurar, é construir a qualquer preço. Conluiados muitas vezes com quem constrói, os responsáveis pelo poder comportam – se como autênticos predadores do território e semeiam mais tarde o horror, a tristeza, a perda de vidas e de bens. A prevenção e a segurança não constam dos seus códigos e perante a calamidade têm todos o mesmo discurso. Pedem solidariedade, falam de inter – ajuda, e dizem não ser a hora de fazer política. Numa atitude covarde são incapazes de assumir falhas e escondem – se na azáfama do dia seguinte.

Alguns, mesmo que tenham sido autores ou cúmplices dos erros, até as mãos esfregam diante do dinheiro que podem ainda ganhar com a reconstrução. Tal como os criminosos de guerra, estes criminosos em tempo de paz também espalham a destruição e a morte, mas ao contrário dos primeiros gozam de impunidade. Com efeito não é de política que se trata é de respeito pelos cidadãos, de humanismo, de defesa da vida. E estas questões são bem mais relevantes do que qualquer luta pelo poder.

Se um autarca ou um governante, regional ou nacional, despreza a vida de homens e de mulheres, de crianças e de idosos, permitindo e incentivando obras que colocam em perigo a segurança, ele é simplesmente um inimigo da humanidade. Não tem desculpa, porque não há palavras que calem ou sosseguem o desespero. Não pode sequer esconder – se atrás do desconhecimento, evocar a boa fé ou justificar – se com a brutalidade da natureza. Há técnicos reputados que todos os dias avisam para a possibilidade de calamidades naturais e para a necessidade de se prevenirem danos irreparáveis. Todavia, os seus avisos ou são classificados de catastrofistas ou são ignorados. Quem decide não ouve. Em vez de corrigir, de substituir, de investir na recuperação das cidades e de as preparar para os gritos da natureza, os responsáveis festejam a obra mal feita. Se justiça houvesse o Ministério Público conduzi – los – ia ao banco dos réus, como não existe resta que a nossa ira os condene.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Madeira - População denuncia aterro ilegal na zona das Babosas

O presidente da junta sabia do aterro, a Câmara do Funchal não. A população sabe que nem tudo foi culpa do aterro, mas potenciou a destruição

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

São dados novos sobre o destruição da Capela das Babosas no Monte. Segundo dados recolhidos junto da população deste sítio, poucos metros atrás desta Capela, existia um aterro ilegal que vinha sendo promovido por um morador há cerca de um ano.


O vereador do ambiente da Câmara Municipal do Funchal desconhece a existência desse aterro, mas o presidente da Junta de Freguesia do Monte, Duarte Pereira, depois de hesitar, confirmou a existência de um aterro que, no entanto, não soube dizer se era legal.

Para a população, o aterro não será a única na razão de toda esta destruição, mas é visto como a principal causa da dimensão extrema dos estragos causados. Todos, principalmente os atingidos, querem ver responsabilidades apuradas.

Para além do desaparecimento da Capela, o temporal destruiu duas casas que existiam poucos metros abaixo do Largo das Babosas, uma delas com três pisos, mas provocou ainda um rasto de destruição ao longo da estrada Luso-Brasileira, fazendo uma mãe e uma filha perderem a vida dentro do carro que as transportava. O entulho trazido pelo ribeiro das Babosas encerrou ainda na Pena o acesso à Via Expresso e provocou um rasto de destruição ao longo de toda a rua.

Pelo que foi possível apurar, o local onde foi criado o aterro já tinha sido uma lixeira promovida por um homem que também é carreiro, mas cuja identidade o DIÁRIO não conseguiu confirmar. A terra despejada cerca de 50 metros por detrás da Capela das Babosas era para ali transportada na sequência de alguns trabalhos de construção civil desenvolvido por este homem. Para transportar o material para este local, o responsável chegou inclusivamente a construir uma estrada, junto às escadas que davam acesso à Capela e que estreitou significativamente a largura do ribeiro.

Uma das pessoas mais críticas é Lícia Agrela, uma professora que tinha visto a casa que estava a construir ficar concluída dois dias antes. "Eu não sei o que fazer. A minha casa tinha ficado pronta há dois dias e agora não tenho nada. Felizmente nesse dia saí cedo de casa com a minha filha, senão penso que também teria morrido", afirma, visivelmente agastada. Lícia Agrela confirma a existência do aterro. "Nós sabíamos que aquele aterro existia e que aquilo causava perigo, mas ninguém fez nada contra aquilo".

