Conheci pessoalmente Passos Coelho quando ele era secretário - geral da JSD, mas foi em casa do Luis Coimbra, um fundador do PPM, que mais com ele conversei.Num serão, em que participaram também o Paulo Teixeira Pinto e vários professores universitários. Eles tinham fundado o "Pensar Portugal", um movimento de reflexão, que analisava a possibilidade de pedir um referendo sobre os Tratados europeus. A conversa juntou monárquicos, republicanos, sociais - democratas, liberais e conservadores. Todos com pensamentos diferentes sobre muitos aspectos da vida política, mas com preocupações, e até sensibilidades, muito próximas sobre o futuro de Portugal enquanto Estado livre, forte, autónomo e independente.
Passos Coelho soube ouvir e perguntar, sem deixar de dizer o que pensava. Apreciei a sua lisura, a sua capacidade de argumentação e o elevado grau de conhecimentos (não sendo ele um jurista), das normas constantes dos Tratados. Mas mais do que tudo, e já lá vão cerca de sete anos, percebi estar diante alguém com ideias muito precisas sobre o país. Convicto da sua ligação partidária, sem dela depender na sua vida pessoal e profissional, soube no diálogo mantido ter a consciência de que há temas, momentos e objectivos que ultrapassam os muros das filiações.
Eu não sou do PSD, nem para ele estou em trânsito. Sou um conservador político e um defensor da Europa das Nações. Aos 13 anos comecei a militância na Juventude Centrista, organização da qual fui presidente, durante quatro anos, e em 1992 fui eleito presidente do CDS, que mais tarde adoptaria, por meu impulso e proposta, o nome de Partido Popular. Em finais de 2003 participei na fundação do Partido da Nova Democracia, a que também presidi até Janeiro de 2009. Sou, acima de tudo, um português livre, consciente de que os partidos são sempre meios ao serviço de valores, de princípios, de ideias, de propostas e de fins. Foi em nome dessa liberdade que estive no CDS - PP e que dele saí para fundar o PND. Nunca me movi por arranjos de poder e o tacticismo nunca pesou nada nas minhas opções e decisões.
Enquanto jovem fui um entusiasta da AD de Sá Carneiro, de Amaro da Costa, de Freitas do Amaral, de Ribeiro Teles e de tantos outros, ainda enquanto jovem, e em representação da JC, militei na campanha do Prá Frente Portugal e mais tarde do General Soares Carneiro. Conheci a política enquanto movimento de Causas e percebi como os Ideais são importantes na mobilização. Sempre busquei a síntese entre o realismo e o idealismo, mas não prescindo de dizer o que penso politicamente sempre que isso corresponda a uma manifestação da minha vontade.
Quando liderei o PP percebi como apesar da democracia formal, continuamos com um regime de "castas" encobertas, dissimuladas, auto - protegidas, zelosas dos seus privilégios e pergaminhos. Comportam - se como donas do Estado, dos partidos, do mercado e das vias de acesso aos lugares cimeiros. Noutros tempos chamavam - lhe a "corte", hoje são o sistema e de forma hábil, pensada, planeada, decidem quem deve presidir, quando e em que circunstâncias. Tal como no passado em relação a muitos, também hoje se movimentam contra Passos Coelho temendo a sua autonomia, desconfiando da sua liberdade.
Essas "castas" são fortes com qualquer governo e o passaporte que possuem dá - lhes para transitar, sempre e com a mesma liberdade, seja qual for o Presidente da República, o Primeiro - Ministro ou o partido liderante. Não querem a mudança e detestam a possibilidade dos partidos terem na sua direcção pessoas que delas não dependam. São a um tempo abutres e coveiras da democracia, esquecendo que só se geram alternativas quando há pessoas que admiramos e que respeitamos na acção política, mesmo que com elas não concordemos ou até que nelas nem votemos. A divergência de ideias não é incompatível com o respeito e a admiração pelos adversários.
Nada devo a Passos Coelho e dele discordo em muito mas espero, para o bem da democracia e para o futuro de Portugal, que seja escolhido para liderar o PSD.Espero e desejo que a verticalidade, a coerência, a sensatez e a determinação que testemunhei em casa do Luis Coimbra, o acompanhem nesta sua caminhada.
segunda-feira, 15 de março de 2010
A metodologia do tabefe 2
Era inevitável.
O Professor da Escola de Azeitão que não lê pela cartilha do eduquês, acaba de ser constituído arguido em processo disciplinar que o Ministério da Educação lhe instaurou.
O que dirá o Sindicato?
Quem tem filhos em idade escolar sabe que, enquanto isso, muitos outros "professores" vão fingindo que ensinam e têm garantida a avaliação de "Bom".
Com a benção do Sindicato.
O Professor da Escola de Azeitão que não lê pela cartilha do eduquês, acaba de ser constituído arguido em processo disciplinar que o Ministério da Educação lhe instaurou.
O que dirá o Sindicato?
Quem tem filhos em idade escolar sabe que, enquanto isso, muitos outros "professores" vão fingindo que ensinam e têm garantida a avaliação de "Bom".
Com a benção do Sindicato.
domingo, 14 de março de 2010
É PRECISO É TER LATA!
A aldrabona candidata-se a deputada pelo círculo de Lisboa, indica uma morada em Lisboa e depois quer que lhe paguem as viagens para Paris, onde efectivamente mora(va).
E ainda por cima reforça a sua moralidade duvidosa ao declarar "Se Sócrates mentiu, nem acho que seja muito grave".
É gente desta que tem descredibilizado completamente a política! Ainda por cima é vice-presidente do grupo parlamentar do PS!
