domingo, 28 de fevereiro de 2010
A RESPONSABILIDADE DOS MILITANTES DO PSD - artigo de ANTÓNIO TAVARES, presidente do CLUBE VIA NORTE
“Não é que sejam incapazes de ver a solução. São incapazes é de ver o problema.”
G.K. Chesterton
Num momento de crise económica, social e política o PSD entrou num processo interno de escolha de um militante para líder.
Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco apresentam-se como candidatos num ambiente onde as palavras mudar, ruptura e unir ganham um particular significado semântico.
O que se espera do futuro líder do PSD é que queira e esteja preparado para enfrentar os problemas do país com determinação, coragem e, acima de tudo, compreenda o mundo onde estamos inseridos.
Estando Portugal numa situação de crise contínua e tendo essa crise a dimensão generalizada que tem, de que depende a construção de um novo ciclo politico para que Portugal readquira uma trajectória de convergência de desenvolvimento com os restantes Estados da União Europeia?
Depende, em muito, do resultado da escolha de um novo líder para o PSD. A responsabilidade dos militantes do PSD implica saber escolher um líder que, mais do que um dirigente partidário, seja um homem de Estado. Alguém que tenha um projecto para a sociedade portuguesa que acrescente valor à responsabilidade individual de cada cidadão.
Um projecto portador de coesão económica e social que permita estabilidade política e cuja credibilidade pessoal seja directamente proporcional ao grau com que os cidadãos acreditam nas suas políticas.
Ao apelar aos sacrifícios dos portugueses deve conseguir uma mobilização colectiva para a ideia de que a sua política económica é a correcta e a necessária para o bem-estar da sociedade com resultados concretos no futuro.
Nesta circunstância é preciso que perceba o quadro internacional em que a economia portuguesa se insere. O nosso desenvolvimento ficará seriamente comprometido se não assumirmos que temos de trabalhar mais, ter maior preparação académica e uma maior qualificação intelectual e técnica dos nossos portugueses.
O novo líder do PSD terá de assentar em três pilares fundamentais a sua agenda política para a consolidação do novo ciclo político:
- Reforma do Estado e modernização económica;
- Solidariedade e justiça social;
- Promoção da livre iniciativa dos cidadãos.
Portugal precisa de uma liderança mobilizadora, capaz de operar as mudanças inadiáveis, o que requer uma prática que não se subordine aquilo que é considerado como politicamente correcto.
Francisco Sá Carneiro teve visão e atitude quando aglutinou várias sensibilidades em torno de um novo projecto para Portugal, a AD. Deu o exemplo, enquanto foi Primeiro-Ministro, ao não exercer o lugar de Presidente do PSD separando o Estado do aparelho partidário atitude decisiva para a construção da nossa democracia.
Os militantes do PSD não estão só a escolher um Presidente. Estão, também, a escolher o futuro Primeiro-Ministro de Portugal. É uma grande e acrescida responsabilidade para eles. Devem compreender que não é só preciso vencer no PSD é preciso convencer o país.
Devemos saudar com satisfação o surgimento destas candidaturas à liderança do PSD cientes de que no nosso código genético está o sentido de Sá Carneiro ao privilegiar a unidade dos militantes mas recusando a unicidade partidária.
Aos militantes do PSD compete com a sua escolha não desiludirem os portugueses. Esta é a nossa responsabilidade colectiva.
CATÁSTROFES NATURAIS: É PRECISO PREVENI-LAS - artigo de MANUEL MONTEIRO no SOL de 27/02/2010
Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755
Todos sabemos que as catástrofes naturais são imprevisíveis, incontroláveis e irrecusáveis. Ninguém lhes pode virar as costas, não se dominam e é impossível prevê – las com exactidão e rigor. No entanto, culpar a natureza e a sua fúria por tudo o que de grave sucede, significa muitas vezes irresponsabilidade e indiferença perante a acção e a omissão criminosa dos poderes públicos. A construção desregulada, tal como o surgimento de pontes, de túneis, de estradas e de viadutos em locais onde não deveriam estar, ajuda a entender a dimensão de várias tragédias.
