A política sendo um combate e uma constante luta pelo Poder, possuía outrora campos definidos. Lutar, conquistar e manter esse poder podia servir ao pragmatismo de uns quantos desejosos de comandar, de possuir, de dominar, mas isso não desprezava a razão primeira e última do próprio combate político. Houve quem tivesse traduzido os pressupostos filosóficos das Ideias políticas em lutas de natureza ideológica e isso contribuiu para delimitar campos, definir espaços, encontrar motivações para um envolvimento mais ou menos activo de pessoas, grupos e mais tarde de "classes".
O combate tinha bandeiras e sob a sua égide se escreveu, se publicou, se combateu, se morreu. Uns acreditavam na essência do Homem, outros pugnavam apenas pelo exclusivo existencialista; uns apoiavam-se na tradição, no costume, na evolução natural, outros erguiam a voz em defesa do racionalismo apontando à dita tradição a causa de males, de injustiças, de erros e de misérias; uns, mais tarde, ergueram o valor do individualismo libertário como guia supremo, outros indicavam uma visão personalista do Homem e sem lhe negarem direitos próprios, individuais e subjectivos, logo inalienáveis, chamavam a atenção para a defesa de instituições naturais ao Homem; outros ainda numa postura dita transpersonalista endeusavam o Estado considerando o homem uma simples "peça" no imenso todo.
Existiam lados, fronteiras de pensamento, causas, princípios e a luta política tinha substância. Ser conservador, democrata-cristão, socialista ou marxista traduzia algo de profundo e lembrava-nos que a disputa política era muito mais que um passeio tranquilo ou agitado em torno de vaidades ou benesses pessoais.
Mas foram-se as Ideias, os Ideais, os Valores e ficou um imenso vazio preenchido e ocupado pelos tontos de serviço, vassalos inconfessados dos novos senhores dos regimes e dos Estados. E aqui estamos ocupados com o nada, vagueando sem norte ao encontro do acaso.
A existência perdeu a essência e o Homem, o princípio de tudo, é simplesmente um escravo do mundo que criou.
Que fazer? Regressar com coragem às origens e assumir o combate da Liberdade individual.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
A Crise
A crise que tantas vezes denunciamos, e contra a qual aqui nos revoltamos, é muito mais profunda do que a análise imediatista contempla.
Houve quem tivesse anunciado a "morte" de Deus e com ela a "morte" do próprio homem e há quem, seguindo tal ensinamento, nos conduza para lá do abismo.
Foram-se os valores e destruíram-se os pilares da civilização e por isso chegamos a um ponto sem destino, e caminhamos em círculo sem qualquer rumo.
Quando todos o percebermos talvez seja tarde de mais para podermos entender que somos os únicos responsáveis pela nossa contínua destruição
Houve quem tivesse anunciado a "morte" de Deus e com ela a "morte" do próprio homem e há quem, seguindo tal ensinamento, nos conduza para lá do abismo.
Foram-se os valores e destruíram-se os pilares da civilização e por isso chegamos a um ponto sem destino, e caminhamos em círculo sem qualquer rumo.
Quando todos o percebermos talvez seja tarde de mais para podermos entender que somos os únicos responsáveis pela nossa contínua destruição
terça-feira, 17 de agosto de 2010
O Idealismo de um Realista
Escreveu David Hume "...que as regras de justiça e as regras da ordem jurídica são o resultado de processos históricos, de tradições e experiências,e devemos hesitar em introduzir mudanças drásticas simplesmente porque, ao fazê-lo, criamos algum argumento lógico atraente (com base na "igualdade", por exemplo). Precisamos compreender os tipos de conhecimento envolvidos nos argumentos racionais, assim como os limites de tais argumentos. Inversamente, se procurarmos conhecer o fundamento real do mundo, poderemos reunir factos empíricos e utilizá-los como guias do nosso processo de construção social."
Eu revejo-me em muito deste realismo da tradição e da experiência vivida e assim me afasto de um certo realismo da chamada razão, erradamente classificado de pilar identificador do pensamento conservador. O verdadeiro conservadorismo não desconhece a realidade vivida e sabe que a construção humana passada é, deve ser, ponto fundamental quer na análise do que fomos, quer na vontade do que desejamos vir a ser.
Vem isto a propósito da Europa, da União Europeia e do excelente texto aqui publicado pelo JPD.
Comecemos por este: eu não nego ao JPD o seu realismo analítico, na constatação do que é a UE e o seu idealismo quanto ao que ela, na sua opinião, deveria ser. O JPD é um "realista" na apresentação objectiva de uma UE errática, forte com os fracos, temerosa diante os poderosos e perdida num armário de modelos políticos que têm tudo e o seu contrário.Aliás o realismo do JPD é nesta matéria tão grande, quanto a sua angústia por verificar que o seu idealismo europeísta se aproxima em larga medida de uma visão utópica (surpreendeu-me até que não tivesse citado Victor Hugo e, da sua vasta e sem dúvida importante obra, os trechos dedicados à sua visão da sociedade e da própria Europa).
E nesta questão reside a diferença: enquanto eu sou um idealista de um assumido realismo, o JPD é um contestatário de uma realidade que atrasa e dificulta a busca do seu idealismo. Entendemo-nos no desentendimento sobre esta matéria e por isso mesmo o debate iniciado é salutar.
Já quanto à Europa e à UE a "coisa", como bem sublinha o JPD é diferente. E porquê? Porque a Europa que ambiciona (com inteira legitimidade), simplesmente não existe (e nunca existirá de forma pacífica e democrática - vale a pena reler Hume).A Europa é um princípio de muitas diferenças e nisso reside a sua alma, a sua grandeza, a sua distinção. À falta de argumentos (não é o caso do JPD) há quem diga que essa Europa das diferenças é a Europa dos Estados-soberanos, os tais que são exíguos, inconsequentes, impreparados para fazer face à nova aurora que raia, mas esquecem-se que essa Europa antes de ser dos ditos Estados-soberanos era a Europa de Povos ora dominados pela força ora revoltados em busca da sua liberdade e independência.
E não há UE que possa substituir essa Europa de Povos, muitos dos quais ainda hoje subjugados pelo poder opressor dentro de Estados consagrados à luz do direito comunitário e membros activos da dita União. Essa é a tradição da Europa, essa é a experiência vivida, essa é a realidade, que nenhuma norma jurídica, nem nenhum construtivismo racionalista dominará, substituirá ou poderá ignorar.
E é em face da realidade que devemos partir para a comunhão. O mais é Thomas Morus e a sua ilha cantada e contada por um navegador português....
Eu revejo-me em muito deste realismo da tradição e da experiência vivida e assim me afasto de um certo realismo da chamada razão, erradamente classificado de pilar identificador do pensamento conservador. O verdadeiro conservadorismo não desconhece a realidade vivida e sabe que a construção humana passada é, deve ser, ponto fundamental quer na análise do que fomos, quer na vontade do que desejamos vir a ser.