De acordo com um dos carreiros com quem falamos, a proprietária da casa de três pisos que foi totalmente destruída costumava alertar o marido para as consequências da existência daquele aterro. Foram muitos os populares com quem o DIÁRIO falou sobre a existência do aterro, mas a maioria preferiu não se identificar.

Na zona das Lajinhas, por cima do Largo da Fonte, junto a um bloco de apartamentos que ali foi construído, é possível ver-se o que resta daquele aterro. A população desta localidade, que novamente prefere não se identificar, afirma sem rodeios que o aterro foi uma das causas da terrível dimensão do temporal nesta zona do Funchal.

Câmara desconhece aterro

Este matutino contactou o vereador do ambiente da Câmara do Funchal, que assumiu de imediato não ter conhecimento deste aterro. "Que eu saiba não existe nenhum aterro nesse local. Se existe, não foi autorizado pela Câmara nem temos conhecimento disso".

Costa Neves chegou mesmo a sugerir que a notícia não fosse publicada de forma a não provocar revolta junto da população. "Para ser sincero eu desconheço isso totalmente, mas penso que não há veracidade nessa situação", afirmou, apesar de o DIÁRIO ter repetido que a população confirmava este facto.

Já o presidente da Junta de Freguesia, inquirido sobre esta matéria, mostrou alguma reticência a comentar o assunto. Afirmou que tinha conhecimento da existência de um aterro, mas preferia não comentar se este era ilegal ou não. A resposta de Costa Neves fez o resto.

Recolha de alimentos

É uma das freguesias mais afectadas do Funchal, contudo, apesar das tentativas para se apurar o número de pessoas atingidas, desalojados e pessoas a precisar de ajuda, a equipa da segurança social destacada na Junta de Freguesia do Monte não quis avançar com um número. Desde ontem, na Igreja do Monte, num esforço conjunto com a Junta de Freguesia e muitos voluntários, tem sido promovida a recolha de alimentos para a população mais carenciada. A coordenar esta iniciativa está Duarte Pereira. "Estou a orientar essa situação, mas estou como cidadão e não como presidente da Junta. Apelo a toda a população que tenha possibilidade, que entregue no Salão Paroquial da Igreja alimentos de primeira necessidade e produtos de higiene pessoal. Os alimentos serão distribuídos conforme as necessidades da população.

Praticamente todos os sítios da freguesia do Monte foram afectados pelo temporal do sábado passado. Desde as Babosas à Levada da Corujeira são às dezenas as famílias, casas e carros atingidos. Por isso, um pouco por toda a freguesia centenas de pessoas pedem apoio. Rafael Freitas Branco, que ficou sem nenhum bem no interior da sua casa afirma, de forma desalentada, afirma que não sabe o que fazer. Com três filhas e a mulher também muito afectada, este residente da Corujeira de Dentro pede a intervenção e o apoio das entidades responsáveis. Já Ricardo Jorge Câmara, no Beco das Eiras, também na Corujeira, perdeu praticamente todas as suas posses neste temporal, pede a entrega de alimentos e de alguma roupa para cinco pessoas.

Escuteiros do Monte no terreno

Quem não virou a cara à luta foram os Escuteiros do Monte. Ontem de manhã, o DIÁRIO foi encontrá-los no Largo das Babosas, a abrir um pequeno caminho para que a população ali possa circular. A presidente, Marlene Rodrigues, fala em cerca de 25 escuteiros destacados um pouco por toda a freguesia a ajudar. "Infelizmente não conseguimos colocar todos os escuteiros no terreno porque alguns sofreram prejuízos nas suas casas ou a ajudar alguns vizinhos". Os escuteiros também vão participar na recolha de alimentos que decorrerá no Salão Paroquial da Igreja do Monte.

Uma capela com memória para Berardo

Construída em 1906, a Capela das Babosas tinha grande valor afectivo para a família do empresário madeirense Joe Berardo. "A minha mãe costumava contar que foi nessa capela que conheceu o meu pai. Ela dizia que ele lhe tinha lançado um olhar maroto". Um olhar que veio a dar em casamento alguns anos depois. Foi também ali que foi feita a despedida dos pais do empresário e de muitos outros membros da família. O nosso matutino encontrou o comendador, chegado ontem de manhã à Região, a visitar os estragos do temporal no Largo das Babosas. Berardo mostra estranheza pelo desaparecimento da Capela. "É uma capela muito sentimental para nós. Não percebo como aquilo desaparece tudo. Aquela Capela não tinha uma construção fraquinha, aquilo era muito forte", afirma.