Agora foi a Madeira onde a impunidade nesta matéria anda há anos à solta, mas amanhã poderá ser Lisboa ou qualquer outra cidade. Na capital temos bairros inteiros com casas que se amontoam, com ruas sem espaço para a circulação eficiente de um carro de bombeiros, com edifícios sem qualquer protecção contra sismos, com leitos de rios e ribeiros tapados e furados sem critério. O que conta é fazer, é inaugurar, é construir a qualquer preço. Conluiados muitas vezes com quem constrói, os responsáveis pelo poder comportam – se como autênticos predadores do território e semeiam mais tarde o horror, a tristeza, a perda de vidas e de bens. A prevenção e a segurança não constam dos seus códigos e perante a calamidade têm todos o mesmo discurso. Pedem solidariedade, falam de inter – ajuda, e dizem não ser a hora de fazer política. Numa atitude covarde são incapazes de assumir falhas e escondem – se na azáfama do dia seguinte.
Alguns, mesmo que tenham sido autores ou cúmplices dos erros, até as mãos esfregam diante do dinheiro que podem ainda ganhar com a reconstrução. Tal como os criminosos de guerra, estes criminosos em tempo de paz também espalham a destruição e a morte, mas ao contrário dos primeiros gozam de impunidade. Com efeito não é de política que se trata é de respeito pelos cidadãos, de humanismo, de defesa da vida. E estas questões são bem mais relevantes do que qualquer luta pelo poder.
Se um autarca ou um governante, regional ou nacional, despreza a vida de homens e de mulheres, de crianças e de idosos, permitindo e incentivando obras que colocam em perigo a segurança, ele é simplesmente um inimigo da humanidade. Não tem desculpa, porque não há palavras que calem ou sosseguem o desespero. Não pode sequer esconder – se atrás do desconhecimento, evocar a boa fé ou justificar – se com a brutalidade da natureza. Há técnicos reputados que todos os dias avisam para a possibilidade de calamidades naturais e para a necessidade de se prevenirem danos irreparáveis. Todavia, os seus avisos ou são classificados de catastrofistas ou são ignorados. Quem decide não ouve. Em vez de corrigir, de substituir, de investir na recuperação das cidades e de as preparar para os gritos da natureza, os responsáveis festejam a obra mal feita. Se justiça houvesse o Ministério Público conduzi – los – ia ao banco dos réus, como não existe resta que a nossa ira os condene.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Madeira - População denuncia aterro ilegal na zona das Babosas
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
São dados novos sobre o destruição da Capela das Babosas no Monte. Segundo dados recolhidos junto da população deste sítio, poucos metros atrás desta Capela, existia um aterro ilegal que vinha sendo promovido por um morador há cerca de um ano.
O vereador do ambiente da Câmara Municipal do Funchal desconhece a existência desse aterro, mas o presidente da Junta de Freguesia do Monte, Duarte Pereira, depois de hesitar, confirmou a existência de um aterro que, no entanto, não soube dizer se era legal.
Para a população, o aterro não será a única na razão de toda esta destruição, mas é visto como a principal causa da dimensão extrema dos estragos causados. Todos, principalmente os atingidos, querem ver responsabilidades apuradas.
Para além do desaparecimento da Capela, o temporal destruiu duas casas que existiam poucos metros abaixo do Largo das Babosas, uma delas com três pisos, mas provocou ainda um rasto de destruição ao longo da estrada Luso-Brasileira, fazendo uma mãe e uma filha perderem a vida dentro do carro que as transportava. O entulho trazido pelo ribeiro das Babosas encerrou ainda na Pena o acesso à Via Expresso e provocou um rasto de destruição ao longo de toda a rua.
Pelo que foi possível apurar, o local onde foi criado o aterro já tinha sido uma lixeira promovida por um homem que também é carreiro, mas cuja identidade o DIÁRIO não conseguiu confirmar. A terra despejada cerca de 50 metros por detrás da Capela das Babosas era para ali transportada na sequência de alguns trabalhos de construção civil desenvolvido por este homem. Para transportar o material para este local, o responsável chegou inclusivamente a construir uma estrada, junto às escadas que davam acesso à Capela e que estreitou significativamente a largura do ribeiro.
Uma das pessoas mais críticas é Lícia Agrela, uma professora que tinha visto a casa que estava a construir ficar concluída dois dias antes. "Eu não sei o que fazer. A minha casa tinha ficado pronta há dois dias e agora não tenho nada. Felizmente nesse dia saí cedo de casa com a minha filha, senão penso que também teria morrido", afirma, visivelmente agastada. Lícia Agrela confirma a existência do aterro. "Nós sabíamos que aquele aterro existia e que aquilo causava perigo, mas ninguém fez nada contra aquilo".
De acordo com um dos carreiros com quem falamos, a proprietária da casa de três pisos que foi totalmente destruída costumava alertar o marido para as consequências da existência daquele aterro. Foram muitos os populares com quem o DIÁRIO falou sobre a existência do aterro, mas a maioria preferiu não se identificar.