Vem isto a propósito da Europa, da União Europeia e do excelente texto aqui publicado pelo JPD.
Comecemos por este: eu não nego ao JPD o seu realismo analítico, na constatação do que é a UE e o seu idealismo quanto ao que ela, na sua opinião, deveria ser. O JPD é um "realista" na apresentação objectiva de uma UE errática, forte com os fracos, temerosa diante os poderosos e perdida num armário de modelos políticos que têm tudo e o seu contrário.Aliás o realismo do JPD é nesta matéria tão grande, quanto a sua angústia por verificar que o seu idealismo europeísta se aproxima em larga medida de uma visão utópica (surpreendeu-me até que não tivesse citado Victor Hugo e, da sua vasta e sem dúvida importante obra, os trechos dedicados à sua visão da sociedade e da própria Europa).
E nesta questão reside a diferença: enquanto eu sou um idealista de um assumido realismo, o JPD é um contestatário de uma realidade que atrasa e dificulta a busca do seu idealismo. Entendemo-nos no desentendimento sobre esta matéria e por isso mesmo o debate iniciado é salutar.
Já quanto à Europa e à UE a "coisa", como bem sublinha o JPD é diferente. E porquê? Porque a Europa que ambiciona (com inteira legitimidade), simplesmente não existe (e nunca existirá de forma pacífica e democrática - vale a pena reler Hume).A Europa é um princípio de muitas diferenças e nisso reside a sua alma, a sua grandeza, a sua distinção. À falta de argumentos (não é o caso do JPD) há quem diga que essa Europa das diferenças é a Europa dos Estados-soberanos, os tais que são exíguos, inconsequentes, impreparados para fazer face à nova aurora que raia, mas esquecem-se que essa Europa antes de ser dos ditos Estados-soberanos era a Europa de Povos ora dominados pela força ora revoltados em busca da sua liberdade e independência.
E não há UE que possa substituir essa Europa de Povos, muitos dos quais ainda hoje subjugados pelo poder opressor dentro de Estados consagrados à luz do direito comunitário e membros activos da dita União. Essa é a tradição da Europa, essa é a experiência vivida, essa é a realidade, que nenhuma norma jurídica, nem nenhum construtivismo racionalista dominará, substituirá ou poderá ignorar.
E é em face da realidade que devemos partir para a comunhão. O mais é Thomas Morus e a sua ilha cantada e contada por um navegador português....
E o idealista sou eu??!!
Num post colocado algures aqui em baixo, comentando alguns textos meus sobre a União Europeia, o MM começou por me apodar de idealista europeu, por contraposição a ele, que se diz um realista, presume-se que também em matéria europeia. Tive sorte! Sabendo nós – eu e ele – que a visão idealista do mundo, fundadora do contrato social rousseauniano, é atributo duma postura tipicamente esquerdista, livrei-me de ser qualificado como um qualquer «perigoso esquerdista» infiltrado nesta nobre e honrada casa. Creio que o idealismo, no que me dirá respeito, se circunscreverá apenas às coisas da Europa. Nas outras, no restante que ao mundo dirá respeito, o meu pensamento será mais de cariz hobbesiano, típico de uma direita pura que continua a crer num Estado soberano – independentemente do que isso queira dizer nos dias de hoje – forte e omnipresente. Eu agradeço, penhoradamente, o epíteto com que fui galardoado mas, reflectindo sobre ambos os qualificativos, o idealista e o realista, parece-me que eles estão trocados – e passo a explicar.
Por uma questão de pleno exercício da cidadania, por dever de ofício mas também por prazer, tenho seguido de forma regular o funcionamento da União Europeia e das coisas ligadas à Europa. A esta Europa, a esta União Europeia – não a uma qualquer outra e ideal «Europa», não a uma qualquer outra e ideal «União Europeia». Creio, pois, que o idealista de serviço não poderá ser este modesto realista que, observando a via diária da União, sobre ela se tenta pronunciar não raro de forma crítica, muito mais vezes do que aquelas que gostaria de ter de o fazer. Pelo contrário, nesse ofício assumido de forma quase diária, são também muitas as vezes em que me defronto com vozes, críticas e ideias que não tomam por referência «esta» União efectivamente existente, mas se dizem identificadas com «outra» União, com uma União diferente, nunca totalmente explicada, nunca totalmente concretizada. Diria eu – com uma União «ideal». Esses, em meu modesto entender, são os verdadeiros idealistas europeus – os que se batem e propugnam por uma outra e ideal União Europeia, para quem aquela que existe não presta ou não serve. Nessas estradas da reflexão, sobre o que deveria ser a UE, em alguns momentos tenho visto o MM a circular. Eu tenho ido por outros caminhos, que às vezes mais parecem atalhos, que mais não são do que as estradas esburacadas da realidade, feitas de contradições, de divergências, de concordâncias aqui e discordâncias acolá. Mas a realidade é assim mesmo, controvertida, errante, quantas vezes errática.
Por outro lado, o meu dito «idealismo» – que pelas razões expostas me parece incorrectamente qualificado – funda-se e estriba-se no pensamento, na palavra mas também na obra duma plêiade de europeus ilustres que ao longo da história fizeram da causa europeia o combate das suas vidas. Ficando-me, apenas, pelo último século, para não ter de recuar mais além, encontro inspiração e modelo no legado de gente de excepção, cuja vida e obra tive oportunidade de estudar aprofundadamente, gente da estirpe de um Coudenhove-Kalergi, de um Retinger, de um Jean Monnet, de um Robert Schuman, de um Alcide de Gasperi, de um Adenauer, de um Helmut Kohl. E, entre nós, no pensamento de Adriano Moreira. Quase todos, por sinal, democratas-cristãos. Quase todos, por sinal, estadistas de excepção que não se limitaram a ser idealistas do projecto europeu, porque o construíram e edificaram, antes volveram a ideia de Europa unida no ideal das suas vidas – o que é bem diferente de serem idealistas europeus. É no que esta gente disse e, sobretudo, fez, que me inspiro, que me louvo e que busco respostas para muitas das dúvidas e dificuldades que o projecto europeu coloca a cada dia que passa e de uma forma crescente.