A Fiscalização Preventiva da Lei sobre casamento entre homossexuais
Exercendo um direito que lhe assiste, o Presidente da República pediu ao Tribunal Constitucional que se pronuncie sobre a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não se contesta o exercício do direito, tão pouco a oportunidade do mesmo, mas espera-se que, seja qual for a decisão dos juízes constitucionais, o Chefe de Estado diga de sua justiça sobre a lei em apreço. Seria incompreensivel se não tomasse posição numa matéria desta natureza, principalmente quando muitos milhares de portugueses solicitaram a realização de um referendo.
sábado, 13 de março de 2010
Cavaco Silva e a Agricultura
À margem do congresso do PSD, o Presidente da República disse hoje, em Beja, que Portugal deve apostar no desenvolvimento da Agricultura. Foi mesmo ao ponto de chamar a atenção para o facto de sermos deficitários e dependentes em matéria alimentar. Fez bem! Fez bem em focar este assunto e colocá -lo na agenda das prioridades nacionais. Mas da mesma forma que louvo a sua iniciativa, e as suas palavras, também tenho de recordar o que de negativo foi feito logo após a adesão à CEE, na política agrícola portuguesa. Eu sei que a memória é coisa curta na política e que ter razão antes de tempo é um exercício eleitoral inglório. Ainda assim não posso esquecer, ainda que alguns já não se recordem, que nessa época, bem como no inicio da década de 90, mais concretamente entre 1992 e 1996, lancei campanhas a favor da Lavoura portuguesa, combati a PAC alertando para os maleficios que iria provocar à nossa produção e protestei contra a "venda" da agricultura por troca de fundos para a construção de estradas. Nessa época governava Cavaco Silva, era primeiro - ministro, e os seus ouvidos foram surdos ao muito que se disse e propôs neste campo. Foi após a adesão à CEE, pela forma como negociamos a entrada, que iniciamos o caminho da destruição da agricultura nacional. Hoje pode ser mais importante encontrarmos forma para sair da crise, mas mal andamos quando não se assumem as responsabilidades políticas pelo estado a que chegamos. Na época foram antecipados períodos de transição, alterados prazos para a livre circulação de produtos agrícolas e com isso combateu - se a possibilidade de modernização e crescimento da Lavoura e dos Lavradores portugueses. Agora é fácil falar, todavia houve um tempo em que havia mais tempo para termos evitado muito do mal que hoje temos em casa.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Ruptura ou Estrutura? por JOSÉ LUÍS MATEUS, Gestor e Fundador do MOVIMENTO DOURO LITORAL
No Portugal de hoje, a Sociedade não o é.
A sua etimologia vem do latim "societas" que designava uma associação amistosa com outros, com os "socius". A génese conceptual da Sociedade - a partilha, perdeu-se e tem vindo a ser vilipendiada por parte dos Estados que deveriam ter como indiscutível prioridade a partilha do bem-estar cívico.
Este Estado português é o paradigma da estrutura caduca, alicerçada num grande número de governantes, com qualificações muito pouco credíveis para o exercício dos cargos que ocupam.
Mais grave, é que no futuro, estes nunca poderão ser chamados a prestar contas num tribunal respondendo pelos dados causados à Pátria, pela simples razão de que qualquer juíz (isento) os consideraria inimputáveis, o que facilmente seria corroborado por relatório clínico, se tal fosse solicitado.
Esta Estrutura já não muda "por dentro". Está solidamente enraizada e há demasiados portugueses que dependem dela.
A oportunidade de se realizar a Ruptura está bem perto; muitos dos que se alimentam directa ou indirectamente do Orçamento de Estado sem que contribuam minimamente para o bem-comum, estão em vias de perder o seu "lugar à mesa" por falta de condições financeiras para os manter.
Quando tal acontecer, o povo português terá uma oportunidade (em referendos e / ou eleições) de fazer a diferença e mudar esta Sociedade que já não o é.
A sua etimologia vem do latim "societas" que designava uma associação amistosa com outros, com os "socius". A génese conceptual da Sociedade - a partilha, perdeu-se e tem vindo a ser vilipendiada por parte dos Estados que deveriam ter como indiscutível prioridade a partilha do bem-estar cívico.
Este Estado português é o paradigma da estrutura caduca, alicerçada num grande número de governantes, com qualificações muito pouco credíveis para o exercício dos cargos que ocupam.
Mais grave, é que no futuro, estes nunca poderão ser chamados a prestar contas num tribunal respondendo pelos dados causados à Pátria, pela simples razão de que qualquer juíz (isento) os consideraria inimputáveis, o que facilmente seria corroborado por relatório clínico, se tal fosse solicitado.
Esta Estrutura já não muda "por dentro". Está solidamente enraizada e há demasiados portugueses que dependem dela.
A oportunidade de se realizar a Ruptura está bem perto; muitos dos que se alimentam directa ou indirectamente do Orçamento de Estado sem que contribuam minimamente para o bem-comum, estão em vias de perder o seu "lugar à mesa" por falta de condições financeiras para os manter.
Quando tal acontecer, o povo português terá uma oportunidade (em referendos e / ou eleições) de fazer a diferença e mudar esta Sociedade que já não o é.
quinta-feira, 11 de março de 2010
11 de Março
São extraordinárias estas declarações de Vasco Lourenço http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=165378
Faz hoje 35 anos, estudava eu no 3.º ano (actual 7.º ano) do Colégio Militar, que se deu o "11 de Março". Nesse dia e nos dias seguintes que conduziram o país ao "Verão Quente" desse ano, Portugal mergulhou mais fundo numa onda avassaladora de extremismo esquerdista, com nacionalizações e ocupações indiscriminadas (não digo selvagens, porque isso é um pleonasmo...), saneamentos e prisão de cidadãos cujo único "crime" era serem contra o desvario reinante, a indisciplina que grassava e a desordem instalada.
As consequências dessa loucura revolucionária ainda hoje se fazem sentir, designadamente pelos espartilhos introduzidos na Constituição, que perduram, designadamente em matéria de política económica. Portugal foi então lançado numa deriva radical que só foi "moderada" em 25 de Novembro.