Na zona das Lajinhas, por cima do Largo da Fonte, junto a um bloco de apartamentos que ali foi construído, é possível ver-se o que resta daquele aterro. A população desta localidade, que novamente prefere não se identificar, afirma sem rodeios que o aterro foi uma das causas da terrível dimensão do temporal nesta zona do Funchal.
Câmara desconhece aterro
Este matutino contactou o vereador do ambiente da Câmara do Funchal, que assumiu de imediato não ter conhecimento deste aterro. "Que eu saiba não existe nenhum aterro nesse local. Se existe, não foi autorizado pela Câmara nem temos conhecimento disso".
Costa Neves chegou mesmo a sugerir que a notícia não fosse publicada de forma a não provocar revolta junto da população. "Para ser sincero eu desconheço isso totalmente, mas penso que não há veracidade nessa situação", afirmou, apesar de o DIÁRIO ter repetido que a população confirmava este facto.
Já o presidente da Junta de Freguesia, inquirido sobre esta matéria, mostrou alguma reticência a comentar o assunto. Afirmou que tinha conhecimento da existência de um aterro, mas preferia não comentar se este era ilegal ou não. A resposta de Costa Neves fez o resto.
Recolha de alimentos
É uma das freguesias mais afectadas do Funchal, contudo, apesar das tentativas para se apurar o número de pessoas atingidas, desalojados e pessoas a precisar de ajuda, a equipa da segurança social destacada na Junta de Freguesia do Monte não quis avançar com um número. Desde ontem, na Igreja do Monte, num esforço conjunto com a Junta de Freguesia e muitos voluntários, tem sido promovida a recolha de alimentos para a população mais carenciada. A coordenar esta iniciativa está Duarte Pereira. "Estou a orientar essa situação, mas estou como cidadão e não como presidente da Junta. Apelo a toda a população que tenha possibilidade, que entregue no Salão Paroquial da Igreja alimentos de primeira necessidade e produtos de higiene pessoal. Os alimentos serão distribuídos conforme as necessidades da população.
Praticamente todos os sítios da freguesia do Monte foram afectados pelo temporal do sábado passado. Desde as Babosas à Levada da Corujeira são às dezenas as famílias, casas e carros atingidos. Por isso, um pouco por toda a freguesia centenas de pessoas pedem apoio. Rafael Freitas Branco, que ficou sem nenhum bem no interior da sua casa afirma, de forma desalentada, afirma que não sabe o que fazer. Com três filhas e a mulher também muito afectada, este residente da Corujeira de Dentro pede a intervenção e o apoio das entidades responsáveis. Já Ricardo Jorge Câmara, no Beco das Eiras, também na Corujeira, perdeu praticamente todas as suas posses neste temporal, pede a entrega de alimentos e de alguma roupa para cinco pessoas.
Escuteiros do Monte no terreno
Quem não virou a cara à luta foram os Escuteiros do Monte. Ontem de manhã, o DIÁRIO foi encontrá-los no Largo das Babosas, a abrir um pequeno caminho para que a população ali possa circular. A presidente, Marlene Rodrigues, fala em cerca de 25 escuteiros destacados um pouco por toda a freguesia a ajudar. "Infelizmente não conseguimos colocar todos os escuteiros no terreno porque alguns sofreram prejuízos nas suas casas ou a ajudar alguns vizinhos". Os escuteiros também vão participar na recolha de alimentos que decorrerá no Salão Paroquial da Igreja do Monte.
Uma capela com memória para Berardo
Construída em 1906, a Capela das Babosas tinha grande valor afectivo para a família do empresário madeirense Joe Berardo. "A minha mãe costumava contar que foi nessa capela que conheceu o meu pai. Ela dizia que ele lhe tinha lançado um olhar maroto". Um olhar que veio a dar em casamento alguns anos depois. Foi também ali que foi feita a despedida dos pais do empresário e de muitos outros membros da família. O nosso matutino encontrou o comendador, chegado ontem de manhã à Região, a visitar os estragos do temporal no Largo das Babosas. Berardo mostra estranheza pelo desaparecimento da Capela. "É uma capela muito sentimental para nós. Não percebo como aquilo desaparece tudo. Aquela Capela não tinha uma construção fraquinha, aquilo era muito forte", afirma.