A Quinta do Monte, pertença deste empresário madeirense, também foi alvo de prejuízos. "Caiu um muro de 25 metros do Colégio do Monte para cima da minha propriedade. Sei que temos um prejuízo avultado de um mural que contava a história do Japão e de uns soldados de terracota que nós tínhamos naquele local, foram todos partidos", afirma. Perante a catástrofe que atingiu a Madeira e uma vez que também é empresário hoteleiro, Joe Berardo faz questão de pedir ao Governo Regional e à Câmara Municipal do Funchal que se foquem na recuperação da baixa da capital madeirense.

"A baixa do Funchal é muito importante para o nosso turismo. Já há cerca de 3, 4 meses os empresários já estavam a fechar os restaurantes porque tudo vai para os Shoppings Centers. O grande cartaz nosso é o Funchal, a cidade tem de estar limpa", afirma. O empresário espera que o apoio financeiro à revitalização do comércio do Funchal seja feito a fundo perdido de forma a permitir uma melhor recuperação de todo o comércio que, é sua opinião, estava a ficar abandonado. "O centro da nossa cidade não pode morrer. Se aquilo morre é um desastre para o nosso turismo. Temos de manter viva a baixa, mantendo os restaurantes abertos. Eu acho que isto só veio alertar um problema que iria ficar pior daqui a um ano ou dois, com o desaparecimento do comércio da cidade. Já que a desgraça veio, que aproveitemos para relançar o comércio do Funchal".

Marco Freitas

COLÉGIO MILITAR

Decorrem este fim-de-semana em Lisboa, mas igualmente em qualquer parte do mundo onde existam antigos alunos do Colégio Militar, as comemorações do 207.º aniversário da sua fundação.

À época em que o Colégio Militar foi criado os tempos eram conturbados, mas isso não impediu que já nessa altura se revelassem homens de visão, criativos e inovadores, como foi o caso de António Teixeira Rebelo, então Coronel do Exército e futuro Marechal.

Curiosamente em 1803 era Regente do Reino de Portugal o Príncipe D. João (futuro Rei D. João VI), trisavô de Duarte Pio de Bragança, actual pretendente ao trono e que foi aluno do Colégio - o n.º 97 entrado em 1960 e que é hoje um referencial de valores que importa realçar no meio do lamaçal que campeia.

Quando, nos primórdios do século XIX, António Teixeira Rebelo, começou a conceber e depois a materializar a criação de um estabelecimento de ensino, nos moldes em que o pensou, estava seguramente muito longe de pensar que, na sequência dessa ideia, ele se viesse a transformar no que foi e é o Colégio Militar, no que ele representou e representa, nas vicissitudes porque passou e no significado que teve e tem, não só para os que o frequentaram e as respectivas famílias, mas também, podemos dizê-lo, para o país no seu conjunto.

Estava certamente distante de admitir que o Colégio fosse alcandorado à fama e à influência de que veio a desfrutar, pelas provas prestadas de forma pública, quanto à excelência da educação proporcionada aos seus alunos, nas suas múltiplas componentes, de que não devem ser descurados pela sua relevância, a educação física, mas também a cívica, a instrução militar e desportos mais completos como a equitação, a esgrima e o pára-quedismo, ou actividades como, por exemplo, o aeromodelismo.

Porque, apesar de na sua matriz fundadora o Colégio se destinar fundamentalmente a fornecer a aprendizagem de matérias escolares, o certo é que a formação global não se restringiu às disciplinas curriculares, antes foi completada por uma sólida educação moral dispensada aos seus alunos.

O ano que passou foi, que me lembre, um dos que mais fustigou o prestígio do Colégio, no âmbito de um quadro que caracterizo como de revolução silenciosa, com maior ou menor ruído, que vai fazendo o seu percurso para atacar o que são alguns dos principais pilares estruturantes da Nação: as Forças Armadas e a Família.

É neste contexto, e não na existência de casos de indisciplina esporádicos, que sempre houve e haverá e para os quais sempre se têm encontrado as adequadas respostas, que deve ser lido o momento difícil pelo qual o Colégio Militar passou.