É pois, muito engraçado, ver Vasco Lourenço apontar as culpas a Spínola, militar patriota e generoso, destemido e impoluto, cujo único erro foi, porventura, ter-se demitido a 28 de Setembro do ano anterior e não ter conseguido a partir das funções de Presidente da República, que ocupava, estancar o que já então estava em marcha, com o beneplácito de muitos que hoje já esqueceram as arbitrariedades que consentiram.
Só uma curiosidade: 1975 ficou para os anais da história do Colégio como "o ano da balda"..., porque seria?
Faz hoje 35 anos, estudava eu no 3.º ano (actual 7.º ano) do Colégio Militar, que se deu o "11 de Março". Nesse dia e nos dias seguintes que conduziram o país ao "Verão Quente" desse ano, Portugal mergulhou mais fundo numa onda avassaladora de extremismo esquerdista, com nacionalizações e ocupações indiscriminadas (não digo selvagens, porque isso é um pleonasmo...), saneamentos e prisão de cidadãos cujo único "crime" era serem contra o desvario reinante, a indisciplina que grassava e a desordem instalada.
As consequências dessa loucura revolucionária ainda hoje se fazem sentir, designadamente pelos espartilhos introduzidos na Constituição, que perduram, designadamente em matéria de política económica. Portugal foi então lançado numa deriva radical que só foi "moderada" em 25 de Novembro.
É pois, muito engraçado, ver Vasco Lourenço apontar as culpas a Spínola, militar patriota e generoso, destemido e impoluto, cujo único erro foi, porventura, ter-se demitido a 28 de Setembro do ano anterior e não ter conseguido a partir das funções de Presidente da República, que ocupava, estancar o que já então estava em marcha, com o beneplácito de muitos que hoje já esqueceram as arbitrariedades que consentiram.
Só uma curiosidade: 1975 ficou para os anais da história do Colégio como "o ano da balda"..., porque seria?
11 de Março
Passam hoje 35 anos sobre uma das datas mais trágicas da história de Portugal.
Uma data que marcou a época em que ocorreu e que continua a contribuir fortemente para o descalabro do país.
Com efeito, há 35 anos, com as nacionalizações do PREC o Estado começou em Portugal a crescer e desde então não mais parou. É certo que com algumas privatizações entretanto ocorridas o Estado já não é dono de nenhuma florista (como ocorreu em 1975) e desfez-se de algumas empresas de áreas onde nunca deveria sequer ter entrado. Mas o seu peso não tem deixado de aumentar.
A esse aumento de peso do Estado na sociedade portuguesa não correspondeu de forma alguma um aumento do bem-estar da população portuguesa, à excepção da classe política e de mais algumas clientelas que têm sido beneficiadas por esta ao longo dos anos.
A coberto de (pretensas) boas intenções, o Estado imiscui-se em cada vez mais áreas, esbanjando dinheiro que mais cedo ou mais tarde vai ter de ser coberto por alguém. E como se está já a ver, com o chamado PEC, esse alguém vai ser a classe média, que tão sacrificada tem sido.
Até quando?
Uma data que marcou a época em que ocorreu e que continua a contribuir fortemente para o descalabro do país.
Com efeito, há 35 anos, com as nacionalizações do PREC o Estado começou em Portugal a crescer e desde então não mais parou. É certo que com algumas privatizações entretanto ocorridas o Estado já não é dono de nenhuma florista (como ocorreu em 1975) e desfez-se de algumas empresas de áreas onde nunca deveria sequer ter entrado. Mas o seu peso não tem deixado de aumentar.
A esse aumento de peso do Estado na sociedade portuguesa não correspondeu de forma alguma um aumento do bem-estar da população portuguesa, à excepção da classe política e de mais algumas clientelas que têm sido beneficiadas por esta ao longo dos anos.
A coberto de (pretensas) boas intenções, o Estado imiscui-se em cada vez mais áreas, esbanjando dinheiro que mais cedo ou mais tarde vai ter de ser coberto por alguém. E como se está já a ver, com o chamado PEC, esse alguém vai ser a classe média, que tão sacrificada tem sido.
Até quando?
PEC
Do que conhecemos do PEC, trata-se de um instrumento de política económica claramente de natureza socialista: agravamento dos impostos a pagar (não é um aumento de impostos, não...é lá agora), por via da diminuição das deduções com despesas de saúde e de educação (neste caso verdadeiramente a denominação mais correcta seria investimento e não despesa...mas a própria designação encerra em si mesma toda uma visão!) e da criação de um novo escalão de IRS em que os cidadãos que nele se inserirem entregarão ao Estado mais de metade da sua remuneração, ainda que fruto do seu trabalho por conta de outrem ou em regime de profissão liberal. Uma achega ao crescimento e um forte incentivo ao trabalho e ao esforço, é bom de ver.
Perante este quadro, é claro que se o PSD e o CDS, que se reclamam do espaço não socialista, invocarem o superior interesse nacional, o seu sentido de responsabilidade, etc., etc., etc., o PEC passará (neste dia 11 de Março de há precisamente 35 anos, gritava-se a reacção não passará...e sabe-se o que se veio a passar...).
Por outro lado, cabe lembrar que se em 1985 Cavaco Silva tivesse afinado por esse diapasão do politicamente correcto e não tivesse sobreposto as suas convicções, os seus valores e a sua intuição política (ainda que diga que não é um político...) "ao sentido da responsabilidade", rompendo com o apoio do PSD a um Governo de Bloco Central, provavelmente jamais teria sido Primeiro Ministro...
O PEC alternativo que gostaria de ver o PSD e o CDS a defender, subjacente a um projecto político portador de mudança (mas mudança efectiva e não a que tem por objectivo com que tudo fique na mesma...) assentaria, por exemplo, em acabar com os princípios da gratuitidade dos serviços públicos na saúde e na educação. Em redefinir as funções do Estado, rompendo com o socialismo colectivista consignado na Constituição que asfixia cidadãos e empresas. Em promover uma consistente e radical diminuição de impostos que dinamize o crescimento económico. Em racionalizar as autarquias locais, infligindo-lhe uma profunda alteração no número de câmaras, freguesias e autarcas. Enfim, em atacar a receita do Estado, diminuindo-a, para que obrigatoriamente a despesa se reduza. É por isso que não estou de acordo que o problema esteja na despesa. O problema está sim na receita e, enquanto esta não diminuir, é claro que a despesa não baixa.