A Quinta do Monte, pertença deste empresário madeirense, também foi alvo de prejuízos. "Caiu um muro de 25 metros do Colégio do Monte para cima da minha propriedade. Sei que temos um prejuízo avultado de um mural que contava a história do Japão e de uns soldados de terracota que nós tínhamos naquele local, foram todos partidos", afirma. Perante a catástrofe que atingiu a Madeira e uma vez que também é empresário hoteleiro, Joe Berardo faz questão de pedir ao Governo Regional e à Câmara Municipal do Funchal que se foquem na recuperação da baixa da capital madeirense.
"A baixa do Funchal é muito importante para o nosso turismo. Já há cerca de 3, 4 meses os empresários já estavam a fechar os restaurantes porque tudo vai para os Shoppings Centers. O grande cartaz nosso é o Funchal, a cidade tem de estar limpa", afirma. O empresário espera que o apoio financeiro à revitalização do comércio do Funchal seja feito a fundo perdido de forma a permitir uma melhor recuperação de todo o comércio que, é sua opinião, estava a ficar abandonado. "O centro da nossa cidade não pode morrer. Se aquilo morre é um desastre para o nosso turismo. Temos de manter viva a baixa, mantendo os restaurantes abertos. Eu acho que isto só veio alertar um problema que iria ficar pior daqui a um ano ou dois, com o desaparecimento do comércio da cidade. Já que a desgraça veio, que aproveitemos para relançar o comércio do Funchal".
Marco Freitas
COLÉGIO MILITAR
À época em que o Colégio Militar foi criado os tempos eram conturbados, mas isso não impediu que já nessa altura se revelassem homens de visão, criativos e inovadores, como foi o caso de António Teixeira Rebelo, então Coronel do Exército e futuro Marechal.
Curiosamente em 1803 era Regente do Reino de Portugal o Príncipe D. João (futuro Rei D. João VI), trisavô de Duarte Pio de Bragança, actual pretendente ao trono e que foi aluno do Colégio - o n.º 97 entrado em 1960 e que é hoje um referencial de valores que importa realçar no meio do lamaçal que campeia.
Quando, nos primórdios do século XIX, António Teixeira Rebelo, começou a conceber e depois a materializar a criação de um estabelecimento de ensino, nos moldes em que o pensou, estava seguramente muito longe de pensar que, na sequência dessa ideia, ele se viesse a transformar no que foi e é o Colégio Militar, no que ele representou e representa, nas vicissitudes porque passou e no significado que teve e tem, não só para os que o frequentaram e as respectivas famílias, mas também, podemos dizê-lo, para o país no seu conjunto.
Estava certamente distante de admitir que o Colégio fosse alcandorado à fama e à influência de que veio a desfrutar, pelas provas prestadas de forma pública, quanto à excelência da educação proporcionada aos seus alunos, nas suas múltiplas componentes, de que não devem ser descurados pela sua relevância, a educação física, mas também a cívica, a instrução militar e desportos mais completos como a equitação, a esgrima e o pára-quedismo, ou actividades como, por exemplo, o aeromodelismo.
Porque, apesar de na sua matriz fundadora o Colégio se destinar fundamentalmente a fornecer a aprendizagem de matérias escolares, o certo é que a formação global não se restringiu às disciplinas curriculares, antes foi completada por uma sólida educação moral dispensada aos seus alunos.
O ano que passou foi, que me lembre, um dos que mais fustigou o prestígio do Colégio, no âmbito de um quadro que caracterizo como de revolução silenciosa, com maior ou menor ruído, que vai fazendo o seu percurso para atacar o que são alguns dos principais pilares estruturantes da Nação: as Forças Armadas e a Família.
É neste contexto, e não na existência de casos de indisciplina esporádicos, que sempre houve e haverá e para os quais sempre se têm encontrado as adequadas respostas, que deve ser lido o momento difícil pelo qual o Colégio Militar passou.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Jardim na RTP
Um misto de falso modesto, com momentos de verdadeiro arrogante, a par com mentiras descaradas.
DESAFIO AO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA
E já agora que indiquem qual era a localização das vítimas para podermos ajuizar quantas mortes ocorreram devido às pessoas estarem a viver em sítios onde deveria ser proibida a construção.

Ubu, Rei das Bananas
Ubu Roi é uma peça de teatro escrita por Alfred Jarry no fim do sec XIX.
Peça precursora do Teatro do Absurdo e do movimento surrealista, centra-se numa sátira a um certo tipo de Poder. O Rei Ubu passou a ser, em França e no mundo influenciado pela cultura francesa, sinónimo de alguém que usa o poder de uma forma discricionária, tonta e caricata, mas cruel e venal.