Já sei, de antemão, que não falta quem observe que os princípios que inspiraram esses pais fundadores já não se aplicam ao mundo de hoje – que é substancialmente diferente. Eis uma oportunidade de excelência para voltar a discordar. É que os princípios e os valores, para repetir a imagem de Adriano Moreira, são o eixo da roda – rodam com ela mas não saem do sítio nem mudam de lugar. E continuo a considerar que muitos dos princípios que inspiraram esses pais fundadores do projecto europeu que construíram continuam perfeitamente válidos e actuais. A paz continua a ser um bem perene; o relacionamento franco-alemão é talvez mais importante hoje, que a Alemanha está reunificada, do que o era nos anos cinquenta do século passado; fruto dos avanços da técnica e da ciência são cada vez mais os domínios onde o Estado soberano clássico tem de partilhar soberania e integrar-se com outros Estados para fazer face a desafios cada vez maiores; enfim – eu não consigo ver nos ensinamentos e na obra dos pais fundadores mandamentos desactualizados. Pelo contrário, creio-os bem actuais. Diria mesmo, trágica e dramaticamente actuais.
Por fim – na sua breve prosa, o MM encerra com uma questão que daria um bom «sound bite» mediático: será que a UE existe? Também aí eu prefiro ser muito realista e nada idealista – e, à falta de tempo para ir buscar a sua certidão de nascimento, onde ainda não está averbado o respectivo óbito, eu diria que a UE existe tanto que o MM se preocupa com ela. E, não raro, a critica e defende como é que, idealmente, a mesma deveria ser e/ou actuar. Questão diferente, muito diferente e com outros contornos, foi deixada também abaixo, num comentário do DPA que afirma que sim, que a UE existe – o que não existe é a Europa. O DPA sabe, de ciência certa, que pôs o dedo na ferida. Porque as grandes discussões, filosóficas e até ideológicas, têm por objecto, justamente, a «ideia de Europa». E determinar essa ideia de Europa, com os seus específicos contornos, o seu verdadeiro conteúdo, tem sido o trabalho de muito filósofo, politólogo e aparentado ao longo dos séculos. E tem sido um trabalho prévio à apresentação de muitos modelos e projectos sobre a forma que deve revestir a organização política da Europa. Essa era e será uma discussão apaixonante – impossível, contudo, de ser feita aqui. O que não retira pertinência à sua identificação.
UM DOS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS PELOS INCÊNDIOS EM PORTUGAL
Fala, fala, fala, apresenta medidas, volta a apresentar, mas nada ou quase nada é feito! Os resultados estão à vista!
Em 2005:
Biomassa é nova aposta energética do Governo
Em 2006:
Na quinta-feira, dia 19 de Janeiro de 2006, o Ministério da Economia e Inovação, com a presença do Senhor Primeiro-Ministro, apresenta um conjunto de novas medidas na área da energia previstas no Plano Tecnológico e na Estratégia Nacional para a Energia.
São hoje apresentados os concursos para Centrais de Produção de Electricidade a partir de Biomassa Florestal a lançar até ao final do mês de Janeiro.O aproveitamento da biomassa florestal para fins energéticos é encarado não só como uma oportunidade de negócio e de criação de emprego em zonas rurais, como é um dos instrumentos de luta contra os incêndios, através da limpeza das florestas.
Em 2009, já a realidade desmentia a propaganda:
Novas 15 centrais de biomassa ainda não saíram do papel
19 Janeiro 2009
A biomassa parece ser, definitivamente, uma aposta perdida deste Governo. Há três anos, o Executivo de José Sócrates anunciou, numa vaga de mediatismo, o desenvolvimento desta fonte de energia renovável, prometendo gerar um investimento próximo dos 250 milhões de euros e a criação de 800 empregos com a construção de 15 centrais de biomassa, de Norte a Sul do País.
Em 2010, a realidade é esta:
Em meados da passada década foram definidos objectivos ambiciosos para a Biomassa, na Estratégia Nacional para a Energia (Conselho de Ministros nº 169/2005 de 24 de Outubro): atingir 250 MW de potência eléctrica instalada até 2010, para produção de energia eléctrica com fonte na Biomassa florestal.
Para além do já antigo benefício do potencial de “redução de incêndios”, os projectos vislumbravam a promoção e desenvolvimento do sector florestal e silvicultor, e a óbvia produção energética com base numa fonte renovável e de emissões de carbono nulas.
Uma das grandes medidas para atingir o objectivo dos 250 MW foi o lançamento de um concurso público para a instalação de 15 centrais termoeléctricas a biomassa florestal com uma potência conjunta de 100MW.
Outra medida foi a apresentada no Decreto-Lei n.º 33-A/2005, de 16 de Fevereiro, que veio estabelecer uma tarifa favorável para a energia produzida em centrais de biomassa florestal (cerca de 109€/MWh durante os primeiros 25 anos após entrada em funcionamento). Esta tarifa é bastante superior à atribuída à da energia produzida em centrais hídricas, eólicas, de resíduos sólidos urbanos (RSU) ou biogás de aterro.
Sendo que em 2005 apenas existiam duas centrais termoeléctricas em funcionamento exclusivas a biomassa florestal, a central de Mortágua e a Centroliva, e alguns casos de utilização de biomassa na indústria em processos de cogeração, aproveitando resíduos de algumas das actividades produtivas, o número de centrais novas pouco aumentou. Fora do concurso entre 2007 e 2009 foram implementadas 5 novas centrais com uma potência total de 78 MW, o que totaliza pouco mais de 100 MW, ficando longe da meta dos 250 MW.
Do concurso de 100 MW ainda nenhuma das centrais se encontra em funcionamento, sendo que das 15, 2 não serão concretizadas, 8 estão adjudicadas mas apenas duas deverão arrancar entre 2010 e 2011.
E continua a venda da banha da cobra - agora em 2020 é que é!
Com o novo plano Estratégia Nacional para a Energia 2020, apresentado no inicio de 2010, o eixo das Energias Renováveis refere o cumprimento dos compromissos assumidos por Portugal no contexto das políticas europeias de combate as alterações climáticas, permitindo que em 2020, 60% da electricidade produzida tenha origem em fontes renováveis.
Este plano reitera o valor anteriormente apontado para a Biomassa, dando prioridade à instalação efectiva da potência já atribuída de 250 MW integrando mecanismos de flexibilidade na concretização dos projectos, assim como aprovar medidas de promoção da produção da biomassa florestal, assegurando a satisfação das necessidades de consumo e das metas estabelecidas.
Em 2005:
Biomassa é nova aposta energética do Governo
Em 2006:
Na quinta-feira, dia 19 de Janeiro de 2006, o Ministério da Economia e Inovação, com a presença do Senhor Primeiro-Ministro, apresenta um conjunto de novas medidas na área da energia previstas no Plano Tecnológico e na Estratégia Nacional para a Energia.
São hoje apresentados os concursos para Centrais de Produção de Electricidade a partir de Biomassa Florestal a lançar até ao final do mês de Janeiro.O aproveitamento da biomassa florestal para fins energéticos é encarado não só como uma oportunidade de negócio e de criação de emprego em zonas rurais, como é um dos instrumentos de luta contra os incêndios, através da limpeza das florestas.