Perante este quadro, é claro que se o PSD e o CDS, que se reclamam do espaço não socialista, invocarem o superior interesse nacional, o seu sentido de responsabilidade, etc., etc., etc., o PEC passará (neste dia 11 de Março de há precisamente 35 anos, gritava-se a reacção não passará...e sabe-se o que se veio a passar...).
Por outro lado, cabe lembrar que se em 1985 Cavaco Silva tivesse afinado por esse diapasão do politicamente correcto e não tivesse sobreposto as suas convicções, os seus valores e a sua intuição política (ainda que diga que não é um político...) "ao sentido da responsabilidade", rompendo com o apoio do PSD a um Governo de Bloco Central, provavelmente jamais teria sido Primeiro Ministro...
O PEC alternativo que gostaria de ver o PSD e o CDS a defender, subjacente a um projecto político portador de mudança (mas mudança efectiva e não a que tem por objectivo com que tudo fique na mesma...) assentaria, por exemplo, em acabar com os princípios da gratuitidade dos serviços públicos na saúde e na educação. Em redefinir as funções do Estado, rompendo com o socialismo colectivista consignado na Constituição que asfixia cidadãos e empresas. Em promover uma consistente e radical diminuição de impostos que dinamize o crescimento económico. Em racionalizar as autarquias locais, infligindo-lhe uma profunda alteração no número de câmaras, freguesias e autarcas. Enfim, em atacar a receita do Estado, diminuindo-a, para que obrigatoriamente a despesa se reduza. É por isso que não estou de acordo que o problema esteja na despesa. O problema está sim na receita e, enquanto esta não diminuir, é claro que a despesa não baixa.
quarta-feira, 10 de março de 2010
ISTO É PIOR DO QUE COMUNISMO
A classe média vai uma vez mais ser penalizada. Ano após ano, a vontade de a destruir é total. Quem trabalha e tenta progredir está simplesmente tramado... e se, por ironia do acaso, possuir algum bem (um andar, uma loja...) então a sua desgraça é total. Como diz um amigo meu "isto é pior do que comunismo" e eu começo a dar - lhe razão. E já não sei se a revolta falada é suficiente.
terça-feira, 9 de março de 2010
O PEC mentiroso - artigo de JOÃO PEDRO SIMÕES DIAS, especialista em Direito Comunitário e analista político no Rádio Clube Português
Durante muitas semanas o país andou suspenso do anúncio do Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo tem de apresentar à Comissão Europeia para corrigir as derrapagens e derivas promovidas pelo próprio Governo ao longo do último ano – que, fruto das políticas públicas seguidas por causa e com o pretexto da crise económica internacional, conduziram o país a uma violação grosseira das regras da convergência a que estão vinculados os países que têm o euro como moeda comum, nomeadamente a dívida pública (onde os quase 85% nacionais se distanciam dos 60% permitidos na zona euro) e o défice orçamental (admitido num valor até 3% quando, entre nós, tal valor se cifrou em 9,3%).
Finalmente, ao fim de muitas semanas de adiamento, o Governo anunciou as principais medidas estruturantes do dito Programa de Estabilidade e Crescimento. Pretendendo salvar muito do mal feito, do pouco que se conhece do documento, as medidas anunciadas em quase nada se distinguem daquilo que os especialistas vinham antecipando: os salários da administração pública irão diminuir em termos reais; regressará a regra de uma admissão na função pública por cada dois funcionários que se reformem; os impostos irão subir não por efeito do aumento das taxas mas por via da drástica redução dos benefícios fiscais; as SCUTS irão ser portajadas; as mega-obras públicas irão ser adiadas por 2 anos (eufemismo para anunciar a sua suspensão) com excepção da linha do TGV Lisboa-Madrid que, pelo facto de já estar parcialmente adjudicada, se fosse suspensa iria custar mais dinheiro em indemnizações do que custará a continuidade da sua construção; as mais-valias bolsistas irão ser tributadas em 20%; em sede de IRS cria-se um novo escalão de 45% para quem ganhar mais de 150.000€/ano. Concatenando as medidas apresentadas e os seus destinatários, percebe-se com mediana clareza que, uma vez mais, irá ser a classe média a ter de apertar drasticamente o cinto, cabendo-lhe, mais uma vez, pagar a crise.
Poucas dúvidas haverá que estaremos perante um dos mais drásticos e dramáticos agravamentos das condições de vida que, em democracia, os portugueses irão sofrer. Agravamento talvez com paralelo apenas naquele que nos anos 80 foi imposto ao país pelo FMI. Significa isto que, cumprindo o trajecto dos últimos anos, seguramente continuaremos a empobrecer e a divergir da UE. Cada vez mais pobres e cada vez mais distantes do nível médio de vida da UE. E convirá aqui recordar que, quaisquer que sejam os critérios a que recorramos, no plano da UE já hoje fomos ultrapassados por muitos dos Estados que, há apenas e tão-só 20 anos, constituíam a parte pobre da Europa, a Europa saída do comunismo, cuja pobreza era tal e tanta que muitos sustentavam que nem sequer reuniam condições para, sequer, encararem a possibilidade de aderir à União. Pois bem, muitos desses Estados fizeram o seu caminho, aplicaram políticas públicas correctas e hoje já nos ultrapassaram. Somos, cada vez mais, dos mais pobres da União.