Se quer perceber a verdadeira essência de Alberto João Jardim, leia Ubu Roi: não fosse haver um século de diferença, dir-se-ia que Jarry se teria inspirado na figura de Jardim e dos seus próximos para criar a figura do Rei Ubu e da sua Corte. Aliás, por uma destas estranhas coisas da vida, em que a realidade ultrapassa a ficção, por mais louca que seja a ficção, Jardim chega a ser mais Ubu que o próprio Ubu. A peça "Jardim Presidente" transforma "Ubu Roi" numa pacata descrição de um dia a dia normal numa pequena cidade de província.
Rimo-nos durante anos com um clown rústico, alarve e excêntrico. Mas, pelo menos eu, perdi agora toda a vontade de rir. O betão que enriqueceu todo aquele lúmpen, para além do ferro, cimento e porcaria, começa a ter carne e sangue na sua composição
E isso já não tem graça nenhuma...
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
COMISSÃO DE ÉTICA
E quando todas estas perguntas forem feitas já se perceberá a razão que impede a oposição de ser mais forte e eficaz contra o actual primeiro - ministro. E melhor se entenderá os motivos para que este continue tranquilo.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Encolher os ombros
Desta vez foi o Dr. Alberto João Jardim que saiu do seu relativo silêncio para vir dizer que encolhe os ombros às criticas sobre a ocupação do território na Madeira.
Salta à vista, mesmo para um leigo, que foi o excesso de impermebialização do solo que, associado às condições climatéricas excepcionais, esteve na origem da tragédia.
Fenómenos destes sempre houve no passado. O que não havia era excesso de densidade urbanística.
Mas não tenhamos dúvidas que nada vai mudar. Vamos continuar a encolher os ombros.
O REALISMO DA TRAGÉDIA MADEIRENSE
Mas na verdade há quem conhecendo este estado de espírito proceda com aparente parcimónia, e muita inteligência, em sentido contrário. Quem diz não haver lugar nestes momentos para fazer política está simplesmente a fazê – la. A inibição que pretende criar nos seus adversários é apenas o salvo-conduto para poder estar tranquilo, e só, no campo político.
Assistimos a isto mesmo na Madeira, não deixando aliás de ser curioso que Alberto João Jardim atacando os que agora “fazem política”, anuncie ao mesmo tempo ter – se aberto um novo ciclo político para a Região. Percebe – se a sua “jogada”. Por ironia do destino a catástrofe foi o melhor que lhe podia ter sucedido. Estava sem dinheiro, desesperado, sem saber como contentar a clientela, isolado politicamente e ainda sem soluções para o futuro. Os seus problemas desapareceram. Vai receber o que nunca pensou agora ter e vai querer surgir como o “marquês de pombal madeirense”. Não é por acaso que fala de um “novo ciclo político”. Para trás ficarão as centenas de casas clandestinas que permitiu e patrocinou, muitas das quais agora caíram; para trás ficarão as obras que deixou fazer em nome dos votos, em espaços onde nunca deveriam ter sido construídas; para trás ficarão os atentados urbanísticos que cultivou colocando em causa a segurança dos solos; para trás ficará a desflorestação feita sem critério e que agora deixou as águas ainda mais livres para seguirem o seu curso. Para trás ficam, apagadas pela lama, as acções e omissões de um dirigente incapaz, impreparado e incompetente. É uma triste realidade aquela que pode transformar o futuro da Madeira, num desastroso regresso ao passado.
MADEIRA - PELO TURISMO ????
- Recusa-se a declaração de calamidade pública, apesar de ser evidente a destruição.
- Minimiza-se o número de vítimas e de desalojados.
- Omite-se a grave destruição da rede viária madeirense.
E esta tragédia não pode servir para branquear comportamentos menos claros e muito menos para Alberto João Jardim aproveitar para atacar os seus adversários como já começou a fazer.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
GENERAL GARCIA LEANDRO - PALAVRAS NA MANIFESTAÇÃO DA "PLATAFORMA CIDADANIA E CASAMENTO" - RESTAURADORES - 20 de Fevereiro de 2010

Estou aqui por uma questão de consciência, representando a CNAF e também como Militar de Abril e de Novembro.