Em 2009, já a realidade desmentia a propaganda:
Novas 15 centrais de biomassa ainda não saíram do papel
19 Janeiro 2009
A biomassa parece ser, definitivamente, uma aposta perdida deste Governo. Há três anos, o Executivo de José Sócrates anunciou, numa vaga de mediatismo, o desenvolvimento desta fonte de energia renovável, prometendo gerar um investimento próximo dos 250 milhões de euros e a criação de 800 empregos com a construção de 15 centrais de biomassa, de Norte a Sul do País.
Em 2010, a realidade é esta:
Em meados da passada década foram definidos objectivos ambiciosos para a Biomassa, na Estratégia Nacional para a Energia (Conselho de Ministros nº 169/2005 de 24 de Outubro): atingir 250 MW de potência eléctrica instalada até 2010, para produção de energia eléctrica com fonte na Biomassa florestal.
Para além do já antigo benefício do potencial de “redução de incêndios”, os projectos vislumbravam a promoção e desenvolvimento do sector florestal e silvicultor, e a óbvia produção energética com base numa fonte renovável e de emissões de carbono nulas.
Uma das grandes medidas para atingir o objectivo dos 250 MW foi o lançamento de um concurso público para a instalação de 15 centrais termoeléctricas a biomassa florestal com uma potência conjunta de 100MW.
Outra medida foi a apresentada no Decreto-Lei n.º 33-A/2005, de 16 de Fevereiro, que veio estabelecer uma tarifa favorável para a energia produzida em centrais de biomassa florestal (cerca de 109€/MWh durante os primeiros 25 anos após entrada em funcionamento). Esta tarifa é bastante superior à atribuída à da energia produzida em centrais hídricas, eólicas, de resíduos sólidos urbanos (RSU) ou biogás de aterro.
Sendo que em 2005 apenas existiam duas centrais termoeléctricas em funcionamento exclusivas a biomassa florestal, a central de Mortágua e a Centroliva, e alguns casos de utilização de biomassa na indústria em processos de cogeração, aproveitando resíduos de algumas das actividades produtivas, o número de centrais novas pouco aumentou. Fora do concurso entre 2007 e 2009 foram implementadas 5 novas centrais com uma potência total de 78 MW, o que totaliza pouco mais de 100 MW, ficando longe da meta dos 250 MW.
Do concurso de 100 MW ainda nenhuma das centrais se encontra em funcionamento, sendo que das 15, 2 não serão concretizadas, 8 estão adjudicadas mas apenas duas deverão arrancar entre 2010 e 2011.
E continua a venda da banha da cobra - agora em 2020 é que é!
Com o novo plano Estratégia Nacional para a Energia 2020, apresentado no inicio de 2010, o eixo das Energias Renováveis refere o cumprimento dos compromissos assumidos por Portugal no contexto das políticas europeias de combate as alterações climáticas, permitindo que em 2020, 60% da electricidade produzida tenha origem em fontes renováveis.
Este plano reitera o valor anteriormente apontado para a Biomassa, dando prioridade à instalação efectiva da potência já atribuída de 250 MW integrando mecanismos de flexibilidade na concretização dos projectos, assim como aprovar medidas de promoção da produção da biomassa florestal, assegurando a satisfação das necessidades de consumo e das metas estabelecidas.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Estado lenhador
O Ministro da Agricultura que exerce um cargo cujas funções mais não são do que as de um simples director-geral,veio, a propósito dos incêndios, defender a expropriação dos terrenos florestais que se achem abandonados.
O Estado, que exerce mal as competências que lhe cabem, que não é capaz de prender e julgar os incendiários, que não foi capaz de fixar as populações no interior do País e que vendeu a agricultra a troco de auto-estradas e de cursos de formação profissional, propõe-se agora ser produtor florestal.
Seria maior a desgraça.
E a propósito: com que dinheiro pagaria as indemnizações? Pela parte que me toca manifesto a minha REVOLTA contra a utilização dos meus impostos com essa finalidade.
O que nos vale é que esta é apenas mais uma "silly" afirmação.
O Estado, que exerce mal as competências que lhe cabem, que não é capaz de prender e julgar os incendiários, que não foi capaz de fixar as populações no interior do País e que vendeu a agricultra a troco de auto-estradas e de cursos de formação profissional, propõe-se agora ser produtor florestal.
Seria maior a desgraça.
E a propósito: com que dinheiro pagaria as indemnizações? Pela parte que me toca manifesto a minha REVOLTA contra a utilização dos meus impostos com essa finalidade.
O que nos vale é que esta é apenas mais uma "silly" afirmação.
HÁ UE?
O João Pedro Dias é um idealista europeu. Eu sou um realista, sempre o fui e sempre disse que os Estados jamais praticariam a solidariedade se isso não fosse primariamente conveniente e vantajoso para os seus individuais interesses.
E os textos do JPDias aí estão para o confirmar.
Neste cenário pergunto: ainda há União Europeia?
E os textos do JPDias aí estão para o confirmar.
Neste cenário pergunto: ainda há União Europeia?
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Sobre o estado da União
O novo governo da Eslováquia, da PM Iveta Radicova, decidiu não continuar a participar na linha de crédito europeia de apoio à Grécia, com a qual se comprometera em 816M€ este ano, por entender que os países pobres não devem pagar excessos das nações mais ricas. Para esta linha de crédito, de um valor total de 110 MM€, Portugal contribui com 2,064MM€ ao longo de três anos. Esta é uma medida que ilustra na perfeição o actual estado de alma e de coesão da UE – falta de solidariedade, de liderança, desrespeito pela palavra dada, preterição do interesse comum, prevalência das estratégias e dos interesses nacionais. Vinda de um dos Estados do alargamento e da coesão, dos que mais aproveitaram da solidariedade europeia, é todo o contrário do vasto acervo e conjunto de princípios que nos foi legado e ensinado pelos pais fundadores. Se indicia a estrada e o rumo que a UE está a trilhar, a certeza que podemos ter é a de que o destino final não poderá ser algum lugar promissor e esperançoso.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
CABINDA
Associação Tratado de Simulambuco
Casa de Cabinda (A.T.S. – C.C.)
COMUNICADO
Mais uma vez o Governo Angolano, para Silenciar os seus Críticos e os Defensores de Direitos Humanos, atira-os para a Cadeia, ao abrigo da Lei 7/78, que colide com a actual Constituição de Angola e é contrária ao Estado Democrático e de Direito.