Mas o problema que motiva esta reflexão reside noutro aspecto que, infelizmente, não tenho visto discutido na comunicação social nem ser objecto de questão apropriada a quem de direito – e que é o seguinte:
Com todas as medidas anunciadas, com todo o apertar de cinto referido, que resultados se propõe o Governo alcançar? O Primeiro-Ministro respondeu, quando anunciou ao país as linhas gerais deste PEC: pretende reduzir o défice orçamental, num ano, em um ponto percentual. Ou seja, pretende que no final de 2010 o país tenha um défice de 8,3%. Ora, se todas estas medidas draconianas apenas terão como consequência baixar o défice orçamental em um ponto percentual, que outras medidas terão de ser tomadas, até 2013, para baixar esse mesmo défice em mais 5,3%? Esperará o Governo alcançar tal desiderato apenas como consequência do crescimento económico do país e da correspectiva subida da receita fiscal daí adveniente? Os peritos que têm estudado a sério a economia portuguesa dizem-nos que para isso ser verdade o País teria de crescer, nos próximos anos, a taxas anuais superiores a 4%. Se levarmos em consideração que, nos últimos 4 anos, não conseguimos crescer, no total, sequer 3%, vê-se o quão ilusório e mirífico ainda é o cenário que nos é apresentado. Isto, pese embora o seu dramatismo e as suas cores sombrias.
Estamos, pois, perante um PEC que nos promete fazer sair da crise mas certamente se irá revelar insuficiente para tal. E porquê? Fundamentalmente porque o Governo optou por, uma vez mais, adiar as verdadeiras medidas que aliviem a despesa do Estado, centrando as suas atenções no aumento da receita, isto é, na forma como há-de penalizar, tributar e, em alguns casos, esbulhar os cidadãos.
Estamos, assim, ante um PEC mentiroso. Um PEC digno dum Governo cujo Primeiro-Ministro já se deve estar a preparar para enfrentar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República que irá averiguar se esse mesmo Primeiro-Ministro mentiu, ou não, ao Parlamento. Em suma, estão bem um para o outro – este PEC para este Primeiro-Ministro.
Finalmente, ao fim de muitas semanas de adiamento, o Governo anunciou as principais medidas estruturantes do dito Programa de Estabilidade e Crescimento. Pretendendo salvar muito do mal feito, do pouco que se conhece do documento, as medidas anunciadas em quase nada se distinguem daquilo que os especialistas vinham antecipando: os salários da administração pública irão diminuir em termos reais; regressará a regra de uma admissão na função pública por cada dois funcionários que se reformem; os impostos irão subir não por efeito do aumento das taxas mas por via da drástica redução dos benefícios fiscais; as SCUTS irão ser portajadas; as mega-obras públicas irão ser adiadas por 2 anos (eufemismo para anunciar a sua suspensão) com excepção da linha do TGV Lisboa-Madrid que, pelo facto de já estar parcialmente adjudicada, se fosse suspensa iria custar mais dinheiro em indemnizações do que custará a continuidade da sua construção; as mais-valias bolsistas irão ser tributadas em 20%; em sede de IRS cria-se um novo escalão de 45% para quem ganhar mais de 150.000€/ano. Concatenando as medidas apresentadas e os seus destinatários, percebe-se com mediana clareza que, uma vez mais, irá ser a classe média a ter de apertar drasticamente o cinto, cabendo-lhe, mais uma vez, pagar a crise.
Poucas dúvidas haverá que estaremos perante um dos mais drásticos e dramáticos agravamentos das condições de vida que, em democracia, os portugueses irão sofrer. Agravamento talvez com paralelo apenas naquele que nos anos 80 foi imposto ao país pelo FMI. Significa isto que, cumprindo o trajecto dos últimos anos, seguramente continuaremos a empobrecer e a divergir da UE. Cada vez mais pobres e cada vez mais distantes do nível médio de vida da UE. E convirá aqui recordar que, quaisquer que sejam os critérios a que recorramos, no plano da UE já hoje fomos ultrapassados por muitos dos Estados que, há apenas e tão-só 20 anos, constituíam a parte pobre da Europa, a Europa saída do comunismo, cuja pobreza era tal e tanta que muitos sustentavam que nem sequer reuniam condições para, sequer, encararem a possibilidade de aderir à União. Pois bem, muitos desses Estados fizeram o seu caminho, aplicaram políticas públicas correctas e hoje já nos ultrapassaram. Somos, cada vez mais, dos mais pobres da União.
Mas o problema que motiva esta reflexão reside noutro aspecto que, infelizmente, não tenho visto discutido na comunicação social nem ser objecto de questão apropriada a quem de direito – e que é o seguinte:
Com todas as medidas anunciadas, com todo o apertar de cinto referido, que resultados se propõe o Governo alcançar? O Primeiro-Ministro respondeu, quando anunciou ao país as linhas gerais deste PEC: pretende reduzir o défice orçamental, num ano, em um ponto percentual. Ou seja, pretende que no final de 2010 o país tenha um défice de 8,3%. Ora, se todas estas medidas draconianas apenas terão como consequência baixar o défice orçamental em um ponto percentual, que outras medidas terão de ser tomadas, até 2013, para baixar esse mesmo défice em mais 5,3%? Esperará o Governo alcançar tal desiderato apenas como consequência do crescimento económico do país e da correspectiva subida da receita fiscal daí adveniente? Os peritos que têm estudado a sério a economia portuguesa dizem-nos que para isso ser verdade o País teria de crescer, nos próximos anos, a taxas anuais superiores a 4%. Se levarmos em consideração que, nos últimos 4 anos, não conseguimos crescer, no total, sequer 3%, vê-se o quão ilusório e mirífico ainda é o cenário que nos é apresentado. Isto, pese embora o seu dramatismo e as suas cores sombrias.
Estamos, pois, perante um PEC que nos promete fazer sair da crise mas certamente se irá revelar insuficiente para tal. E porquê? Fundamentalmente porque o Governo optou por, uma vez mais, adiar as verdadeiras medidas que aliviem a despesa do Estado, centrando as suas atenções no aumento da receita, isto é, na forma como há-de penalizar, tributar e, em alguns casos, esbulhar os cidadãos.