No primeiro caso, porque a CNAF, como Parceiro Social, nunca foi ouvida na preparação desta Lei; no segundo, por que muitos civis nos foram perguntando se não havia uma tomada de posição daqueles que em momentos cruciais de nossa História recente sempre estiveram ao lado da Liberdades e da Sociedade. Aqueles militares que vieram a apoiar a carta divulgada fizeram-no a título pessoal pelas mesmas razões a que eu me senti vinculado.
Nada existe da nossa parte contra a União Civil de Pessoas do Mesmo Sexo, devem ter os seus direitos individuais e sociais devidamente salvaguardados e protegidos, como qualquer outra minoria; mas são uma minoria.
O Referendo seria clarificador da posição da população portuguesa; mas se não o quiserem fazer não podem chamar “Casamento” a algo que é diferente.
Casamento tem histórica, cultural, social e familiarmente um significado próprio que está relacionado com a vida em comum de casais heterossexuais; isto não pode ser abalado por uma decisão politico-partidária de esquerda versus direita. Não se trata de um problema político e partidário, mas social que atravessa transversalmente toda a sociedade; socialistas e comunistas conheço que não se revêm nesta Lei.
Ao igualizar, nesta Lei, a união Heterossexual e a Homossexual com o nome da Casamento, o Parlamento está a dar a mesma designação a situações diferentes e a retirar direitos individuais e sociais à maioria da população, o que é um atentado à Liberdade; se lhe tivessem dado outra designação nada haveria a opor e eu não estaria aqui. Estão também os responsáveis pela Lei a promover uma cultura homossexual.
Acresce que a questão não foi completamente estudada nas suas implicações educativas; passaremos a dizer aos nossos jovens que a União Homossexual é igual à Heterossexual? Obviamente que isto não pode ter o acordo da maioria da nossa sociedade e do Parlamento.
Embora o Casamento Heterossexual não se destine só à procriação, é de qualquer União entre pessoas aquele que a permite, e isto faz toda a diferença.
Socialmente, trata-se de questão tão grave que merecia maior reflexão.
Outros Países Europeus têm caminhado no sentido que tenho vindo a defender; também nos EUA as soluções variam de Estado para Estado.
General Garcia Leandro.
Madeira
Nesta hora díficil a minha solidariedade materializo-a num abraço forte e amigo que daqui envio ao Baltazar Aguiar, político honesto, dos poucos que ainda há, que sei que tudo fará no que estiver ao seu alcance para minorar o sofrimento dos madeirenses.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
MADEIRA
QUEREM APOSTAR ?
Falou-se em solidariedade europeia para o permitir.
Quanto é que querem apostar que os mesmos que clamaram por essa flexibilização na altura e que há bem pouco tempo promoveram todo o tipo de medidas para salvar o sistema financeiro serão os primeiros a estar contra tal tipo de medidas para a Grécia, Portugal e Espanha?
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Colégio Militar
Será que vão ser noticiadas com o mesmo destaque as vagas não preenchidas na maioria das universidades e institutos politécnicos, públicos e privados?
Apesar de existirem 115 vagas no Colégio Militar para o próximo ano lectivo, apareceram 94 candidatos. Ora, pelo que se vai sabendo, a maioria das universidades não se pode gabar do mesmo, isto é, a diferença entre candidatos e vagas é bem distinta, com o prato da balança a estar mais desequilibrado no número de candidatos versus vagas. Não seria isso também notícia? E os cursos no ensino superior público que não têm qualquer procura?
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Faces Ocultas - Histórias de Sucesso
Princípios
A concentração está marcada para as 15h na Praça Marquês de Pombal. Estou certo que também estarão presente os líderes dos partidos que no Parlamento se opuseram à lei que serve de leit motiv a este pronunciamento popular.
Mas cabe dizer que esta arruada era dispensável. Sim, se em 2004 o PSD e o CDS não tivessem alinhado na alteração do artigo 13.º da Contituição da República Portuguesa, a nova lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo teria, no mínimo, a vida mais dificultada.
O PSD e o CDS, pelo contrário, preferiram, como infelimente vem sendo hábito, a ambiguidade, o equívoco, as meias palavras, o logo se verá…Sabendo que tinham feito aprovar uma revisão constitucional cujo alcance teria previsivelmente, mais tarde ou mais cedo, as actuais consequências.
De facto vale a pena relembrar que estes 2 partidos fizeram com uma maioria na Assembleia o que nunca a “esquerda” havia ousado em 30 anos: alterar a Constituição de forma a permitir que ninguém pudesse ser discriminado em função da orientação sexual e assim escancarando as portas a todos os tipos de casamentos, incluindo os relativos a pessoas do mesmo sexo.