À semelhança do que aconteceu em Cabinda, no passado, ao Jornalista José Fernando Lelo e mais recentemente ao Dr. André Zeferino Puati, Condenado a 3 anos de Prisão Efectiva, foram agora Condenados o Advogado Dr. Francisco Luemba (5 anos de prisão efectiva), o Padre Católico Dr. Raul Tati (5 anos de prisão efectiva), o Economista Dr. Belchior Lanso Tati (6 anos de prisão efectiva), e o Ex-Polícia José Benjamim Fuca (3 anos de prisão efectiva), em Julgamento no qual Não Foram Provados, Nenhum dos Crimes que lhes foram Imputados.
Subscrevemos a Posição da Amnistia Internacional, que defende a Não Validade do Julgamento destes 4 Activistas, por considerar que a Lei Angolana contra a Segurança do Estado Não Respeita o Direito Internacional, bem como as Declarações da Human Rights Watch e de outras Organizações Nacionais e Internacionais, que têm repetidamente apelado à Revogação do Artigo 26, desta Lei 7/78, que viola Direitos Fundamentais.
A Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda Repudia esta Acção de Silenciamento dos Defensores dos Direitos Humanos e espera que o Tribunal Constitucional, para o qual recorreram, Anule este Artigo, que mancha a imagem de um Estado Democrático e de Direito, que Angola Pretende Ser, e os Devolva à Liberdade.
Lisboa, 5 de Agosto de 2010.
A Direcção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda,
Fernando Higino Henriques Lima,
Maria João Sande Lemos,
Margarida Lima Mayer,
Maria Manuela Serrano,
Sede: Rua Costa Pinto, nº 8, 2770-048 Paço D’Arcos – Portugal
Telefone: 219520131 e Telemóveis: 914602336, 966702691
Casa de Cabinda (A.T.S. – C.C.)
COMUNICADO
Mais uma vez o Governo Angolano, para Silenciar os seus Críticos e os Defensores de Direitos Humanos, atira-os para a Cadeia, ao abrigo da Lei 7/78, que colide com a actual Constituição de Angola e é contrária ao Estado Democrático e de Direito.
À semelhança do que aconteceu em Cabinda, no passado, ao Jornalista José Fernando Lelo e mais recentemente ao Dr. André Zeferino Puati, Condenado a 3 anos de Prisão Efectiva, foram agora Condenados o Advogado Dr. Francisco Luemba (5 anos de prisão efectiva), o Padre Católico Dr. Raul Tati (5 anos de prisão efectiva), o Economista Dr. Belchior Lanso Tati (6 anos de prisão efectiva), e o Ex-Polícia José Benjamim Fuca (3 anos de prisão efectiva), em Julgamento no qual Não Foram Provados, Nenhum dos Crimes que lhes foram Imputados.
Subscrevemos a Posição da Amnistia Internacional, que defende a Não Validade do Julgamento destes 4 Activistas, por considerar que a Lei Angolana contra a Segurança do Estado Não Respeita o Direito Internacional, bem como as Declarações da Human Rights Watch e de outras Organizações Nacionais e Internacionais, que têm repetidamente apelado à Revogação do Artigo 26, desta Lei 7/78, que viola Direitos Fundamentais.
A Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda Repudia esta Acção de Silenciamento dos Defensores dos Direitos Humanos e espera que o Tribunal Constitucional, para o qual recorreram, Anule este Artigo, que mancha a imagem de um Estado Democrático e de Direito, que Angola Pretende Ser, e os Devolva à Liberdade.
Lisboa, 5 de Agosto de 2010.
A Direcção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda,
Fernando Higino Henriques Lima,
Maria João Sande Lemos,
Margarida Lima Mayer,
Maria Manuela Serrano,
Sede: Rua Costa Pinto, nº 8, 2770-048 Paço D’Arcos – Portugal
Telefone: 219520131 e Telemóveis: 914602336, 966702691
"Guterres e Cavaco: a diferença" - artigo de Miguel Félix António hoje no DN
Hoje no Diário de Notícias escrevo sobre a diferença entre Cavaco e Guterrres http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1638449&seccao=Convidados
Ainda a propósito dos INCÊNDIOS
Vi ontem num canal de TV a Governadora Civil do Porto pronunciar-se de forma firme e clara sobre os incêndios no seu distrito. No turbilhão de tantas declarações inócuas, as suas palavras foram objectivas e agradaram-me.
A dado momento da sua intervenção pediu a ajuda das populações. Creio mesmo que terá dito qualquer coisa do género "... as populações devem colaborar...". E é a respeito desta pequena expressão que aqui escrevo. O que significa colaborar num caso desta natureza, perante a sensação de impunidade dos terroristas incendiários?
Por certo proceder na ajuda à limpeza da floresta; por certo ainda agir na vigilância; por certo, sem dúvida, identificar e denunciar os suspeitos do crime.
Só que esta última questão tem que se lhe diga. Desde logo porque pode contribuir para o ressurgimento das milícias populares. Elas já existiram a pretexto do combate ao tráfico de droga e dos assaltos generalizados.
A verdade é que diante o sentimento de pouca vigilância por parte das autoridades competentes, não me surpreende se os cidadãos de muitas zonas do País decidirem tomar em mãos a tarefa de protecção das suas vidas e dos seus haveres. Só que isso tem tanto de positivo, como poderá ter de negativo. Se quisermos patentear, como é óbvio, o estatuto de Estado de Direito.
A situação já esteve mais longínqua e basta perceber a revolta de milhares de portugueses das vilas e aldeias com área ardida, para compreender o que acabo de escrever.
Como referi noutro texto se a Justiça não funciona haverá quem, em desespero, a queira fazer funcionar por via directa.
Estaremos todos conscientes disso?
A dado momento da sua intervenção pediu a ajuda das populações. Creio mesmo que terá dito qualquer coisa do género "... as populações devem colaborar...". E é a respeito desta pequena expressão que aqui escrevo. O que significa colaborar num caso desta natureza, perante a sensação de impunidade dos terroristas incendiários?
Por certo proceder na ajuda à limpeza da floresta; por certo ainda agir na vigilância; por certo, sem dúvida, identificar e denunciar os suspeitos do crime.
Só que esta última questão tem que se lhe diga. Desde logo porque pode contribuir para o ressurgimento das milícias populares. Elas já existiram a pretexto do combate ao tráfico de droga e dos assaltos generalizados.
A verdade é que diante o sentimento de pouca vigilância por parte das autoridades competentes, não me surpreende se os cidadãos de muitas zonas do País decidirem tomar em mãos a tarefa de protecção das suas vidas e dos seus haveres. Só que isso tem tanto de positivo, como poderá ter de negativo. Se quisermos patentear, como é óbvio, o estatuto de Estado de Direito.
A situação já esteve mais longínqua e basta perceber a revolta de milhares de portugueses das vilas e aldeias com área ardida, para compreender o que acabo de escrever.
Como referi noutro texto se a Justiça não funciona haverá quem, em desespero, a queira fazer funcionar por via directa.
Estaremos todos conscientes disso?