Estamos, assim, ante um PEC mentiroso. Um PEC digno dum Governo cujo Primeiro-Ministro já se deve estar a preparar para enfrentar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República que irá averiguar se esse mesmo Primeiro-Ministro mentiu, ou não, ao Parlamento. Em suma, estão bem um para o outro – este PEC para este Primeiro-Ministro.
O PEC
Atarefados em saber como saímos da situação em que estamos, poucos se preocupam em perceber como aqui chegámos. Nem uma palavra, uma que fosse, para assumir os erros, as estrátégias erradas, as opções falhadas, os caminhos mal escolhidos. E não faria mal a ninguém se a tivessem dito. Não faria mal se tivessemos a humildade de reconhecer como procedemos erradamente, quando após a adesão à CEE vendemos a agricultura, as pescas, a valorização do que já sabiamos fazer; não faria mal se tivessemos a humildade de perceber que a aposta desenfreada no sector da construção e das obras públicas, nos atrasou irremediavelmente em muitos outros sectores; não faria mal se tivessemos a coragem de assumir que regredimos, em vez de avançar, na educação; não faria mal se tivessemos a frontalidade de perceber que durante muitos anos subimos, mas nunca crescemos.
E enquanto não formos capazes de fazer este simples exercício dificilmente conquistaremos o futuro.
E enquanto não formos capazes de fazer este simples exercício dificilmente conquistaremos o futuro.
domingo, 7 de março de 2010
NEM SO DE PAO VIVE O HOMEM… - Artigo do PADRE CONGO, de CABINDA
Este é um apotegma bíblico. Aparece num contexto em que Jesus, depois de um prolongado jejum, se vê confrontado com três provocações: orgia, poder e sobranceria. Ora, estas três provocações que, em linguagem popular, chamaríamos de tentações, poderiam ter uma série de leituras, se tivermos como base hermenêutica o elemento sociopolítico. A estes três engulhos ajuntaríamos: despesismo, autoritarismo e elitismo.
Esta máxima é incompleta se não se lhe acrescentar (…) mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Podemos, evidentemente, eliminar toda a referência religiosa, ficando apenas : mas de toda a Palavra.
Palavra, dabar (hebraico), princípio e força de criar; Palavra, lógos, (grego) a base de qualquer discurso válido (estruturação e conteúdo). Ora, todo o termo com lógos opõe-se aos derivados do ismo. Enquanto em lógos confrontamo-nos com o pensamento positivo e com a preocupação de encontrar os fundamentos de toda e qualquer afirmação, nos ismos, porém, temos os mais variados desvarios que grassam pela terra dos homens (racismo, fascismo, totalitarismo, terrorismos etc).
O mundo e, sobretudo, este homem, numa sociedade concreta, longe das abstracções e dos nominalismos estéreis, teve sempre à sua frente a tentação de fugir à coerência do lógos, que exige a dialéctica, para pautar o seu modus pensandi e actuandi em derivados do ismo. É mais fácil. É mais cómodo. Não é preciso cogitar. Não é necessário formular e reformular estratégias de diálogo com o OUTRO, com quem deve ter uma relação (Emmanuel Mounier e Gabriel Marcel). Aqui surge a preocupação não só em decapitar o nosso aforismo, como em desvirtuá-lo: não só do pão vive o homem… (para) só do pão vive o homem. É esta lógica sem lógica que capitaneia o mundo actual e perpassa em tudo onde o homem põe a sua mão. O interesse, por isso, torna-se o elemento fundante de qualquer actividade humano.
As consequências são funestas. Tudo é relativizado: o Homem e as experiências comprovadas de praxis política e organização social que dignificaram o Homem. Assim, a democracia só tem valor se a economia vai de vento em popa; que ela não deve ser importada; não enche estômagos, que cada povo pode ter a sua e as eleições, mesmo à força do baton e da tricheria, são sempre, para os observadores do mundo branco, livres e justas.
Ao retirar-se a ética da política, elimina-se a sua dimensão antropológica para, simplesmente, se tornar em arte da diplomacite, das negociatas e dos barões. Isto explica a falta de diferença entre as políticas dos governos ocidentais seja qual for a ideologia que professem e quão obsoleto é a linguagem direita-esquerda. É, neste ambiente, onde só de pão vive o homem, que as ditaduras, que movem um fiore di soldi, são camisola-amarela e têm pódio nas capitais do homem-livre. Podem justificar, despudoradamente, por que prendem arbitrariamente, violem, matem, esfolem, fazem leis para blindarem a sua prole, amigalhaços, a si próprios e açambarcam o que é de todos, porque, doutro lado, estão funcionários da política com medo de perder mercados e insensíveis ao pranto dos oprimidos. Neste cenário tétrico, onde ditadores altivos têm o abraço afectuoso de eleitos subservientes e cabisbaixos, urge reintroduzir Deus, às vezes, silencioso demais, para humanizar estes deuses que se divertem em destruir o Homem.
Padre CONGO, Cabinda, 7 de Março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Bloco no sistema
Soubemos hoje que o Bloco já tem a sua Sede nacional, convenientemente instalada num palacete sistemicamente adquirido com recurso a um dos instrumentos do capitalismo (no caso, do capitalismo de Estado).
A metodologia do tabefe
O Jornal de Azeitão deu a conhecer e o Expresso fez eco da história de um professor da Escola Secundária local que, com autorização dos pais, aplica a "metodologia do tabefe" aos alunos mais irrequietos.
Parece que nunca chegou a dar nenhum - bastou os "meninos" saberem da possibilidade de levarem um tabefe, aplicado no momento certo e por razões que os próprios bem saberão, para andarem na ordem.
É exactamente disto que se trata: de ordem na escola.
Para que esta cumpra a sua missão: ensinar, em vez de ser local de recreio e de convivio.