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Uma política externa e de segurança comum para a UE?
A Holanda anunciou que abandonará o Afeganistão até final do ano. Mário Soares, num artigo intitulado «O Ocidente entre a paz e as guerras», veio sugerir que Portugal deveria fazer o mesmo. Este é o actual drama do Ocidente. Fruto da doutrina dos directos televisivos, o Ocidente recua, cede nos seus valores fundamentais, deixa terreno livre ao avanço dos que atacam e destroem os nossos valores, sem olharem a meios para atingirem os fins. Ou, o que tem a mesma gravidade, deixando para os EUA a tarefa de defender esses mesmos valores, como se o dever lhe competisse em exclusivo. Era a isto que Obama se referia ao reclamar maior solidariedade e empenho dos europeus em matéria de defesa e segurança. Não é com esta política furtiva que a UE cumpre a sua missão no Mundo ou pode ambicionar a ter uma política exterior credível e respeitável. E não é coerente nem consequente pretender construi-la sem arcar com o seu passivo. Não é este o melhor rumo para a construção de tal política europeia.
INCÊNDIOS
Ano após ano há incêndios e ano após ano repetem-se comentários, análises, propostas, reivindicações. É tudo igual. Infelizmente igual. Só não é igual o facto de se perderem mais vidas, mais bens, mais área florestal.
Fala-se da falta adequada de prevenção, da limpeza das matas (muitas do Estado), da escassez de acessos, de planeamento insuficiente. Fala-se, numa canção repetida, sempre, sempre, sempre do mesmo.
Mas não se fala dos incendiários, autênticos terroristas de Estados sem guerra, que ciclicamente lançam o caos, a morte e a destruição.
Desses fala-se pouco e quando se fala individualizam-se casos e apontam-se situações de demência.
De fora ficam os que lucram com os incêndios, os que lançam pára-quedas que são bombas, os que a coberto do combate aos incêndios ganham fortunas com a sua existência.
Não há quem queira combater o flagelo. E o problema não é deste Governo é de todos, porque todos sabem e sabiam demais. E por isso fingem que não vêem e falam o que lhes convém.
Pode isto mudar? Tenho dúvidas. A não ser que o Povo se revolte e exija a Justiça que a justiça não dá!
Fala-se da falta adequada de prevenção, da limpeza das matas (muitas do Estado), da escassez de acessos, de planeamento insuficiente. Fala-se, numa canção repetida, sempre, sempre, sempre do mesmo.
Mas não se fala dos incendiários, autênticos terroristas de Estados sem guerra, que ciclicamente lançam o caos, a morte e a destruição.
Desses fala-se pouco e quando se fala individualizam-se casos e apontam-se situações de demência.
De fora ficam os que lucram com os incêndios, os que lançam pára-quedas que são bombas, os que a coberto do combate aos incêndios ganham fortunas com a sua existência.
Não há quem queira combater o flagelo. E o problema não é deste Governo é de todos, porque todos sabem e sabiam demais. E por isso fingem que não vêem e falam o que lhes convém.
Pode isto mudar? Tenho dúvidas. A não ser que o Povo se revolte e exija a Justiça que a justiça não dá!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Rumo a um imposto europeu?
Noticiou-se hoje, aqui, que o governo da chanceler Angela Merkel manifestou a sua oposição à introdução de impostos a nível europeu. O debate é incontornável e, mais tarde ou mais cedo, acabará colocado na ordem do dia da agenda política da UE e dos seus Estados-Membros - pode/deve a UE cobrar directamente impostos? Esta primeira reacção que provém da Alemanha é, como não poderia deixar de ser, negativa. Creio que não o será tanto em função da existência dum verdadeiro imposto europeu quanto em função da existência de mais um imposto - o que repugna especialmente à coligação no poder em Berlim. Mas o tema é inevitável e acabará por ser lançado para debate. E o que me parece óbvio é que quanto mais exigirmos à UE, quanto maior queiramos que seja o seu orçamento (123MM€ em 2010 o que representa apenas 1,04% do PIB comunitário), quanto mais queiramos que a UE continue a aprofundar-se, mais nos aproximaremos desse momento. Será inevitável.
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BENFICA
Como é sabido os meus conhecimentos sobre tácticas e estratégias futebolísticas são quase nulos. É assim difícil dizer se os guarde-redes são bons ou maus. Mas o Duarte, de 13 anos e o Francisco de 17, manifestaram-me um grande descontentamento com o novo guarda-redes benfiquista.
E eu aqui testemunho o seu desalento esperando, como Benfiquista que sou, que os próximos jogos sejam de vitória.
E eu aqui testemunho o seu desalento esperando, como Benfiquista que sou, que os próximos jogos sejam de vitória.
domingo, 8 de agosto de 2010
PGR e SINDICATO 2
Há uma nuvem de fundo que foi inteligentemente lançada para nos distrair do essencial. O que está em causa entre nós não são os poderes do PGR, mas o funcionamento efectivo da Justiça. O que está em causa não é a relação entre o PGR e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, mas o facto de existirem procuradores e polícias que vêem o seu trabalho boicotado, impedido, dificultado por muitas das chefias cujo lugar se deve à nomeação governamental. É isso que verdadeiramente está em causa. Desiludam-se os que pensam, e alimentam o pensamento, na direcção que mais convém ao sistema. A razão é simples: está montada uma rede de vasos comunicantes, de protecção leonina, que proíbe a punição dos corruptos e o julgamento justo de quem ao longo dos anos delapida o erário público.
O problema está ainda naqueles que mudam sistematicamente as leis para beneficio dos infractores e numa classe dirigente ligada entre si por laços estranhos que impedem o descobrimento da verdade.
É normal que nos EUA se julguem e condenem corruptos em meia dúzia de meses e em Portugal os processos demorem anos e no final nada suceda? É normal? Claro que não é! Então porque funciona lá a Justiça e cá não? Porque somos piores e eles melhores? De modo algum. Porque se a verdade fosse descoberta por terras lusas provavelmente as prisões não chegariam para albergar os culpados.
O problema está ainda naqueles que mudam sistematicamente as leis para beneficio dos infractores e numa classe dirigente ligada entre si por laços estranhos que impedem o descobrimento da verdade.
É normal que nos EUA se julguem e condenem corruptos em meia dúzia de meses e em Portugal os processos demorem anos e no final nada suceda? É normal? Claro que não é! Então porque funciona lá a Justiça e cá não? Porque somos piores e eles melhores? De modo algum. Porque se a verdade fosse descoberta por terras lusas provavelmente as prisões não chegariam para albergar os culpados.
PGR e SINDICATO
1. Nunca fui um entusiasta da existência de sindicatos em certas actividades. Creio que a sua essência e razão de ser não se encaixa na magistratura, seja Judicial ou do Ministério Público, e tenho a maior das dúvidas quanto à sua presença ao nível da Polícia. É uma opinião e uma opinião que não depende dos consensos ou da prática maioritária nos chamados países democráticos.
Pergunto-me o que poderia impedir sindicatos dos deputados, dos adjuntos e assessores de ministros. E já agora sindicatos dos próprios governantes defensores das condições de trabalho de ministros e secretários de estado. Dir-se-á que os exemplos não colhem e que a comparação é absurda, mas o tema mereceria ser debatido com serenidade sem tabus ou preconceitos de qualquer natureza.
2. Dito isto uma nota é devida sobre a polémica PGR - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. E é devida com o à vontade de quem acaba de escrever o que escreveu. Quem ataca agora este Sindicato e a sua direcção não o faz (excepção para Jorge Miranda), por razões de fundo ou com substância. Fá-lo porque pela primeira vez em muitos anos há uma direcção no sindicato que não anda a reboque de quem manda e que simplesmente percebeu que é necessário lutar pela liberdade de acção dos magistrados condicionados tantas vezes por chefias conluiadas com o poder político.
Pergunto-me o que poderia impedir sindicatos dos deputados, dos adjuntos e assessores de ministros. E já agora sindicatos dos próprios governantes defensores das condições de trabalho de ministros e secretários de estado. Dir-se-á que os exemplos não colhem e que a comparação é absurda, mas o tema mereceria ser debatido com serenidade sem tabus ou preconceitos de qualquer natureza.
2. Dito isto uma nota é devida sobre a polémica PGR - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. E é devida com o à vontade de quem acaba de escrever o que escreveu. Quem ataca agora este Sindicato e a sua direcção não o faz (excepção para Jorge Miranda), por razões de fundo ou com substância. Fá-lo porque pela primeira vez em muitos anos há uma direcção no sindicato que não anda a reboque de quem manda e que simplesmente percebeu que é necessário lutar pela liberdade de acção dos magistrados condicionados tantas vezes por chefias conluiadas com o poder político.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
CABINDA
Vários activistas dos direitos humanos foram 3ª feira condenados a penas de prisão, em Cabinda. Entre eles alguém que bem conheço: o ex-Vigário Geral de Cabinda, o Padre Raul Tati.
Segundo a acusação é responsável por ter incentivado o atentado à selecção do Togo. Mesmo sem nenhuma prova e até com a particularidade da própria acusação ter caído por terra, os juízes deram por confirmado o grande crime do Padre Tati: existe, é firme nas suas convicções em favor da Paz e da liberdade para o Povo a que se orgulha de pertencer. Com ele outros foram condenados por escreverem livros, participarem em reuniões, falarem...
Nada me espanta, mas entristece-me perceber como por cá somos tão covardes ao ponto de silenciarmos o que se passa e ignorarmos o que de concreto se vive em Cabinda. Já não somos nada vergados que estamos à dependência financeira e económica de Angola, ao ponto de trairmos o que escrevemos na Constituição e proclamamos em discursos de circunstância.
No meio das trevas honra-se a deputada Ana Gomes que ergue a voz no Parlamento Europeu para dizer que o rei vai nu.
Os sinos deixaram de dobrar em Portugal pela Liberdade e nós somos serventuários de um qualquer poder que artificialmente nos convence que somos Homens.
O 25 de Abril morre em Portugal todos os dias e o nosso silêncio sobre o que se passa em Cabinda é apenas mais um sinal da sua morte!
Segundo a acusação é responsável por ter incentivado o atentado à selecção do Togo. Mesmo sem nenhuma prova e até com a particularidade da própria acusação ter caído por terra, os juízes deram por confirmado o grande crime do Padre Tati: existe, é firme nas suas convicções em favor da Paz e da liberdade para o Povo a que se orgulha de pertencer. Com ele outros foram condenados por escreverem livros, participarem em reuniões, falarem...
Nada me espanta, mas entristece-me perceber como por cá somos tão covardes ao ponto de silenciarmos o que se passa e ignorarmos o que de concreto se vive em Cabinda. Já não somos nada vergados que estamos à dependência financeira e económica de Angola, ao ponto de trairmos o que escrevemos na Constituição e proclamamos em discursos de circunstância.
No meio das trevas honra-se a deputada Ana Gomes que ergue a voz no Parlamento Europeu para dizer que o rei vai nu.
Os sinos deixaram de dobrar em Portugal pela Liberdade e nós somos serventuários de um qualquer poder que artificialmente nos convence que somos Homens.
O 25 de Abril morre em Portugal todos os dias e o nosso silêncio sobre o que se passa em Cabinda é apenas mais um sinal da sua morte!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Portugal: uma democracia encerrada
A propósito do texto do João Pedro Dias:
1. Compreendo o que diz
2. Reforço a ideia de sermos um País do Atlântico, com particulares obrigações no âmbito da NATO, e não podermos descurar a vertente marítima da defesa nacional. Nesse sentido, e sou seguramente insuspeito para o afirmar, penso ter sido acertada a decisão do então ministro da Defesa, Paulo Portas, em querer dotar a Marinha portuguesa de meios modernos e eficientes que permitam o cabal cumprimento das suas missões.
3. Já quanto às negociações feitas eu sou dos muitos milhões que nada, ou quase nada sabem. Não sei se na época tínhamos condições financeiras para fazer o negócio; não sei se os consórcios escolhidos foram acertados; e não sei se estaríamos hoje em condições de o renunciar ou renegociar.
4. Só sei que há processos em curso. Cá e na Alemanha. E processos sobre os submarinos portugueses. E aqui, ao contrário do João Pedro (se bem o entendi), não tenho nenhuma expectativa quanto ao desfecho pelo lado português.Infelizmente sempre que as coisas metem a justiça e envolvem políticos nada se passa. Nem quem divulga as notícias é condenado por ter dado delas conhecimento, mesmo que depois a dita justiça diga nada ter ficado provado.
5. Uma coisa, no meio de tudo isto, é bizarra. Há senhores com níveis de vida faraónico e como me dizia há dias um ex-membro da direcção do CDS, não consta que tenham recebido nenhuma herança. Enfim...bagatelas só relevantes noutras incarnações.
Conclusão: nada sabemos. Somos uma democracia fechada, digo mesmo encerrada nos quintais e quartos de alguns. Dos que sabem o suficiente para impedir que os outros, os que também sabem, abram a boca.
1. Compreendo o que diz
2. Reforço a ideia de sermos um País do Atlântico, com particulares obrigações no âmbito da NATO, e não podermos descurar a vertente marítima da defesa nacional. Nesse sentido, e sou seguramente insuspeito para o afirmar, penso ter sido acertada a decisão do então ministro da Defesa, Paulo Portas, em querer dotar a Marinha portuguesa de meios modernos e eficientes que permitam o cabal cumprimento das suas missões.