Para que seja o local onde se formam as gerações futuras com o rigor e a disciplina necessária
para que todas as classes, e não apenas os filhos das classes mais favorecidas, possam ambicionar a sua promoção social.
Ah, falta dizer que os guardiões locais do eduquês logo reagiram com uma queixa na DREL contra o Professor, que foi instado a explicar-se.
Claro que este Professor não vai conseguir ser avaliado positivamente pelo sistema mas como acredito que seja um professor "à antiga", que ensina por vocação e consciente do seu papel, será reconhecido por todos os que passarem pela sua sala de aula.
Parece que nunca chegou a dar nenhum - bastou os "meninos" saberem da possibilidade de levarem um tabefe, aplicado no momento certo e por razões que os próprios bem saberão, para andarem na ordem.
É exactamente disto que se trata: de ordem na escola.
Para que esta cumpra a sua missão: ensinar, em vez de ser local de recreio e de convivio.
Para que seja o local onde se formam as gerações futuras com o rigor e a disciplina necessária
para que todas as classes, e não apenas os filhos das classes mais favorecidas, possam ambicionar a sua promoção social.
Ah, falta dizer que os guardiões locais do eduquês logo reagiram com uma queixa na DREL contra o Professor, que foi instado a explicar-se.
Claro que este Professor não vai conseguir ser avaliado positivamente pelo sistema mas como acredito que seja um professor "à antiga", que ensina por vocação e consciente do seu papel, será reconhecido por todos os que passarem pela sua sala de aula.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Governar
É com alguma perplexidade que observo que a consequência que os principais dirigentes de todos os partidos da oposição retiram da chuva de fortes e severas críticas com que fustigam o Governo e o Primeiro Ministro, designadamente de que a orientação imprimida à governação está a levar o país para o passo à frente do precípicio, é a de que o Governo deve continuar a governar...
Custa-me aceitar que, sendo estas críticas genuínas e assentes em pressupostos sérios, se peça ao Governo que conduza Portugal ao abismo.
No meio de tudo o que tenho visto, ouvido e lido, aparentemente apenas uma voz, de entre as que têm ou terão brevemente responsabilidades partidárias de primeiro nível, rema, ainda que timidamente, contra esta corrente.
Espero que se Pedro Passos Coelho conseguir ganhar a liderança do PSD, não se venha a refugiar na moderação, no interesse nacional e em outros aspectos que configuram a denominada "langue du bois" para pedir a manutenção deste Governo.
Custa-me aceitar que, sendo estas críticas genuínas e assentes em pressupostos sérios, se peça ao Governo que conduza Portugal ao abismo.
No meio de tudo o que tenho visto, ouvido e lido, aparentemente apenas uma voz, de entre as que têm ou terão brevemente responsabilidades partidárias de primeiro nível, rema, ainda que timidamente, contra esta corrente.
Espero que se Pedro Passos Coelho conseguir ganhar a liderança do PSD, não se venha a refugiar na moderação, no interesse nacional e em outros aspectos que configuram a denominada "langue du bois" para pedir a manutenção deste Governo.
quinta-feira, 4 de março de 2010
FRANCISCO PINTO BALSEMÃO
Pode não ter tido o impacto jornalístico das declarações de Manuela Moura Guedes, mas o que disse na Comissão de Ética, da Assembleia da República foi simplesmente demolidor.
Habituado a não falar gratuitamente e possuidor de um conhecimento ímpar das relações entre a política e a comunicação social, Pinto Balsemão falou com a autoridade de quem foi primeiro-ministro sem nunca ter limitado, ou condicionado, os jornais de que era proprietário.
É a diferença entre quem já era antes de estar na política e quem nada é apesar de nela ter entrado.
Manuel Monteiro
Habituado a não falar gratuitamente e possuidor de um conhecimento ímpar das relações entre a política e a comunicação social, Pinto Balsemão falou com a autoridade de quem foi primeiro-ministro sem nunca ter limitado, ou condicionado, os jornais de que era proprietário.
É a diferença entre quem já era antes de estar na política e quem nada é apesar de nela ter entrado.
Manuel Monteiro
Manuela Moura Guedes
Eu sou insuspeito para falar de Manuela Moura Guedes. Quem conhece a história do PP sabe a razão.Não tenho com ela qualquer relação de amizade e a última vez que falamos foi em 1997.Ouvi ontem o que disse na A.R. e uma coisa tenho de assumir: Moura Guedes afirmou em público aquilo que muitos dizem em privado e demonstrou uma coragem, que não é comum em tempos de covardia colectiva.Como é óbvio, parto do princípio que as suas afirmações podem ser provadas e que foi nesse exacto sentido que as proferiu. A gravidade do que disse não pode deixar nenhum português indiferente e mau seria se tudo ficasse na mesma.
Felizmente, no que diz respeito à TVI, ao Freeport e a tantos outros casos que envolvem o actual primeiro - ministro, existe uma Manuela Moura Guedes; infelizmente no que diz respeito a outros políticos, e a casos como o negócio dos submarinos e do casino de lisboa já não existiu a mesma Moura Guedes. É uma pena, mas ainda assim os meus parabéns pela frontalidade.
Felizmente, no que diz respeito à TVI, ao Freeport e a tantos outros casos que envolvem o actual primeiro - ministro, existe uma Manuela Moura Guedes; infelizmente no que diz respeito a outros políticos, e a casos como o negócio dos submarinos e do casino de lisboa já não existiu a mesma Moura Guedes. É uma pena, mas ainda assim os meus parabéns pela frontalidade.
SAUDADES DE JORGE FERREIRA
Não posso deixar de reproduzir aqui, um texto d' O JUMENTO , até porque o Jorge é inesquecível para todos quantos escrevem neste blogue e nunca será pouco enaltecer a sua verticalidade. Bem haja, Jumento por relembrar o nosso grande amigo!