3. Já quanto às negociações feitas eu sou dos muitos milhões que nada, ou quase nada sabem. Não sei se na época tínhamos condições financeiras para fazer o negócio; não sei se os consórcios escolhidos foram acertados; e não sei se estaríamos hoje em condições de o renunciar ou renegociar.
4. Só sei que há processos em curso. Cá e na Alemanha. E processos sobre os submarinos portugueses. E aqui, ao contrário do João Pedro (se bem o entendi), não tenho nenhuma expectativa quanto ao desfecho pelo lado português.Infelizmente sempre que as coisas metem a justiça e envolvem políticos nada se passa. Nem quem divulga as notícias é condenado por ter dado delas conhecimento, mesmo que depois a dita justiça diga nada ter ficado provado.
5. Uma coisa, no meio de tudo isto, é bizarra. Há senhores com níveis de vida faraónico e como me dizia há dias um ex-membro da direcção do CDS, não consta que tenham recebido nenhuma herança. Enfim...bagatelas só relevantes noutras incarnações.
Conclusão: nada sabemos. Somos uma democracia fechada, digo mesmo encerrada nos quintais e quartos de alguns. Dos que sabem o suficiente para impedir que os outros, os que também sabem, abram a boca.
Um «Tridente» de problemas
Sem nenhuma pompa, e com ainda menor circunstância, chegou ontem à Base Naval do Alfeite o primeiro dos dois submarinos adquiridos para modernizar a armada nacional. Em circunstâncias normais dir-se-ia ser um momento marcante e a assinalar. Portugal tem um «território marítimo» em progressão que é já o maior dos Estados europeus e os submarinos – a arma dos pobres – são quem garante melhor eficiência e relação custo/benefício. Seria, assim, um marco para as forças armadas portuguesas. Acontece, porém, que Portugal não vive circunstâncias normais: contas públicas profundamente desequilibradas, um défice orçamental de 9,3% considerado excessivo pelas regras europeias, endividando-se no exterior à razão de 2 M€/hora (!), crescendo economicamente a um ritmo quase nulo que coloca o país em permanente e contínua divergência com os seus parceiros europeus, com uma taxa de desemprego na casa dos 10% que atinge quase 600.000 portugueses, uma taxa de esforço fiscal sem igual ou paralelo na nossa história, tudo completado por um clima de permanente crise política.
Neste ambiente crítico, de crise e conturbado, o mínimo que se exigiria era que a manutenção da aquisição das duas embarcações tivesse sido amplamente discutida e objecto de profunda meditação. Não está em causa a sua utilidade ou a sua importância absoluta. Está em causa saber se o País comporta mais este encargo que se anuncia como responsável por mais um rombo nas contas públicas nacionais agravando o défice de 2010, 2011 e 2012 para lá do esperado e obrigando a novas e mais drásticas reduções na despesa pública ou, o mais provável, levando a novo aumento de impostos que evite a subida do défice, quando se sabe que, não havendo dinheiro para pagar tal aquisição ao consórcio alemão vendedor, a mesma terá de ser feita a crédito, com dinheiro pedido emprestado no exterior, quem sabe se a bancos alemães; e está em causa a importância relativa da referida aquisição, isto é, saber se não existiriam outras e mais prementes urgências a que fazer face pelo poder político. Governar é escolher e optar permanentemente sobre a afectação de recursos sempre escassos a necessidades sempre superiores.
Uma visão humanista e personalista da política coloca no topo das prioridades da governação as condições de vida, de dignidade e de realização das pessoas e dos cidadãos. Não renega a importância das políticas públicas, nomeadamente da defesa e da segurança nacionais. Mas não as erige em prioridade primeira da actuação do poder público. Essa foi a marca distintiva do império soviético – que privilegiou a defesa e o armamento militar, a segurança e o securitarismo, às concretas condições de vida dos cidadãos, criando uma sociedade segura de cidadãos pobres, famintos e carenciados. Não é essa a marca identificadora dos regimes políticos ocidentais.
Por isso, sem se entrar na discussão politiqueira em torno dos contratos de aquisição dos submarinos – sobre a qual a generalidade dos opinantes se pronuncia sem conhecer o seu concreto e específico conteúdo – que deve ser deixada para as instâncias adequadas, nomeadamente as judiciais naquilo que estão a investigar, não pode deixar de se referenciar e lamentar a falta de debate político sério sobre a oportunidade da manutenção de um negócio cuja dimensão e contornos teriam merecido aquele debate.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
´MÁRIO BETTENCOURT RESENDES
Fui eleito presidente do CDS, no mesmo ano em que Mário Bettencourt Resendes assume a direcção do Diário Notícias.
Foi pois com naturalidade que ao longo de seis anos acompanhei o seu trabalho. Sei ser fácil, porque comum, elogiar quem parte e esse não é o sentido deste meu texto.
Escrevo, evocando o jornalista agora desaparecido, apenas para dizer a alguns pretensos jornalistas uma coisa simples: tenham opinião, assumam-na, e vão perceber como se isso os torna independentes e respeitados.
Essa será a melhor homenagem que podem prestar ao Homem e ao Jornalista que agora nos deixa.
Foi pois com naturalidade que ao longo de seis anos acompanhei o seu trabalho. Sei ser fácil, porque comum, elogiar quem parte e esse não é o sentido deste meu texto.
Escrevo, evocando o jornalista agora desaparecido, apenas para dizer a alguns pretensos jornalistas uma coisa simples: tenham opinião, assumam-na, e vão perceber como se isso os torna independentes e respeitados.
Essa será a melhor homenagem que podem prestar ao Homem e ao Jornalista que agora nos deixa.
JUSTIÇA
Para se respeitar a Justiça é preciso que a Justiça se respeite a si própria.
Tudo o mais é conversa que não leva a nenhum lado...
Tudo o mais é conversa que não leva a nenhum lado...
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
TEMOS UM GRANDE GOVERNO!
Consegue resolver tudo na secretaria! A educação é má, há muita gente mal preparada que chumba?
Resolve-se acabando com os chumbos e instituindo umas aulas de recuparação e apoio que nunca hão-se resultar!
Mas pelo menos as estatísticas hão-de ser boas e teremos o ensino com a menor taxa de reprovação do mundo!
Os alunos ficarão mal preparados? Isso é conversa de mal-dizentes que só sabem criticar este garnde governo que temos!
Resolve-se acabando com os chumbos e instituindo umas aulas de recuparação e apoio que nunca hão-se resultar!
Mas pelo menos as estatísticas hão-de ser boas e teremos o ensino com a menor taxa de reprovação do mundo!
Os alunos ficarão mal preparados? Isso é conversa de mal-dizentes que só sabem criticar este garnde governo que temos!
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