Na blogosfera fiz grandes amigos e alguns inimigos (ainda esta semana caiu-me um na sopa), um dos que aqui refiro com grande saudade é Jorge Ferreira, ex-líder parlamentar do CDS. Apesar das diferenças políticas e dos poucos contactos construiu-se uma solidariedade que perdurou.
Curiosamente, Jorge Ferreira conseguiu identificar-me com alguma facilidade, quando ia de férias costumava brincar aqui dizendo que ia para a Praia dos Três Pauzinhos, por coincidência Jorge Ferreira passava férias na minha terra desde a sua infância e conhecia melhor do que muitos dos meus conterrâneos o porquê desse nome de uma zona da praia de Monte Gordo, era a designação de um velho posto da Guarda Fiscal que se situava no pinhal junto ao mar.
Pela boca de esse grande homem ninguém soube quem era o autor d'O Jumento.
Na blogosfera fiz grandes amigos e alguns inimigos (ainda esta semana caiu-me um na sopa), um dos que aqui refiro com grande saudade é Jorge Ferreira, ex-líder parlamentar do CDS. Apesar das diferenças políticas e dos poucos contactos construiu-se uma solidariedade que perdurou.
Curiosamente, Jorge Ferreira conseguiu identificar-me com alguma facilidade, quando ia de férias costumava brincar aqui dizendo que ia para a Praia dos Três Pauzinhos, por coincidência Jorge Ferreira passava férias na minha terra desde a sua infância e conhecia melhor do que muitos dos meus conterrâneos o porquê desse nome de uma zona da praia de Monte Gordo, era a designação de um velho posto da Guarda Fiscal que se situava no pinhal junto ao mar.
Pela boca de esse grande homem ninguém soube quem era o autor d'O Jumento.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Portugal tem mais 21 mil gestores de topo apesar da crise
É incrível, mas é verdade!
O desemprego aumentou, mas só para alguns. E uma das áreas onde cresceu o número destes gestores foi... o sector público... "NO JOBS FOR THE BOYS", não era?
Apesar da escalada do desemprego e das falências, há mais 21 mil gestores de topo a trabalharem em Portugal desde que a crise começou a afectar as empresas.
No Verão de 2008, a taxa de desemprego estava em 7,7% e existiam pouco mais de 80 mil gestores de topo em Portugal. No último trimestre de 2009, já depois de os impactos da crise terem arrasado o mercado de trabalho português, a taxa de desemprego saltou para 10,1%, foram destruídos 114,9 mil postos de trabalho por conta de outrem, mas existem 102.300 directores, ou seja, um crescimento de mais de 20 mil.
O desemprego aumentou, mas só para alguns. E uma das áreas onde cresceu o número destes gestores foi... o sector público... "NO JOBS FOR THE BOYS", não era?
Apesar da escalada do desemprego e das falências, há mais 21 mil gestores de topo a trabalharem em Portugal desde que a crise começou a afectar as empresas.
No Verão de 2008, a taxa de desemprego estava em 7,7% e existiam pouco mais de 80 mil gestores de topo em Portugal. No último trimestre de 2009, já depois de os impactos da crise terem arrasado o mercado de trabalho português, a taxa de desemprego saltou para 10,1%, foram destruídos 114,9 mil postos de trabalho por conta de outrem, mas existem 102.300 directores, ou seja, um crescimento de mais de 20 mil.
terça-feira, 2 de março de 2010
BLASFÉMIAS e O INSURGENTE
Parabéns aos autores de dois dos melhores blogues portugueses, Blasfémias e O Insurgente, que fizeram respectivamente seis e cinco anos.
A Constituição do Pântano
Enquanto a Constituição for o que é, em Portugal não hão-de nunca mudar as moscas nem o pasto das moscas. Com o objectivo de perpetuar o marxismo, inventou-se uma Constituição que perpetua um Estado crepuscular e claustrofóbico, que nos controla e nos carrega de impostos, para maior regozijo e proveito de inúmeras faces ocultas, tão ocultas como oculto está o sol ao meio dia.
Enquanto a Constituição for o que é, a riqueza de todos será desviada para apenas alguns: a dos que controlam as alavancas do Estado e a dos que controlam quem controla as alavancas do Estado: Não pode ser por acaso que uma Constituição tão obviamente estúpida é aceite por normal e tão pouco discutida. Esta Constituição transformou o país num pântano que apodrece entre a Espanha e o mar, paraíso de crocodilos, de sanguessugas e de uma miríade de outros animais especialistas da sobrevivência na ecologia dos pântanos.
Enquanto a Constituição for o que é, não vale a pena ganhar eleições, porque a única coisa permitida é, mais uma vez usando a estafada mas sempre actual sentença do Príncipe de Salinas, mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. A única questão que valeria a pena tentar resolver em Portugal é a de como mudar a Constituição. Mas é exactamente aquela questão a que toda a classe política, jornalística e empresarial foge.
Enquanto a Constituição for o que é, Portugal há-de continuar a ser o que hoje é: Nada
segunda-feira, 1 de março de 2010
COMISSÃO DE INQUÉRITO
Até hoje nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito atingiu os objectivos para que foi criada. Nem anunciada. Nenhuma, nem aquela que se debruçou sobre o BPN. A habilidade está sempre em fazer barulho e deitar muitos foguetes, enquanto as verdadeiras questões nunca são colocadas aos inquiridos. Conhecem alguém que tenha sido levado a julgamento, na sequência de uma Comissão de Inquérito? Eu não conheço e a razão é simples. O sistema político está demasiado comprometido e a liberdade real dos partidos que nomeiam os inquisidores é nula. Há muitos podres e muita corrupção, para que verdadeiramente algo de concreto e palpável possa resultar deste tipo de Comissões. Vai suceder o mesmo com a anunciada Comissão sobre a Liberdade de expressão e o envolvimento do actual primeiro – ministro na tentativa de controlo dos jornais, das rádios e das tvs. Será uma perda de tempo, mais uma, num país tão propositadamente distraído.
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